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  03.03.2009

 
Trinta Minutos


Estive em férias por esses dias. E a melhor sensação (na minha modesta opinião), sempre que ganho uma folguinha, é circular pela cidade em horário comercial, quando todo mundo está trabalhando e eu morcegando. Geralmente passo no Bob's, compro um milk-shake de 700ml e saio pelas ruas do Centro, principalmente as que deixei de frequentar depois que fui morar na praia, como se fosse um turista ou um sindicalista.

Na última sexta-feira parti da Praça XV em direção às Lojas Americanas pelo calçadão da Felipe Schmidt. Evitei a rua Conselheiro Mafra por causa do fedor de mijo, da feiura da mulherada e do piso irregular. Encontrei alguns conhecidos, olhei umas vitrines, fiz uma fezinha na Loteca e, a cada trinta metros, recebi um panfleto publicitário – que fui enfiando no bolso da bermuda, totalizando dez ou doze ao final da caminhada.

Há bem pouco tempo, menos de dois anos talvez, a propaganda informal por meio de folhetos, santinhos, homens-sanduíche, megafones, etc., variava, basicamente, entre o "compro ouro" e o "troco dólar". Agora não, mudou tudo. Fora um e outro vidente, agiota, amolador de facas ou cursinho pré-vestibular, o que mais se divulga são os serviços dessas raparigas de utilidade pública (sexualmente falando, se é que me entendem). Ou seja, Florianópolis está infestada de prostitutas. Foi a impressão que eu tive na minha condição de turista momentâneo. Em qualquer beco, em qualquer galeria escura, em qualquer escadaria da cidade é possível fornicar por módicos trinta reais. Praticamente um real por minuto de conjunção carnal, o que seria vantajoso para o Paulo Coelho, por exemplo, que gastaria apenas onze reais.

Mas já andei me certificando, digo, pedi para um amigo se certificar e apurei, digo, ele apurou que o preço é uma espécie de consumação mínima estabelecida pela Associação de Amigas e Moradoras de Casas de Tolerância (AMAZONA), portanto, sem nenhuma possibilidade de pechincha em relação à duração nem ao valor do programa.

A não ser que o cliente apareça com uma irrecusável proposta de cama, comida, vaga no próximo Big Brother e roupa lavada para tirar a meretriz dessa vida. Sendo assim, a negociação fica por conta da própria rameira, com direito a mandar a cafetina para a PQP quando ela bater na porta avisando que o tempo acabou. Além do complemento oral, claro.

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e "congelou" nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e nunca tem trinta reais no bolso.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita críticas, sugestões e fotos desinibidas pelo e-mail: dogman@uol.com.br

Colunas 2009

24.02.09 / O Bloco do Eu Sozinho
17.02.09 / Autobiografia Autorizada
10.02.09 / O Crime do Fluss Azul Ativo
03.02.09 / Coisas de Casal
27.01.09 / Solange (So Lonely)
20.01.09 / Autoajuda Antiofídica
13.01.09 / Pergunte ao Dogman: Novo Acordo Ortográfico
06.01.09 / Faculdades Mentais


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