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  20.01.2009

 
Autoajuda Antiofídica


Veneno de ex-namorada (e de amiga de ex-namorada) é pior do que veneno de cobra peçonhenta. Basta aquele seu relacionamento aparentemente estável chegar ao fim depois de apenas alguns meses e pronto: prepare-se para andar com as orelhas pegando fogo dia e noite. Não importa quem terminou nem por qual motivo o romance acabou, o fato é que a maledicência já começa logo em seguida, na primeira vez que você sair sozinho para um barzinho de solteiros ou assim que convidar aquela sua ex-ficante (que está sempre disponível) para suprir a ausência da ex-amada. Nessa hora, há que se providenciar, com urgência, um patuá ou um galhinho de arruda, pois a quantidade de pragas rogadas à sua pessoa pelas conselheiras sentimentais da outrora companheira inseparável será suficiente para deixá-lo sem forças, pálido, com olheiras e, muito provavelmente, impotente. Um verdadeiro inferno, comparável somente ao show conjunto de Chimarruts e Papas da Língua no Planeta Atlântida do último final de semana.

Caso seja inevitável apaixonar-se novamente antes dos seis meses seguintes ao rompimento, procure esconder a qualquer custo o seu novo amor, senão a torrente de energia negativa, mau-agouro, calúnias, piadinhas e mexericos em geral poderá ser fatal. Na pior das hipóteses, à boca pequena, você e seu par terão que conviver com os comentários mais maldosos (inclusive no Orkut), expelidos sem pudor pela ex-adorável jararaca e sua inseparável trupe de cascavéis onipresentes.

Se você estiver saindo com uma menina mais magra, vai ouvir o seguinte:
– Te viram ontem no cinema com aquela anoréxica.

Se estiver saindo com uma menina mais fofinha...
– Quem é aquela elefanta que estava no shopping contigo?

Se estiver saindo com uma guria mais nova...
– Não sabia que você era pedófilo.

Se estiver às voltas com uma moça um pouco mais velha...
– É sua tia por parte de mãe ou por parte de pai?

Se estiver saindo com uma rapariga de origem humilde...
– Bem pensado, agora não precisa mais pagar diarista.

Se estiver saindo com uma mulher bem-sucedida...
– Tá dando o golpe do baú, né?

Se estiver saindo com uma menina feiosa...
– Só assim pra você ser o mais bonito do casal.

Se estiver de caso com uma deusa de parar o trânsito...
– Conheceu na rua ou pesquisou nos classificados?

A mais baixa será sempre uma anã-de-jardim, uma Adelaide, uma pintora de rodapé; já a mais alta não passará de uma girafa, de uma pirulona, de uma Maricota desengonçada. E por aí vai, sem limitação de sarcasmo, até que sua ex-namorada despeitada conheça outro cara (que as amigas aprovem, obviamente) e esqueça que você existe ou até que você abandone sua nova conquista e volte arrependido, fazendo juras de amor, reconhecendo que só ao lado dela consegue ser feliz. A tendência, em qualquer uma das situações – e em todas as que surgirem posteriormente –, é que a paz nunca mais esteja convosco, pois, como nós (homens) sabemos, cachorro mordido por cobra eternamente terá medo de linguiça.

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e "congelou" nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e vive com as orelhas vermelhas.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita críticas, sugestões e amuletos pelo e-mail: dogman@uol.com.br

Colunas 2009

13.01.09 / Pergunte ao Dogman: Novo Acordo Ortográfico
06.01.09 / Faculdades Mentais


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