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Armandinho Gasparetto, o office-boyzinho
camarada, dormiu menos de oito horas
durante a noite, acordou cedo, fez
uns abdominais, brincou um pouquinho
com seu tchaco em frente
ao espelho, comeu Sucrilhos com
leite integral e saiu sem escovar
os dentes.
Passou no apartamento de uma ex-namorada,
a Jéssica Adriane, e transou com
ela sem camisinha, afinal, já se
conheciam de outros carnavais e
o marido é um primo seu, com quem
fazia troca-troca na infância. No
caminho de volta comprou cera automotiva
e estopa, que pagou com um cheque
de "dezeçeis real", preenchido com
garranchos quase ilegíveis.
Estacionou em cima da grama do
jardim, prendeu o pitbull, vestiu
roupa de briga (inclusive a camisa
sem mangas do tricolor paulista),
abriu uma Brahma, acendeu um Gudang
Garan e, em pouco menos de três
horas, ouvindo o CD pirata da trilha
sonora de Tropa de Elite
no último volume, lavou e encerou
cuidadosamente seu Fiat Uno Mille
1996. Tomou um banho de mangueira
e ligou para a atual namorada, a
Katiúscia: mulher nova, bonita e
carinhosa, que faz o homem gemer
sem sentir dor.
Num curto espaço de tempo, ultrapassando
pelo acostamento, estavam na praia
da Barra da Lagoa, pontualmente
ao meio-dia, ambos sem protetor
solar, onde tomaram caipirinha de
limão sob um sol escaldante. Antes
das seis vieram embora, mas combinaram
de sair mais tarde.
Novamente em casa, em um bairro
de classe pobre-alta da periferia,
Armandinho fritou dois ovos com
bacon e os comeu com pão e Maionegg's.
Assistiu ao primeiro bloco de Zorra
Total, deixou a tevê ligada
e tomou uma demorada ducha quentinha,
pendurando a cueca no registro para
a mãe lavar depois. Trajando sua
melhor grife falsificada, saiu sem
apagar as luzes.
Foi a um bairro próximo a fim de
comprar maconha de um amigo CB (sangue
bom), depois pegou a namorada e
seguiu para o pagode, não sem antes
dar uma rapidinha. Camisinha nem
pensar, afinal, já se conheciam
há duas semanas.
Beberam e dançaram ao som dos grupos
Moleque Mocorongo e Abobados
da Bronha até alta madrugada,
quando ele foi ao banheiro e não
lavou as mãos. No salão, ao surpreender
Katiúscia admirando o lustroso cacetete
de um segurança da casa, teve um
ataque de pelanca e acertou um tapa
na companheira.
Veio embora sozinho, cambaleante.
Entrou no seu possante impecavelmente
limpo e acelerou com raiva. Na primeira
curva, com lágrimas nos olhos, Gasparetto
perdeu o controle do carro, bateu
num poste e morreu. Suas últimas
palavras foram: "Amanhã mesmo vou
comprar uma bomba peniana em dezoito
vezes nas Casas Bahia".
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