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Carlos Althier de Souza Lemos Escobar,
Guinga, nasceu em Madureira, foi criado
no subúrbio do Rio de Janeiro e hoje
mora no Leblon, zona sul da "Cidade
Maravilhosa". Talvez por isso sua
música passeie com a mesma graça que
as famosas curvas do calçadão de Copacabana.
Considerado pelos críticos como o maior
músico pós-jobiniano (numa referência
à música do maestro e compositor
Antônio Carlos Jobim), esse violonista
tímido, de jeito simples e humilde,
transforma-se num músico genial no palco.

Guinga nasceu em 10 de junho de 1950
e aprendeu a tocar violão intuitivamente
aos 13 anos de idade, mas escolheu na
juventude o ofício de dentista. Mal
sabia ele que seu talento para compor
e tocar o levaria a vivenciar outras
histórias. O músico já trabalhou com
Cartola, Clara Nunes, Beth Carvalho,
Alaíde Costa e João Nogueira. Teve várias
de suas músicas gravadas por nomes importantes
como Elis Regina, Ivan Lins, Leila Pinheiro
e outros.
Respeitado e admirado por músicos e
críticos, Guinga é considerado por Chico
Buarque como um "formador de opinião
musical". Para entender melhor o que
Chico e outros grandes da música brasileira
pensam sobre Guinga só ouvindo o próprio
tocar ao vivo. Sexta-feira, teatro lotado.
Quem conseguiu comprar ingresso para
assistir ao violonista carioca pôde
presenciar algo que vai ao encontro
do real sentido da música: terras longínquas
e asas para voar.
Acompanhado por outros dois músicos
geniais - o violonista Marcus Tardelli
e o trompetista Jessé Sadok -, Guinga
parecia enaltecê-los e tentou ficar
em segundo plano, mas não conseguiu.
Seu arranjo ora erudito, ora popular
aliava-se ao talento dos outros dois
músicos, que o acompanhavam sem qualquer
partitura.
O tempo passa com outra velocidade
no show do músico carioca. A velocidade
de um tempo espaçado para se ouvir grandes
detalhes na simplicidade e complexidade
das composições escolhidas para compor
o repertório do violonista. Depois de
assistir a um show do Guinga é possível
confirmar a opinião de Hermeto Pascoal,
outro
instrumentista brasileiro de peso: "Caras
como o Guinga só aparecem a cada cem
anos e temos que aproveitar isso".
Para encerrar a apresentação, Guinga
atendeu a pedidos da platéia e interpretou
a belíssima canção Senhorinha.
Um verdadeiro show de MPB, jazz e baião.
Essa é a música de Guinga.
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