|
Estive em
férias por esses dias. E a melhor
sensação (na minha modesta opinião),
sempre que ganho uma folguinha,
é circular pela cidade em horário
comercial, quando todo mundo está
trabalhando e eu morcegando. Geralmente
passo no Bob's, compro um milk-shake
de 700ml e saio pelas ruas do Centro,
principalmente as que deixei de
frequentar depois que fui morar
na praia, como se fosse um turista
ou um sindicalista.
Na última
sexta-feira parti da Praça XV em
direção às Lojas Americanas pelo
calçadão da Felipe Schmidt. Evitei
a rua Conselheiro Mafra por causa
do fedor de mijo, da feiura da mulherada
e do piso irregular. Encontrei alguns
conhecidos, olhei umas vitrines,
fiz uma fezinha na Loteca e, a cada
trinta metros, recebi um panfleto
publicitário que fui enfiando
no bolso da bermuda, totalizando
dez ou doze ao final da caminhada.
Há bem pouco
tempo, menos de dois anos talvez,
a propaganda informal por meio de
folhetos, santinhos, homens-sanduíche,
megafones, etc., variava, basicamente,
entre o "compro ouro" e o "troco
dólar". Agora não, mudou tudo. Fora
um e outro vidente, agiota, amolador
de facas ou cursinho pré-vestibular,
o que mais se divulga são os serviços
dessas raparigas de utilidade pública
(sexualmente falando, se é que me
entendem). Ou seja, Florianópolis
está infestada de prostitutas. Foi
a impressão que eu tive na minha
condição de turista momentâneo.
Em qualquer beco, em qualquer galeria
escura, em qualquer escadaria da
cidade é possível fornicar por módicos
trinta reais. Praticamente um real
por minuto de conjunção
carnal, o que seria vantajoso para
o Paulo Coelho, por exemplo, que
gastaria apenas onze reais.
Mas já andei
me certificando, digo, pedi para
um amigo se certificar e apurei,
digo, ele apurou que o preço é uma
espécie de consumação mínima estabelecida
pela Associação de Amigas e Moradoras
de Casas de Tolerância (AMAZONA),
portanto, sem nenhuma possibilidade
de pechincha em relação à
duração nem ao valor
do programa.
A não ser
que o cliente apareça com uma irrecusável
proposta de cama, comida, vaga no
próximo Big Brother
e roupa lavada para tirar a meretriz
dessa vida. Sendo assim, a negociação
fica por conta da própria rameira,
com direito a mandar a cafetina
para a PQP quando ela bater na porta
avisando que o tempo acabou. Além
do complemento oral,
claro.
|