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Estacionou em frente ao prédio.
Logo que saltou do carro, a simpática
corretora de imóveis veio em sua
direção. Apertaram-se as mãos e,
antes que ele dissesse qualquer
coisa, ela lhe entregou um cartão
com seu nome e número do Creci.
Seguiram juntos pela portaria. No
pequeno elevador, cara a cara, ele
pode sentir o hálito fresco de goma
de mascar enquanto ela falava das
melhorias recentes feitas no condomínio.
O apartamento ficava no oitavo
andar e estava à venda. Tinha
uma suíte com hidromassagem, sala
com sacada, banheiro social, cozinha
americana, área de serviço e uma
vaga de garagem. Parecia mesmo sob
medida para um homem de meia-idade,
boêmio, solteiro, sem filhos.
Os dois caminharam até o fim do
corredor. Ele um pouco mais atrás,
de onde pode vê-la sacar da bolsa
um molho de chaves. Ainda tagarelando
sobre o bom estado de conservação
do edifício, ela abriu a porta e
o deixou entrar primeiro. Por causa
da claridade, ambos fecharam os
olhos e piscaram várias vezes até
as pupilas se adaptarem. Não havia
cortinas nem venezianas, nada que
impedisse a entrada do sol da manhã.
Sempre no comando das ações, a
corretora foi abrindo a sacada e
apontando a vista livre para o mar.
Ele concordou com a cabeça, já sendo
puxado pelo braço em direção ao
quarto. Acima da abertura do ar-condicionado,
quase no teto, reparou numa pequena
infiltração.
Reparou também num piso rachado
no hall, na falta da tampa
da caixa de descarga do vaso sanitário,
nas dezenas de furos nos azulejos
da cozinha e na parede chamuscada
em volta do aquecedor a gás; mas
preferiu não comentar. Assim como
não gostava que botassem defeito
nas suas coisas, não pretendia acabar
com o entusiasmo da vendedora desmerecendo
o imóvel. Além do mais, tudo tinha
conserto.
Novamente ela reiterou o baixo
custo do investimento e garantiu-lhe
a preferência de compra, porém,
sugeriu que não demorasse muito
a tomar uma decisão, pois a fila
de interessados em residir na região
era grande. Antes de sair, deram
uma última olhada na sala vazia.
Despediram-se na calçada. Quando
o carro dela partiu, ele acenou
discretamente. Durante alguns minutos
ficou imaginando como seria morar
sozinho naquele lugar. Olhou no
relógio, preocupado com o almoço.
Entrou apressado no prédio e apertou
o botão do oitavo andar no elevador.
Não via a hora de voltar para o
seu apartamento, de dois quartos,
que dividia com a esposa e a filha,
ao lado do que estava para vender.
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