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Sexta-feira
passada, depois de uma semana daquelas,
mais ou menos oito da noite, eu
já de pijama, ar-condicionado ligado
nos dezoito graus, apenas esperando
o entregador da pizzaria. Ela chega
da rua, elétrica, ofegante, e faz
a proposta indecente:
Amorzinho,
mais tarde vai ter churrasco do
pessoal do meu trabalho, lá na casa
da Dandara e do Rajinish, vamos?
Hummm... o casal de maconheiros?
Ah, eles só fumam no fim
da festa, aí a gente vem embora.
Sei...
Temos que levar cerveja.
Mas eu nem bebo, pô! Quem
mais vai?
Ah, vão os meus amigos do
Orkut...
Hummm... aqueles que você
nem conhece pessoalmente?
Pois é, vou conhecer hoje!
Aqueles meus primos, o Cecê e o
Beto Caroteno, também vão... e a
Maria do Socorro, aquela da Igreja
do Evangelho Disforme, também vai.
Hummm... não é essa que deu
pro seu ex-namorado?
Ah, são águas passadas, amorzinho,
agora eu tô com você... vamos?
Faz assim, benzinho: você
pega o nosso carro, vai lá, faz
um social, come, bebe e volta na
hora que você quiser, enquanto eu
fico aqui vendo o jogo amistoso
do meu time na Rede Vida, que tal?
Ah, se você não for eu não
vou.
Vai, sim... você se diverte
lá com as filhas da Baby Consuelo
e o Exército de Brancaleone que
eu me divirto aqui tomando Nescauzinho
com pizza e bolacha recheada.
Mas, amorzinho...
Por sorte,
toca a campainha. Levanto em busca
das minhas Havaianas e do dinheiro
para a encomenda. Pego a caixa sextavada
gigante e, antes de mesmo de eu
abri-la, ela faz cara de choro e
(agora bem menos entusiasmada) resmunga
baixinho:
Quais
são os sabores?
Meia calabresa, meia coração de
frango.
Você não pediu de rúcula
com tomate seco?
Hummm... não.
Ah, eu sabia que isso ia
acontecer um dia...
Isso o quê?
Você não me ama mais.
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