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  01.07.08

 
Tecnologia


Eu estava de saída para ir ao shopping, mas antes resolvi tentar (mais uma vez) ligar para a operadora de tevê a cabo. O novo plano do condomínio custava metade do preço, portanto, não havia motivo para eu continuar pagando individualmente pelos canais. Nas últimas duas semanas foram vinte ligações e nada: ou o sistema estava fora do ar ou os atendentes eram meio retardados ou, simplesmente, desligavam na minha cara quando ouviam a palavra “desconexão”. Não que agora eu tivesse alguma esperança de alcançar o objetivo, apenas queria aproveitar meu primeiro dia de férias, que é quando a minha inesgotável paciência ainda não se esgotou totalmente.

– Skavurzka! Em que posso estar lhe ajudando, senhor?
– Quero cancelar a minha tevê a cabo, será que é pedir demais?
– Ah, mas eu estou vendo aqui que o senhor é um cliente muito antigo...
– E daí, qual é a vantagem?
– Nenhuma, senhor, apenas verifiquei que sua assinatura é muito antiga.
– E eu por acaso te pedi pra verificar alguma coisa? Fica na tua, pô!

Respirei, contei até dez e saí de casa para um passeio ao shopping como eu havia planejado. Precisava urgentemente trocar o meu celular, que já andava meio acabado, praticamente morto (ao contrário do que sugeria o nome da operadora, se é que me entendem), todo arranhado, com as teclas emperradas e a qualidade de ligação cada vez pior.

Olhei a vitrine com toda a calma do mundo. Certifiquei-me de que a maioria daquelas geringonças modernas fazia também chamadas de um telefone para outro, além de enviar mensagens, tirar fotos, tocar músicas, conectar à internet e até, dependendo do preço, beijar na boca. Decidido, chamei o vendedor e apontei para um aparelho que me sairia de graça.

– É esse que eu quero.
– O senhor já conhece o modelo?
– Já conheço, sim... não tem custo, né?
– Sem nenhum custo, senhor.
– Tá bom, vou levar.
– Ivete Sangalo, Jota Quest ou High School Musical?
– Acho que o Kiko Zambianchi faz mais o meu estilo...
– Não, não... é que o senhor tem que optar por um dos três modelos, pois os aparelhos já vêm com músicas, fotos e vídeos do seu artista favorito.
– Cruzes! Então não quero nem de graça... me vê aquele outro ali.

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e "congelou" nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e não é amigo da tecnologia.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita críticas e sugestões também em seu blog: http://dogman.zip.net

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