Córrego Grande - Entrada do Parque

Córrego Grande

O Córrego Grande está situado na região central da Ilha de Santa Catarina, entre os bairros Pantanal, Trindade, Santa Mônica e Itacorubi. Por conta do acelerado crescimento urbano a que foi submetida nas últimas décadas, a região mistura prédios, loteamentos voltados à população de classe média alta, pastos com criação de gado e uma significativa área verde.

A principal via do Córrego Grande se chama João Pio Duarte Silva e concentra boa parte do comércio local. Nela podemos encontrar diversos restaurantes, alguns bares, pequenos prédios comerciais, academias, campo de futebol, escolas particulares e também a Escola de Educação Básica Padre João Alfredo Rohr, cujo nome homenageia uma das figuras mais importantes da história do bairro e da arqueologia brasileira.

Destaca-se o Parque Ecológico do Córrego Grande, que ocupa 21 hectares de vegetação nativa e oferece uma série de atividades recreativas e educacionais para os seus visitantes. Escondido no meio da Mata Atlântica está o Poção, uma piscina natural protegida por lei e que permite poucas visitas por vez. Há também uma trilha que parte da subestação das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) e vai até o Canto da Lagoa.

Uma pequena parte do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) se localiza oficialmente no Córrego Grande, incluindo aí a prefeitura da universidade. O prédio em que funciona a prefeitura, aliás, costumava ser um presídio e chegou a receber suspeitos de envolvimento com o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

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História

O Córrego Grande tem esse nome por conta do rio que nasce na encosta dos morros do Pantanal, atravessa toda a região, liga-se ao Rio Três Pontes e, por fim, deságua na Baía Norte. A história do bairro está intimamente ligada aos seus vizinhos, uma vez que ele costumava pertencer à freguesia da Santíssima Trindade de Trás do Morro. Só posteriormente, com os planos diretores de Florianópolis, é que o Córrego assumiu a sua configuração atual.

Em meados do século XIX, por conta do crescimento demográfico das comunidades de origem açoriana que viviam junto ao mar, houve um movimento de deslocamento para o interior da Ilha de Santa Catarina. Foi quando surgiram as freguesias, formadas principalmente por chácaras cujas atividades eram a agricultura de subsistência e a criação de animais. Como o acesso ao centro da cidade era limitado, pequenos comércios locais também se formaram.

De início, o Córrego Grande era uma localidade muito pequena em termos territoriais e populacionais. Havia apenas uma estrada de chão batido que ligava toda a região, as casas eram feitas de estuque, a iluminação provinha de lamparinas à base de querosene e toda a água consumida vinha dos rios. Com o passar do tempo, surgiram os engenhos produtores de açúcar, melado e cachaça.

Por conta da ascendência açoriana, as relações sociais entre os moradores do bairro eram fortemente marcadas pelas festividades católicas. Os moradores mais antigos certamente lembram-se das celebrações do Corpus Christi, do Terno de Reis, das Juizadas e da Farra do Boi. Com a fixação de jesuítas na região, essas práticas foram intensificadas por muitas décadas.

No entanto, as sociabilidades não paravam por aí: rinhas de galo e apresentações do Boi de Mamão e do Pau de Fita aconteciam com certa frequência. Por vezes, também aconteciam bailes, as famosas “domingueiras”. Mais tarde, o futebol também se juntou ao conjunto de atividades praticadas pelos habitantes do Córrego e vários times foram criados, entre eles o Comercial, o Guarani e o Santa Cruz.

Ao longo da década de 1960, com a criação da Ufsc, o bairro passou por mudanças significativas e deixou seus trejeitos rurais em busca de uma identidade mais urbana. Na década de 1970, com a chegada da Eletrosul ao bairro do Pantanal, pessoas vindas de várias partes de Santa Catarina e do Brasil vieram trabalhar em Florianópolis e elegeram o Córrego Grande como o seu novo lar, dando início a um forte processo de especulação imobiliária.

Hoje, ao passearmos pelas ruas do Córrego Grande, podemos perceber uma grande quantidade de residências de alto-padrão, sendo que a maioria se encontra em loteamentos que têm menos de quarenta anos. Mas as consequências negativas desse rápido processo de urbanização também são visíveis: as áreas verdes perderam boa parte do seu espaço e alguns dos córregos que cortam o bairro já não passam de pequenos filetes de água.


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