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Eu tenho sentido falta de homem ultimamente. Não daquela coisa peluda, ignorante, egocêntrica, quadrada e mal-vestida da qual as mulheres gostam normalmente, mas de um brother, de um chapa, de um camarada, de um amigo do peito.
É que mulher demais, às vezes, enjoa. Mãe, irmã, namorada, faxineira, secretária, avó, tia, vizinha, prima, caixa de supermercado, atendente de lotérica, professora, aluna, gostosa do prédio da frente: é estrogênio demais na vida de um homem.
Mesmo não sendo gay e tendo
pavor, desde pequeno, de dar mais
que um aperto de mão em alguém
do mesmo sexo, sinto uma necessidade
absurda (não por muito tempo,
é verdade) de discutir futebol,
de falar palavrão, de menosprezar
as loiras, de arrotar no meio de
uma frase, de ouvir uma piada suja,
de gargalhar até chorar,
de jogar sinuca, de emprestar Playboy,
de jurar que a filha do chefe está
no papo.
De vez em quando eu gosto de homem porque homem não põe a culpa de tudo no ciclo menstrual (nem na barba por fazer nem na cueca surrada). Homem não tem ciúme de fatos passados nem, muito menos, de fatos futuros, não se importa se você come fritura todo dia ou se bebe até cair, não responde com um tratado a uma pergunta que só precisaria de um “beleza” ou de um “é isso aí” pra encerrar o assunto.
Mulher é bom, muito bom, claro, eu adoro as fêmeas de forma geral. Tanto que, quando dedico muito tempo a uma única mulher, fico com a incômoda sensação de estar traindo todas as outras. Mas é que discutir a relação cansa, greve de sexo cansa, levar o casaco cansa, escutar Lenine e Jorge Vercilo cansa, mijar sentado cansa.
Por isso, eventualmente, eu saio por aí atrás de homem, sem nenhum pudor, apenas pra me certificar de que o mundo ainda é simples e de que as coisas sempre ficam mais complicadas sob a ótica feminina.
Depois passo na floricultura, decoro
um poema e ainda chego bem na hora
de ajudar o amor da minha vida (que
é do sexo oposto) a abrir o
vidro de palmito, entre o final da
novela e o paredão de mais
um BBB.
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