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  25.03.08

 
Boa Forma (de Quibe)  


Já não se faz mais academias como antigamente. E me refiro àquelas em que o cara chegava, fazia uns abdominais, levantava um pesinho, espiava as meninas fazendo ginástica na sala ao lado e ia embora pra casa, pouco suado, porém, muito feliz. Ao fundo, de trilha sonora, o dial sintonizado na Antena 1; na tevê, invariavelmente, "Alf, o ETeimoso" e, mais recentemente, "Família Dinossauros".

Hoje esses lugares parecem verdadeiras boates: o som no talo, um(a) instrutor(a) saltitante e cinqüenta e poucos alunos amontoados num hangar gritando "Uhuuu!", como se estivessem no Big Brother.

Tempos modernos, fazer o quê?

Dentre as novidades, me contou uma freqüentadora assídua (que prefere permanecer incógnita) inventaram um tal de jump fit ou power jump, que consiste em se fazer exercícios pulando sobre uma minicama elástica ao som de música eletrônica. Como não poderia deixar de ser, aqui no Brasil o poperô foi substituído pelo axé, e as aulas começam, desafortunadamente, com canções (sic) da Ivete Sangalo.

A minha informante, que além de um corpo malhado tem um cérebro dos mais sarados, no primeiro dia de academia, sabiamente, ao ouvir os primeiros acordes, pegou sua mochilinha e deu no pé. Rescindiu o contrato por telefone. Se é comigo, também saio correndo. No fim das contas, dá no mesmo brincar com o meu Pogobol em casa, trancado num quarto abafado, mas pelo menos ouvindo um rockinho de boa qualidade.

O que pude constatar (nas estatísticas do Data-Dog) é que, entre os freqüentadores dessas academias de estilo carnavalesco, a vaidade é inversamente proporcional ao bom gosto musical, pois ali, aparentemente, todo mundo sorri sem motivo e ainda grita "Uhuuu!" a cada pulinho (parece até sacanagem pra deixar São Longuinho confuso).

E nisso a minha intuição nunca falhou: quem sorri demais e grita “Uhuuu!”, pode crer que ouve música ruim.

Só sei que não se faz mais academias como antigamente. Exercício físico, desse jeito que inventaram, com trilha sonora de zona do baixo meretrício, gritaria e ritmo alucinante de quem vai tirar o pai da zona, estou fora, muito fora, extremamente fora. Prefiro ter uma parada cardíaca aos quarenta anos de idade. Ainda mais que já tenho o corpo definido.

Eu mesmo defini que vai ficar do jeito que está.

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e se exercitou nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e sedentário convicto.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita críticas, sugestões e dietas sem sacrifício pelo e-mail: dogman@uol.com.br

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