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Meia-noite e meia do horário velho,
1h30 no novo horário de verão, e lá
estavam eles, o tão esperado e pontual
Black Eyed Peas. Para quem enfrentava
o congestionamento habitual dos grandes
shows em Floripa, ouvir as primeiras
músicas e sucessos como London Brigde,
da vocalista Fergie, só mesmo baixando
o vidro do carro e torcendo para que
o vento "virasse" a seu favor. Os cambistas
que passavam entre os carros avisavam
que "não tinha mais vaga no estacionamento"
e o jeito era deixar o carro ao longo
da estrada e correr para não perder
mais nenhum minuto do show.
"São Paulo, Rio de Janeiro, Floripa"
gritavam os músicos. As famosas camisas
da seleção brasileira e os comentários
sobre o nosso futebol, que segundo eles
é "um dos melhores do mundo", não deixavam
o público esquecer: aquele era o show
de uma banda "gringa". A mistura Brasil
+ Black Eyed Peas mereceu ainda uma
versão de Mas que Nada,
música de Jorge Ben. Vale aí um pedaço
do refrão: "Oaria raio, Oba Oba Oba,
Oaria raio, Oba Oba Oba / Mais que nada,
Black Eyed Peas came in to make it
hotter*.
Para o público que enfrentava a chuva,
a banda realmente chegou para deixar
o lugar mais quente. Era o momento em
que a galera gritava e pulava para ver
de pertinho os músicos e o grupo que
só está acostumada a ver na TV, entre
os mais pops do momento. Se existia
a dúvida de que Fergie realmente dançava
e que eles mandam muito, isso deixou
de existir. Os solos da bateria de John
Tempesta surpreenderam o público e o
show dos músicos que fizeram um "sonzaço"
com duas mesas de madeira não me deixam
mentir.
Se existiram os famosos playbacks,
ferramenta muito usada por bandas "gringas",
isso já não sei dizer. O show de quase
uma hora e meia de duração deu a impressão
de que foi muito curto. É lógico que
todo mundo vai querer sempre um pouco
mais e insistir para que a banda volte
ao palco e toque mais um pouco. Só que
isso não teve, logo após o abraço dos
músicos no palco em agradecimento, as
luzes se acenderam e pronto. O show
tinha acabado.
O leitor pode estar se perguntando:
um show dessa magnitude não renderia
uma boa foto? Claro que sim. Até tentamos.
Mas pelas regras da banda, estávamos
autorizados a tirar fotos apenas nas
três primeiras músicas do show - só
esqueceram de nos avisar antes. As fotos
que tiramos foram apagadas da máquina
fotográfica quando o segurança oficial
da banda nos fez excluir todas na sua
frente e tirou as nossas credenciais
de imprensa. Além disso, sua intenção
era nos pôr para fora do lugar. Mas,
sempre com o "jeitinho brasileiro",
ficamos. A organização do show falhou.
Não só com a imprensa, mas com os clientes
que na compra antecipada pagaram R$
80,00 pelo ingresso e viram dois dias
antes do evento os mesmos ingressos
à venda por R$ 60,00.
Pós-show: a galera invade o já conhecido
espaço do El Divino para dançar as músicas
eletrônicas e aproveitar para se secar
depois daquela chuva.
* Black Eyed Peas veio para deixar
tudo mais quente.
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