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Sabe
aquelas noites em que nada se encaixa?
Pois aconteceu comigo no feriado do
dia 15 de novembro. Fui pela primeira
vez ao John Bull Pub, na Lagoa da Conceição,
pra ver uma banda chamada Denorex
80, que, aparentemente, faz o maior
sucesso no Paraná tocando covers
da década mágica.
Lugar
legal (não tanto quanto o Donovan
Irish Pub, no Centro),
confortável, bem decorado e tal, porém,
os garçons e os seguranças não são lá
as pessoas mais simpáticas do mundo.
Quase meia-noite, casa lotada, com predominância
das meninas que passam de mão em mão
e dos marmanjos com cara de Wando
(sim, aquele que faz coleção de calcinhas)
que se acham irresistíveis. A grande
maioria era tão criança nos anos oitenta
que nem fazia idéia de que Denorex
era o nome de um famoso xampu anticaspa.
Na
madrugada do dia 16 a banda, finalmente,
subiu ao palco. Muito animados,
o bom baixista Jorge Falcon
e o bom baterista Zé Loureiro Neto,
os absolutamente comuns guitarrista
e tecladista (Gilson Fukushima e Sérgio
Justen), e os quatro vocalistas
(Alexandre Nero, Jana Mundana,
Maurício Vogue e Rosana Stavis)
muito ruins, daqueles que nem se preocupam
em tentar imitar as vozes originais
ou em decorar as letras das canções,
abriram a noite com um interessante
medley que trazia desde a música
tema do Rock in Rio de 1985 até Dr.
Silvana (Eô,
eô), Nenhum de Nós
(Camila, Camila) e Herva
Doce (Amante Profissional).
Logo
em seguida a cantora moreninha (a outra
era loira) botou, desnecessariamente,
os peitos de fora para cantar Like
a Virgin, da Madonna.
Na hora de Sexo, do Ultraje à
Rigor, surgiu uma boneca inflável para
incrementar a coreografia. E as novidades
pararam por aí. A insistência
do grupo em tocar várias músicas
das mesmas bandas e artistas (Kid
Abelha, Ultraje, Lobão e, sobretudo,
Barão Vermelho) foi deixando o show
modorrento.
Claro
que houve boas surpresas, como Homem
Primata (Titãs), Você não soube
me amar (Blitz), Adelaide
e Uma Barata Chamada Kafka (Inimigos
do Rei), com direito a roupa de inseto
e tudo mais. Axl Rose também
deu as caras e até que ficou engraçado(a).
Mas também houve momentos de infelicidade,
como o tema de Tropa de Elite
e meia dúzia de funks cariocas
que, inacreditavelmente, o povo do bar
sabia cantar as letras. Chamar um casal
da platéia ao palco para transar com
um "Ursinho Blau-Blau"
de pelúcia também não foi nada refinado.
E Boys Don't Cry,
do The Cure, com voz feminina,
foi uma das piores coisas que já ouvi
na vida.
O
problema é que, geralmente, quem se
mete a relembrar os anos oitenta o faz
em tom de deboche, tanto que escolhe
as piores canções e não as melhores.
Aí vira circo! E talvez seja essa a
intenção, o que explicaria a falta de
uma Plebe Rude, um Finis
Africae, um Heróis da Resistência,
um Ira!, um
Biquini Cavadão,
um TNT ou (até mesmo) um João Penca
e seus Miquinhos Amestrados
no set list. Como
o público não é nada exigente, acaba
ficando por isso mesmo: pouca qualidade
musical, andamentos acelerados demais
e muita diversão pra quem já encheu
a cara e dançaria com qualquer ritmo
ou repertório.
Só
sei que os meus vinte reais foram mal
empregados. Poxa, minha
gente amiga, se é pra trazer uma banda
ruim de Curitiba, então que paguem o
cachê pra uma banda ruim daqui mesmo,
pois isso nós temos de sobra. Então,
sem constrangimento, saí antes, bem
antes do fim do show, durante Should
I Stay Or
Should I Go (The
Clash), quando um ou outro
beberrão solitário já começava a subir
nas cadeiras pra pedir Raul Seixas.
No caminho entre o palco e a porta da
rua, por precaução, mantive a bunda
encostada na parede, se é que alguém
me entende.
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