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  14.10.2008

 
Pergunte ao Cachorrão


Nunca comentei aqui para não acharem que estou me gabando, mas tenho recebido centenas de e-mails e cartas de leitores do Guia Floripa pedindo as minhas valiosas opiniões e os meus sábios conselhos sobre diversos assuntos de interesse da humanidade. Como sabem, às vezes o problema de um indivíduo pode ser o mesmo de uma nação inteira, portanto, considerando que as pessoas, apesar de parecerem diferentes entre si, no fundo são todas iguais (menos eu), separei as sete melhores perguntas e as piores respostas para publicar nesta coluna e ajudar a quem, por ventura, não tenha encontrado alento nos livros do Shinyashiki ou naquele programa matinal do papagaio com a loira no ombro.

01. De: Feijão Maravilha - Itajaí/SC
Amigo Dogman, estou desempregado e minha mulher não é lá essas coisas, ou seja, não posso nem usá-la como fonte de renda. O que devo fazer para garantir o meu pão com manteiga de cada dia?
R.: Desesperado colega, costure a foto da patroa e uma nota de cinco reais na boca de um sapo. Em seguida vá até a padaria da esquina e entregue o anfíbio ao português. Dentro de poucos minutos você receberá uma média com pão e manteiga para apimentar a relação.

02. De: Tigrão Prolixo - Curitiba/PR
Prezado Cachorrão, divulguei o endereço do meu blog para todos os meus amigos e até agora o contador não se movimentou. Será que estou fazendo algo errado? Por que as pessoas não me visitam? Acesse http://trespratosdetrigoparatrestigrestristes.zip.net e me dê sua opinião.
R.: Querido TP, não imagino qual é a dificuldade dessa gente em decorar tão singelo endereço. Não ligue, deve ser algum retardamento. Eu mesmo, antes de me definir pelo que uso hoje (dogman.zip.net), tentei também http://umninhodemafagafoscomcincomafagafinhos.zip.net e http://ashemorroidasardemedoemasaftasidem.zip.net, mas ambos já estavam sendo utilizados por internautas de bom senso. Não desanime, seus quinze minutos de fama ainda vão chegar, afinal, de onde menos se espera é que não sai nada mesmo.

03. De: Equipe da Rádio Continente Perdido FM - Floripa/SC
Senhor Dogman, acompanhamos sua coluna regularmente e sentimos falta de mais postagens sobre música. Não temos visto, neste espaço, nenhuma referência a grupos como Charlie Brown Jr., Papas da Língua e NX Zero ou a cantoras como Shakira, Rhiana e Alicia Keys. Qual a sua explicação para não citá-los?
R.: Muito simples, meus amigos, é que as regras de hospedagem do servidor não permitem que os usuários façam apologia às drogas, sob pena de suspensão do serviço. Por isso também não é possível divulgar a programação daquele festival que vocês promovem no verão, fazer link para a coluna do Claudinho ou mostrar fotos do sovaco cabeludo da Madonna nos shows da turnê brasileira.

04. De: Serena Manso - Floripa/SC
Sábio Cachorrão, ainda não li O Caçador de Pipas, apesar de saber que o livro figura há quatro anos na lista dos mais vendidos em todo o mundo. Também não assisti ao filme, que ainda está na prateleira de "Lançamentos 48h" da minha locadora. Afinal, do que trata a história? Você recomenda primeiro que eu leia o livro ou o que veja o filme?
R.: Caríssima SM, acho que seria melhor ler o filme e assistir ao livro (hehe, sacou?). Deduzo, pelo seu ritmo, que você freqüenta a livraria e o cinema uma vez a cada cinco anos, não é mesmo? Não se apresse, o filme é bem melhor que o livro e, um dia, vai passar na Sessão da Tarde. Caso a sua curiosidade seja maior, a história é a seguinte: No Afeganistão, um guri meio fresco e bundão não sabe nem preparar o próprio Nescauzinho de manhã cedo. Quem faz tudo é o medonho do filho do caseiro. O país é invadido pela Rússia e o baitola foge com o pai para os Estados Unidos. Em vez de médico, vira escritor, e continua bundão depois de velho. Vinte anos mais tarde descobre que o "baba" tinha dado um créu na empregada e que o filho do caseiro era seu irmão. Ele volta ao Afeganistão para conhecer o sobrinho que ficou órfão, se mete numa briga, apanha que nem Judas em Sábado de Aleluia, mas é salvo pelo piá, que é mais macho que o tio. No final, soltam pipa num parquinho.

05. De: Bruce Levi's - Curitiba/PR
Honolável Cacholão, complei lecentemente um viblador da Semp Toshiba com galantia até a Copa do Mundo da Áflica do Sul, mas o desglaçado já palou de funcionar logo na plimeila semana. O que telá acontecido com esse obsculo objeto do desejo?
R.: Se liga, cabeção, a pilha está ao contrário.

06. De: Gomes de Sá - Brumadinho/MG
Senhor Cachorrão, estou deveras caído de amores por uma dama comprometida. Ela tem correspondido às minhas investidas, visto que não recusou o presente que outrora lhe enviei, um fragrante vidro de Colônia Contouré 750ml. Porém, devido a estabilidade que o matrimônio lhe trouxe, além de uma bela prole ainda em idade escolar, percebo sua insegurança em trilhar novos rumos ao meu ladinho. Que conselhos vossa senhoria dar-me-ia a fim conquistá-la?
R.: Caro conquistador, espero que você tenha mais de sessenta anos de idade, senão vai ficar difícil responder sem rir. Minha primeira idéia era oferecer os serviços de uns conhecidos meus aí do Triângulo Mineiro, que poderiam seqüestrar o esposo em questão e fazer queijo trançado com ele, mas, analisando friamente o seu caso, creio que não vale a pena destruir um lar por motivo tão fútil. Experimente freqüentar, durante um ou dois meses, as apresentações do jovem Francisco Petrônio, no agitado Baile da Saudade, que acontecerão na sua região brevemente. Tenho certeza de que lá você conhecerá um sem número de senhoras casadoiras prestes a fazer 69, se é que me entendes.

07. De: Joycicleide da Silva - Atafona/RJ
Gatíssimo Dogman, tenho 18 aninhos, sou solteira, piercing no umbigo, marquinha de biquini, loira estilo Carla Perez, gosto de funk e pagode, trabalho numa loja de bijuterias e acabo de terminar o supletivo do segundo grau. Tenho me sentido solitária ultimamente e gostaria de variar um pouco meus relacionamentos. Cansei de surfistas, motobóis e jogadores de futebol, queria mesmo saber como é namorar um homem que sabe ler e escrever. Você me daria uma chance?
R.: Não.

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e "congelou" nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e responde na lata.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita sugestões e tira todas as suas dúvidas pelo e-mail: dogman@uol.com.br

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