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Eu me conformei
com muita coisa em 2008. Aliás,
nós todos nos conformamos com muita
coisa neste ano que está acabando.
Do nosso presidente ao presidente
deles, do time do coração ao time
rival, da própria família aos completos
desconhecidos, do amor da sua vida
ao seu pior pesadelo sexual, de
todos os lados houve algum desaforo
levado para casa, algum sapo engolido,
alguma mágoa sem perdão.
E é aí que
entra o ano-novo!
Mesmo que
o primeiro dia de 2009 seja um dia
como outro qualquer, a data tem
lá a sua influência psicológica
sobre as pessoas. Então fazemos
de conta que o mundo vai melhorar,
que nossos sonhos vão se realizar,
etc. Por isso eu sempre acabo estabelecendo
uma lista de desejos... mas apenas
mentalmente, sem essa de ficar pulando
sete bagos de uva ou engolindo três
ondas vestido de auxiliar de enfermagem.
Dentre os
pedidos que arrolei para as próximas
52 semanas, compartilho meia dúzia
com quem quiser pedir igual e reforçar
a corrente, sem ordem de importância,
contanto "que tudo se realize no
ano que vai nascer".
Que os
telejornais locais sejam menos previsíveis.
Não
custa nada aos editores exercitar
a criatividade e incluir na pauta
outros assuntos além das imagens
da superlotação das praias e do
trânsito congestionado durante o
verão.
Que a
Ivete Sangalo perca a voz definitivamente.
Ainda que ela continue aparecendo
em todos os canais ao mesmo tempo
em todos os dias do ano, pelo menos
não poderá mais cantar suas
horríveis canções,
o que já seria um consolo.
Que o
Marcelo Camelo se case com a Mallu
Magalhães.
E que, por causa deles, um gatão
de meia-idade como eu fique à vontade
para ter um caso com uma menina
quinze anos mais nova sem que a
sociedade recrimine ou que a vizinhança
jogue água.
Que eu
continue sedentário e viciado em
Coca-Cola.
Não fazer nada enquanto bebo refrigerante
sempre foi meu objetivo de vida.
Agora que cheguei ao panteão do
ócio, não permitirei que
nada nem ninguém escangalhe a minha
rotina.
Que o
Joe Satriani ganhe o processo contra
o Coldplay por plágio.
Tudo bem que é melhor copiar o bom
do que inventar o ruim, mas dessa
vez não tem desculpa. A cópia de
Viva La Vida foi muito descarada
e merece uma punição exemplar.
Que o
acordo ortográfico da Língua Portuguesa
seja revisto.
E que pelo menos o trema se salve,
pois não é possível
que o sinal diacrítico mais legal
da nossa língua esteja com os dias
contados. Podia durar pelo menos
mais um qüinqüênio.
Que nunca
me falte uma dúzia de ovos em casa.
Para atirar nos skatistas
que fazem baderna debaixo da minha
janela depois das dez horas da noite.
Carros com o pagode muito alto também
não perdem por esperar.
Que a
Alanis Morissette precise fazer
um show extra.
Parece até mentira que haverá um
espasmo de música boa em Florianópolis
na alta temporada. Melhor do que
isso, só se cancelarem a apresentação
da Rhianna. Oremos.
Que eu
trabalhe menos e ganhe mais.
E caso precise trabalhar de verdade,
que eu consiga continuar escondendo
do meu chefe que escrevi as 50 colunas
do Guia Floripa durante o horário
de expediente, no computador da
empresa.
Por último,
sem querer abusar, gostaria de passar
pela experiência de ser pobre e
feio uma vez na vida para saber
como é. Porque ser pobre e feio
todo dia eu garanto que não é nada
bom... mas continuarei me conformando.
Afinal, antes do próximo
réveillon, mesmo tentando
disfarçar, nós sempre
acabamos nos conformando com tudo.
Feliz 2009!
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