Saco dos Limões - Via Expressa

Saco dos Limões

Pode-se dizer que o Saco dos Limões encontra-se em uma posição privilegiada dentro de Florianópolis, pois fica, basicamente, entre o centro da cidade e o campus da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). Essa posição poderia fazer qualquer um pensar em uma região movimentada, mas o Saco dos Limões destaca-se por seu aspecto residencial.

A principal rua a atravessar o bairro leva o nome de um de seus moradores mais engajados, João Motta Espezim, e é ao longo dela que se situa boa parte das residências, algum comércio, um supermercado, a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem e a Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, fundada pelo então presidente da república.

O Saco dos Limões é o lar da Consulado do Samba, uma das cinco agremiações da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis. Fundada em 1986, a vermelho e branco possui vários títulos do carnaval de Floripa e desenvolve uma série de projetos para a integração da comunidade. Crianças e jovens têm a possibilidade de participar de oficinas de artes plásticas, praticar esportes e fazer aulas de música ou de dança, por exemplo.

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Outros espaços dedicados à integração dos moradores do bairro são a praça Abdon Batista, que conta com playground e uma academia a céu aberto; o Centro Social Urbano, que oferece cursos, palestras e atividades recreativas; e o ginásio Capitão Waldir Schmidt, que promove festas, bingos e aulas de tênis de mesa.

A tranquilidade do Saco dos Limões contrasta com a agitação do estabelecimento mais importante da região: o Armazem Vieira, um dos bares mais antigos da cidade. Ele está instalado em uma construção da década de 1840, que costumava servir de entreposto para as embarcações que aportavam na Ilha. Ali eram comercializados diversos produtos, inclusive a cachaça que hoje é a maior especialidade do bar.

 

 

História

O Saco dos Limões tem esse nome por conta de sua configuração geográfica e também por uma de suas características mais marcantes. São chamados de “saco” os recortes da linha costeira que dão origem às pequenas baías. Já os tais limões chamavam a atenção dos tripulantes das embarcações que eventualmente passavam pela Ilha de Santa Catarina, uma vez que o suco do limão ajudava no combate ao escorbuto.

A ocupação da região remonta ao fim do século XVIII e, já nessa época, teve início o cultivo dos famosos limões, de laranjas e também de café. Contudo, boa parte dessa produção era voltada à subsistência. Somente ao longo do século seguinte é que o Saco dos Limões encontraria suas principais vocações em termos econômicos: a pesca (especialmente do camarão), a extração do berbigão, a criação de gado leiteiro e a produção de cal.

Por muito tempo, o Saco dos Limões pôde ser descrito como um bairro rural, já que era composto por pequenas casas e grandes chácaras. Inclusive, algumas dessas chácaras eram as residências de verão de membros da elite da cidade. Segundo Virgílio Várzea, as relações familiares eram bastante significativas e os moradores do bairro tinham um gosto especial pelos bailes e pelos festejos tradicionais da cidade.

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A partir da década de 1930, a região começou a passar por mudanças significativas. Com a eleição de Nereu Ramos para o governo do Estado, em 1932, o Saco dos Limões finalmente conheceu o progresso. Emergiram diversas lideranças comunitárias no bairro, que levaram os anseios da comunidade para as autoridades e acabaram conquistando uma série de benfeitorias, como linhas de ônibus, escolas e reformas urbanas.

No ano de 1939, em visita a Florianópolis para a inauguração da escola que leva o seu nome, o presidente Getúlio Vargas anunciou a construção de um conjunto habitacional no Saco dos Limões. O empreendimento contava com cem residências térreas, construídas duas a duas e erguidas em duas ruas paralelas, formando um pequeno agrupamento de casas na entrada do bairro. Este conjunto foi entregue à população em 1944. Por conta do público-alvo inicial – os operários segurados do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI) -, o conjunto habitacional passou a ser conhecido como Vila Operária.

Desde então, o bairro se configura predominantemente como residencial e urbano. Em função dessas características, o trânsito da capital foi desviado do Saco dos Limões por várias décadas, o que ocasionou, por exemplo, o aterro de uma parte da Baía Sul. No entanto, ao longo da década de 1990, foi construído o túnel Antonieta de Barros, que hoje liga o centro da cidade aos bairros do sul da Ilha.


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