|
Era um casal aficionado da MPB e
do pop-rock nacional. Sentados frente
a frente, na mesa redonda de um
barzinho com som ao vivo, conversavam
pela última vez antes da separação.
Sei que você fez os seus
castelos e sonhou ser salva do dragão.
Apenas queria que você soubesse
que esta menina hoje é uma
mulher.
Eu quero é viver em paz!
Por favor, me beije a boca...
Se você não entende, não
vê...
Eu quis dizer, você não quis
escutar.
O que me importa essa tristeza
em seu olhar?
Não tem jeito mesmo, não
tem dó no peito, não tem nem talvez.
Não pense na separação...
não despedace o coração...
That's over, baby! Freud
explica.
Agora que faço eu da vida
sem você?
Não me procure mais... assim
será melhor, meu bem.
Nós somos medo e desejo,
somos feitos de silêncio e sons.
Desculpe o auê, eu não queria
magoar você.
Eu nem sonhava te amar desse
jeito.
A emoção acabou...
O que é que há? O que é que
tá se passando com essa cabeça?
Nada, nada, nada, nada!
Nunca se esqueça, nem um
segundo, eu tenho o amor maior do
mundo.
Bem que se quis, depois de
tudo, ainda ser feliz.
Nada mais vai me ferir, eu
já me acostumei.
É isso aí.
Então vem cá, me dá sua língua...
Beijaram-se despudoradamente durante
alguns minutos. O que ela imaginou
ser uma reconciliação, para ele
era uma despedida. Pediram mais
dois chopes e retomaram o diálogo.
Desejo que você tenha a
quem amar.
Mas não quero deixá-lo na
mão nem sozinho no escuro.
I don't want to stay here,
I wanna to go back to Bahia.
Eu prefiro as curvas da estrada
de Santos.
Devia ter me importado menos
com problemas pequenos...
Eu vejo flores em você!
Pra ser sincero, não espero
de você mais do que educação.
Prefiro ser essa metamorfose
ambulante...
Eu tô voltando pra casa.
Decida o que é bom pra você.
Então me diga se você ainda
gosta de mim...
Devolva o Neruda que você
me tomou e nunca leu.
|