Jurere Tradicional - Canto Direito - Gostosa

Jurerê Tradicional

Jurerê Tradicional é um bairro nobre de Florianópolis, localizado no norte da Ilha de Santa Catarina, a 22,4 km do Centro, entre os bairros de Canasvieiras e Jurerê Internacional.

Reduto dos moradores mais antigos da região, possui uma agradável infraestrutura urbana, com vias largas e pavimentadas, escolas, posto de saúde, centro comunitário e igrejas, além de uma ampla área residencial, que mescla casas com arquitetura humilde a prédios e residências de alto padrão.

O comércio é bastante variado, e em sua maior parte concentrado ao longo das principais vias do bairro: a Rodovia Jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho (SC-404), a Alameda César Nascimento e a Rua Jurerê Tradicional.

Nele, é possível encontrar quase tudo. Conta com uma grande unidade da rede de Supermercados Imperatriz e diversos mercadinhos que vendem hortifrutigranjeiros produzidos na região. Aos sábados, na esquina das ruas Jorge Cherem com a César Nascimento, tem até feira livre com produtos frescos direto do produtor. Ainda na SC-404, está o único posto de combustível do bairro, além de farmácias, padaria e comércio em geral. A rede de serviços também é bastante ampla, com salões de beleza, academias de ginástica, escola de mergulho, diversos consultórios e uma clínica médica.

Para os amantes do mar e dos esportes náuticos, Jurerê Tradicional possui uma das melhores raias para a prática de esportes à vela, com mar calmo, onde, quase sempre,  sopram ventos dos quadrantes norte e nordeste.

No canto direito da praia, há três boas marinas com poitas, tratores e reboques, além de garagens e pátios secos para a guarda de embarcações de vários tamanhos, trapiche, restaurante e estacionamento para veículos.

Todos os anos, no mês de maio, as ruas do bairro são tomadas pelos participantes do maior evento de triathlon da América Latina, o Ironman. Diariamente, nas manhãs e tardes que antecedem o evento, é frequente cruzar com ciclistas e corredores do mundo todo, treinando nas ruas do bairro.

Há movimento em Jurerê o ano todo. Na esquina da Maurício Sirotsky Sobrinho com a César Nascimento, existe um conjunto de pequenos bares e restaurantes, apelidado pelos moradores de Baixo Jurerê, onde concentra a badalação.

Para os que curtem música eletrônica, em junho, durante um fim de semana, Jurerê Tradicional é o point de uma das melhores festas do país, a Winter Play, embalada ao som dos melhores DJs nacionais e internacionais.

Mas é no verão que as casas noturnas e restaurantes de Jurerê Tradicional promovem eventos de grande porte, trazendo DJs renomados e grandes shows com artistas nacionais e internacionais, com muita champanhe, gente bonita e várias celebridades.

A Praia de Jurerê Tradicional é uma praia comprida, com aproximadamente 3,5 km de extensão. Suas águas calmas são muito procuradas por famílias com crianças pequenas e idosos. A faixa de areia varia conforme a época do ano, com maior largura no lado de Jurerê Internacional. Inclusive, é nesta parte da praia que encontram-se algumas áreas para a prática de esportes.

Em toda orla existem bares e restaurantes, que servem petiscos e bebidas na areia. Para os que procuram uma comida mais elaborada, Jurerê Tradicional tem excelentes restaurantes de culinária regional com base em frutos do mar, como o Toca da Garopa e o Zéperri, ou de gastronomia variada, indo de comida japonesa a carnes.

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História

O nome de Jurerê Tradicional remete ao passado. “Jurerê” supostamente vem de “Y-Jurerê Mirim”, que em tupi-guarani significaria “pequena boca d’água”. Essa “pequena boca” é o pedacinho de mar que separa a Ilha e o Continente, hoje conectado pelas pontes. Já o “Tradicional” vem do fato de que é essa a porção de Jurerê a preservar as antigas características culturais da região.

No entanto, essa denominação é recente e está relacionada ao desenvolvimento urbano de Jurerê. Alguns dos moradores mais antigos do bairro ainda referem-se a ele como “Caldeirão”, nome que aparentemente não tem qualquer motivação específica. Já os manezinhos de outras localidades costumavam chamá-lo apenas de Praia do Forte, devido à presença do Forte de São José da Ponta Grossa.

Os registros mais antigos a respeito da história da região existem justamente por conta do sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina. Era através da área que hoje corresponde a Jurerê que passava a estrada que ligava a fortificação até a vila de Canasvieiras. Em uma planta datada do fim do século XVIII, inclusive, a praia que banha o bairro aparecia com o nome de São Francisco de Paula.

As poucas famílias que passaram a viver em Jurerê tinham o mar como a sua principal fonte de renda, mas também praticavam a agricultura. Havia uma grande quantidade de terras de uso comum, onde os moradores podiam criar algumas cabeças de gado, estabelecer engenhos ou retirar lenha para uso doméstico e madeira para a construção de casas e pequenas embarcações.

Em termos culturais, predominavam as brincadeiras com o boi: acontecia o Boi de Pano, a Farra do Boi e o Boi de Mamão.  Havia também a dança do Pau de Fita e celebrações como o Terno de Reis e a Festa do Divino Espírito Santo. Ao fim das temporadas de pesca e das colheitas eram promovidos bailes, sendo que alguns moradores também promoviam bailes em suas casas.

A construção da Ponte Hercílio Luz, no início do século XX, foi um marco para o desenvolvimento da cidade. No entanto, para que a obra pudesse sair do papel, foi necessária a desapropriação dos terrenos ao redor da cabeceira insular. Como forma de compensação, o governo ofereceu ao proprietário delas, o senhor Antônio Amaro, boa parte das terras comunais utilizadas pelos moradores de Jurerê.

Amaro aceitou a proposta, mas nunca recebeu a escritura definitiva de suas novas propriedades. Ainda assim, demarcou e cercou os terrenos, construiu engenhos de farinha e permitiu que os moradores continuassem a desenvolver suas atividades de subsistência na área. Com o passar do tempo, essas pessoas começaram a se referir aos terrenos como “Campos de Antônio Amaro”.

Com a morte do proprietário, sua viúva teve de entrar na justiça para comprovar a posse das terras. Para tanto, contratou o advogado Osvaldo Bulcão Viana. O impasse só teve desfecho no ano de 1935, quando Aderbal Ramos da Silva, famoso político local, conseguiu comprar as propriedades. Nessa época, Aderbal Ramos - que viria a se tornar governador de Santa Catarina – era diretor da recém-criada Imobiliária Jurerê.

O principal empreendimento da imobiliária era um loteamento com o mesmo nome, Jurerê. No entanto, a influência do político era tamanha que mesmo as áreas vizinhas passaram por transformações: no espaço que hoje corresponde a Jurerê Tradicional foi construído o condomínio Praia do Forte. Também foi para ali que muitos dos antigos habitantes dos Campos de Antônio Amaro se mudaram durante o processo de criação do loteamento Jurerê.

No ano de 1978, o Grupo Habitasul adquiriu as terras da imobiliária Jurerê. Dois anos mais tarde, a empresa entregou sua primeira construção, o Jurerê Praia Hotel, que viria a representar o limite físico entre Jurerê Tradicional e Jurerê Internacional. Com a entrega do loteamento Jurerê Internacional, essa porção do balneário passou por um desenvolvimento acelerado e a região vizinha, Jurerê Tradicional, sentiu seus reflexos.


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