O show da cantora Ivete
Sangalo marcou a abertura do Folianópolis
2007 e trouxe o clima do estado nordestino
para o frio do inverno catarinense.
O
frio da madrugada da última sexta-feira,
dia 20, só foi sentido pela multidão
que estava na danceteria New Time, em
Santo Amaro da Imperatriz, quando a
baiana Ivete Sangalo deixou o palco,
depois de cerca de duas horas aquecendo
corpos e corações das 15 mil pessoas
presentes, segundo a assessoria do evento.
A cantora trouxe pela primeira vez à
Grande Florianópolis o show do DVD gravado
no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Saí de casa e, como toda
boa mãe, a minha perguntou: vai só com
essa jaqueta? Eu estava de jeans e disse
que estava indo ver a Ivete Sangalo,
ou seja, muito calor e suor na certa,
e como toda boa filha não dei bola pro
conselho. Chegamos cedo à New Time,
por volta das 21h40. Na área vip, para
onde ganhamos as cobiçadas pulseirinhas,
a festa já rolava com o som da banda
Iluminatti, que variava os ritmos tocando
desde axé, a grande vedete da noite,
até rock nacional e internacional, com
direito a Beatles.
Enquanto Ivete não subia
ao palco, nos contentamos com as atrações
do open bar. Fiquei na cerveja,
como de hábito. Mas se a intenção de
alguma das mulheres do camarote era
encher o caneco com a loirinha gelada,
os planos tiveram que ser mudados: além
da fila para pegar bebida em um dos
dois únicos bares, a espera para ir
ao banheiro (ritual absolutamente necessário
para os adeptos do derivado do lúpulo)
era grande e... agoniante, pelo menos
no lado feminino.

Entre espera para pegar
bebida, para ir ao banheiro e até para
conseguir caminhar, nada foi mais esperado
do que o início do show principal, a
princípio marcado para meia-noite e
meia. Finalmente, por volta de 1h40
a baiana entrou no palco com o vozeirão
- e as pernas - característicos.
Junto com o show, começou
também o empurra-empurra para chegar
perto do palco. Conseguimos ficar no
caminho que levava à área vip, uma espécie
de corredor entre o palco e a grade
que separava a pista. Fui sendo levada
pela massa que ia e vinha, algumas vezes
pensei que seria prensada entre dois
corpos e chegou a me faltar o ar, mas
quando consegui um espaço onde era possível
ficar em pé sem ser escorada por outros,
estava bem no meio do palco. Entre seguranças,
fotógrafos e "tietes da Ivete" (aqueles
que vão para a pista, mas ficam coladinhos
à grade da frente e já deviam estar
lá desde que os portões abriram) assisti
ao verdadeiro desfile de hits que a
baiana apresentava. Tive vontade de
dançar. Só vontade, pois os apertos
- de espaço e das botas que estava calçando
- não me permitiram.
Quem
vai a um show de Ivete e vê a presença
de palco que essa mulher tem, compreende
porque ela é tão querida e arrasta tantas
pessoas a seus shows. Além de conversar
o tempo todo com o público e não ficar
só naquele papinho clichê do tipo "essa
é a platéia mais linda do Brasil" e
outros blá-blá-blás, a disposição e
o sorriso não desaparecem do semblante
da cantora nem por um minuto.
Mas como nem tudo depende
da boa intenção de Ivete, tem sempre
alguém querendo estragar a festa. Não
sei quanto à pista, mas pelo menos em
dois momentos vi trogloditas (aqueles
homens que ficaram no meio da linha
evolutiva e esqueceram de virar sapiens)
da "hot area" querendo provar
sua masculinidade. Em um dos momentos,
a própria cantora parou o show e pediu
para que os marmanjos se soltassem.
- Ei, vocês aí. De camiseta verde e
azul. Gente, vocês não acham que a gente
já teve má notícia demais nessa semana?
- disse a cantora, se referindo ao acidente
com o avião da TAM e à morte do senador
Antônio Carlos Magalhães que, digamos,
tenha sido uma má notícia para os baianos.
O público apoiou o discurso com um caloroso
coro "Ivete, Ivete...".
No
fim do show, com os pés em frangalhos,
morta de frio e já sentada em um banquinho
improvisado na estrutura que sustentava
o telão na parte externa, vi o bis enquanto
chegava a algumas conclusões: a área
vip não compensa (a não ser pelo open
bar); da próxima vez vou de tênis; mães
nunca erram na previsão do tempo e,
a top top da noite, Ivete é mais que
uma cantora, é uma verdadeira massa
de ar quente, pois até aquele momento
eu não tinha percebido o frio de cortar
que fazia na madrugada.
P.S: Faltou bom senso
para a casa ao não liberar a saída dos
carros pelos portões dos fundos do estacionamento.
A fila, apenas para conseguir tirar
os automóveis de dentro do local, causou
um baita congestionamento e fez com
que as pessoas demorassem até mais de
uma hora para conseguir alcançar a rua.
|