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Nunca comentei
aqui para não acharem que estou
me gabando, mas tenho recebido centenas
de e-mails e cartas de leitores
do Guia Floripa pedindo as
minhas valiosas opiniões e os meus
sábios conselhos sobre diversos
assuntos de interesse da humanidade.
Como sabem, às vezes o problema
de um indivíduo pode ser o mesmo
de uma nação inteira, portanto,
considerando que as pessoas, apesar
de parecerem diferentes entre si,
no fundo são todas iguais (menos
eu), separei as sete melhores perguntas
e as piores respostas para publicar
nesta coluna e ajudar a quem, por
ventura, não tenha encontrado alento
nos livros do Shinyashiki ou naquele
programa matinal do papagaio com
a loira no ombro.
01.
De: Feijão Maravilha - Itajaí/SC
Amigo Dogman, estou desempregado
e minha mulher não é lá essas
coisas, ou seja, não posso nem usá-la
como fonte de renda. O que devo
fazer para garantir o meu pão com
manteiga de cada dia?
R.:
Desesperado colega, costure a foto
da patroa e uma nota de cinco reais
na boca de um sapo. Em seguida vá
até a padaria da esquina e entregue
o anfíbio ao português. Dentro de
poucos minutos você receberá uma
média com pão e manteiga para apimentar
a relação.
02.
De: Tigrão Prolixo - Curitiba/PR
Prezado Cachorrão, divulguei
o endereço do meu blog para todos
os meus amigos e até agora o contador
não se movimentou. Será que estou
fazendo algo errado? Por que as
pessoas não me visitam? Acesse http://trespratosdetrigoparatrestigrestristes.zip.net
e me dê sua opinião.
R.:
Querido TP, não imagino qual é a
dificuldade dessa gente em decorar
tão singelo endereço. Não ligue,
deve ser algum retardamento. Eu
mesmo, antes de me definir pelo
que uso hoje (dogman.zip.net), tentei
também http://umninhodemafagafoscomcincomafagafinhos.zip.net
e http://ashemorroidasardemedoemasaftasidem.zip.net,
mas ambos já estavam sendo utilizados
por internautas de bom senso. Não
desanime, seus quinze minutos de
fama ainda vão chegar, afinal, de
onde menos se espera é que não sai
nada mesmo.
03.
De: Equipe da Rádio Continente Perdido
FM - Floripa/SC
Senhor Dogman, acompanhamos sua
coluna regularmente e sentimos falta
de mais postagens sobre música.
Não temos visto, neste espaço, nenhuma
referência a grupos como Charlie
Brown Jr., Papas da Língua e NX
Zero ou a cantoras como Shakira,
Rhiana e Alicia Keys. Qual a sua
explicação para não citá-los?
R.:
Muito simples, meus amigos, é que
as regras de hospedagem do servidor
não permitem que os usuários façam
apologia às drogas, sob pena de
suspensão do serviço. Por isso também
não é possível divulgar a programação
daquele festival que vocês promovem
no verão, fazer link para a coluna
do Claudinho ou mostrar fotos do
sovaco cabeludo da Madonna nos shows
da turnê brasileira.
04.
De: Serena Manso - Floripa/SC
Sábio Cachorrão, ainda não li O
Caçador de Pipas, apesar de
saber que o livro figura há quatro
anos na lista dos mais vendidos
em todo o mundo. Também não assisti
ao filme, que ainda está na prateleira
de "Lançamentos 48h" da minha locadora.
Afinal, do que trata a história?
Você recomenda primeiro que eu leia
o livro ou o que veja o filme?
R.:
Caríssima SM, acho que seria melhor
ler o filme e assistir ao livro
(hehe, sacou?). Deduzo, pelo seu
ritmo, que você freqüenta a livraria
e o cinema uma vez a cada cinco
anos, não é mesmo? Não se apresse,
o filme é bem melhor que o livro
e, um dia, vai passar na Sessão
da Tarde. Caso a sua curiosidade
seja maior, a história é a seguinte:
No Afeganistão, um guri meio
fresco e bundão não sabe nem preparar
o próprio Nescauzinho de
manhã cedo. Quem faz tudo é o medonho
do filho do caseiro. O país é invadido
pela Rússia e o baitola foge com
o pai para os Estados Unidos. Em
vez de médico, vira escritor, e
continua bundão depois de velho.
Vinte anos mais tarde descobre que
o "baba" tinha dado um créu na empregada
e que o filho do caseiro era seu
irmão. Ele volta ao Afeganistão
para conhecer o sobrinho que ficou
órfão, se mete numa briga, apanha
que nem Judas em Sábado de Aleluia,
mas é salvo pelo piá, que é mais
macho que o tio. No final, soltam
pipa num parquinho.
05.
De: Bruce Levi's - Curitiba/PR
Honolável Cacholão, complei lecentemente
um viblador da Semp Toshiba com
galantia até a Copa do Mundo da
Áflica do Sul, mas o desglaçado
já palou de funcionar logo na plimeila
semana. O que telá acontecido com
esse obsculo objeto do desejo?
R.:
Se liga, cabeção, a pilha está ao
contrário.
06.
De: Gomes de Sá - Brumadinho/MG
Senhor Cachorrão, estou deveras
caído de amores por uma dama comprometida.
Ela tem correspondido às minhas
investidas, visto que não recusou
o presente que outrora lhe enviei,
um fragrante vidro de Colônia Contouré
750ml. Porém, devido a estabilidade
que o matrimônio lhe trouxe, além
de uma bela prole ainda em idade
escolar, percebo sua insegurança
em trilhar novos rumos ao meu ladinho.
Que conselhos vossa senhoria dar-me-ia
a fim conquistá-la?
R.:
Caro conquistador, espero que você
tenha mais de sessenta anos de idade,
senão vai ficar difícil responder
sem rir. Minha primeira idéia era
oferecer os serviços de uns conhecidos
meus aí do Triângulo Mineiro, que
poderiam seqüestrar o esposo em
questão e fazer queijo trançado
com ele, mas, analisando friamente
o seu caso, creio que não vale a
pena destruir um lar por motivo
tão fútil. Experimente freqüentar,
durante um ou dois meses, as apresentações
do jovem Francisco Petrônio, no
agitado Baile da Saudade, que acontecerão
na sua região brevemente. Tenho
certeza de que lá você conhecerá
um sem número de senhoras casadoiras
prestes a fazer 69, se é que me
entendes.
07.
De: Joycicleide da Silva - Atafona/RJ
Gatíssimo Dogman, tenho 18 aninhos,
sou solteira, piercing no umbigo,
marquinha de biquini, loira estilo
Carla Perez, gosto de funk e pagode,
trabalho numa loja de bijuterias
e acabo de terminar o supletivo
do segundo grau. Tenho me sentido
solitária ultimamente e gostaria
de variar um pouco meus relacionamentos.
Cansei de surfistas, motobóis e
jogadores de futebol, queria mesmo
saber como é namorar um homem que
sabe ler e escrever. Você me daria
uma chance?
R.:
Não.
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