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Denorex 80 no John Bull Pub... parece, mas não é!
23/11/2007
 

Sabe aquelas noites em que nada se encaixa? Pois aconteceu comigo no feriado do dia 15 de novembro. Fui pela primeira vez ao John Bull Pub, na Lagoa da Conceição, pra ver uma banda chamada Denorex 80, que, aparentemente, faz o maior sucesso no Paraná tocando covers da década mágica.

Lugar legal (não tanto quanto o Donovan Irish Pub, no Centro), confortável, bem decorado e tal, porém, os garçons e os seguranças não são lá as pessoas mais simpáticas do mundo. Quase meia-noite, casa lotada, com predominância das meninas que passam de mão em mão e dos marmanjos com cara de Wando (sim, aquele que faz coleção de calcinhas) que se acham irresistíveis. A grande maioria era tão criança nos anos oitenta que nem fazia idéia de que Denorex era o nome de um famoso xampu anticaspa.

Na madrugada do dia 16 a banda, finalmente, subiu ao palco. Muito animados, o bom baixista Jorge Falcon e o bom baterista Zé Loureiro Neto, os absolutamente comuns guitarrista e tecladista (Gilson Fukushima e Sérgio Justen), e os quatro vocalistas (Alexandre Nero, Jana Mundana, Maurício Vogue e Rosana Stavis) muito ruins, daqueles que nem se preocupam em tentar imitar as vozes originais ou em decorar as letras das canções, abriram a noite com um interessante medley que trazia desde a música tema do Rock in Rio de 1985 até Dr. Silvana (, ), Nenhum de Nós (Camila, Camila) e Herva Doce (Amante Profissional).

Logo em seguida a cantora moreninha (a outra era loira) botou, desnecessariamente, os peitos de fora para cantar Like a Virgin, da Madonna. Na hora de Sexo, do Ultraje à Rigor, surgiu uma boneca inflável para incrementar a coreografia. E as novidades pararam por aí. A insistência do grupo em tocar várias músicas das mesmas bandas e artistas (Kid Abelha, Ultraje, Lobão e, sobretudo, Barão Vermelho) foi deixando o show modorrento.

Claro que houve boas surpresas, como Homem Primata (Titãs), Você não soube me amar (Blitz), Adelaide e Uma Barata Chamada Kafka (Inimigos do Rei), com direito a roupa de inseto e tudo mais. Axl Rose também deu as caras e até que ficou engraçado(a). Mas também houve momentos de infelicidade, como o tema de Tropa de Elite e meia dúzia de funks cariocas que, inacreditavelmente, o povo do bar sabia cantar as letras. Chamar um casal da platéia ao palco para transar com um "Ursinho Blau-Blau" de pelúcia também não foi nada refinado. E Boys Don't Cry, do The Cure, com voz feminina, foi uma das piores coisas que já ouvi na vida.

O problema é que, geralmente, quem se mete a relembrar os anos oitenta o faz em tom de deboche, tanto que escolhe as piores canções e não as melhores. Aí vira circo! E talvez seja essa a intenção, o que explicaria a falta de uma Plebe Rude, um Finis Africae, um Heróis da Resistência, um Ira!, um Biquini Cavadão, um TNT ou (até mesmo) um João Penca e seus Miquinhos Amestrados no set list. Como o público não é nada exigente, acaba ficando por isso mesmo: pouca qualidade musical, andamentos acelerados demais e muita diversão pra quem já encheu a cara e dançaria com qualquer ritmo ou repertório.

Só sei que os meus vinte reais foram mal empregados. Poxa, minha gente amiga, se é pra trazer uma banda ruim de Curitiba, então que paguem o cachê pra uma banda ruim daqui mesmo, pois isso nós temos de sobra. Então, sem constrangimento, saí antes, bem antes do fim do show, durante Should I Stay Or Should I Go (The Clash), quando um ou outro beberrão solitário já começava a subir nas cadeiras pra pedir Raul Seixas. No caminho entre o palco e a porta da rua, por precaução, mantive a bunda encostada na parede, se é que alguém me entende.

 


Alessandro Dogman
dogman@uol.com.br
Blog: dogman.zip.net 

 

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