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  24.03.2009

 
Do Abastecimento de Gás nos Condomínios


O Oscarzinho não saía lá de casa. Como o nosso apartamento ficava a caminho da escola e ele não tinha irmãos para brincar, dava sempre um jeito de chegar mais cedo, só para matar um tempinho antes de o sinal bater. E mesmo depois das aulas, nos dias em que havia Educação Física ou reunião do grêmio estudantil, aproveitava para filar um almoço e esticar a diversão até o fim da tarde. Bons tempos aqueles da 7ª série do Colégio Catarinense, na primeira metade dos anos oitenta.

Mamãe vivia de cabelos em pé quando o Oscarzinho estava por perto. Sem nenhuma habilidade para o futebol, por exemplo, toda vez que chutava uma bola nas nossas disputas de "gol a gol" no corredor, era batata que ele acertaria uma estatueta, um quadro, um porta-retrato ou um abajur. Por isso tínhamos sempre Superbonder à mão, para socorrê-lo nos momentos de tragédia anunciada.

Na cozinha também era um desastre. Até para preparar um simples lanche antes de estudar para alguma prova ele arranjava confusão. Nós nunca fomos capazes de explicar à minha mãe (a quem chamava carinhosamente de "tia") como o Oscarzinho conseguiu derrubar uma lata de Nescau dentro da jarra de suco de laranja. A cor ficou horrorosa, mas o gosto agradou aos mais exigentes paladares da nossa turma.

Daquela época, dentre todas as histórias que envolviam o Oscarzinho, a melhor continua sendo a do fornecedor de gás. É que não havia gás central no condomínio, então, uma vez por mês, o caminhão da companhia distribuidora estacionava na calçada e oferecia um botijão recarregado aos moradores interessados.

Certa vez a encomenda estava demorando a chegar, pois já fazia quinze minutos que o zelador avisara pelo interfone que o entregador estava subindo. Mamãe pediu ao Oscarzinho para abrir a porta e verificar o porquê do atraso. A poucos metros do nosso apartamento, perto do elevador, o moço uniformizado, suado e ofegante, largara o botijão e sentara-se sobre ele para descansar um pouco. O meu amigo não teve dúvidas, depois de olhar lá fora, botou de novo a cabeça para dentro e gritou na direção da cozinha:

– Peraí, tia... o homem ainda tá enchendo o bujão!

 

Alessandro Dogman cresceu, viveu e "congelou" nos anos 80.
É ex-músico, ex-atleta, ex-publicitário, ex-comungado e foi um adolescente comportado.
Ganha a vida escrevendo às terças-feiras no Guia Floripa.
Aceita críticas, sugestões e doações pelo e-mail: dogman@uol.com.br

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27.01.09 / Solange (So Lonely)
20.01.09 / Autoajuda Antiofídica
13.01.09 / Pergunte ao Dogman: Novo Acordo Ortográfico
06.01.09 / Faculdades Mentais


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