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COLUNA GUIA FLORIPA
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O calor da Bahia

25/07/2007

 

O show da cantora Ivete Sangalo marcou a abertura do Folianópolis 2007 e trouxe o clima do estado nordestino para o frio do inverno catarinense.

 

O frio da madrugada da última sexta-feira, dia 20, só foi sentido pela multidão que estava na danceteria New Time, em Santo Amaro da Imperatriz, quando a baiana Ivete Sangalo deixou o palco, depois de cerca de duas horas aquecendo corpos e corações das 15 mil pessoas presentes, segundo a assessoria do evento. A cantora trouxe pela primeira vez à Grande Florianópolis o show do DVD gravado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Saí de casa e, como toda boa mãe, a minha perguntou: vai só com essa jaqueta? Eu estava de jeans e disse que estava indo ver a Ivete Sangalo, ou seja, muito calor e suor na certa, e como toda boa filha não dei bola pro conselho. Chegamos cedo à New Time, por volta das 21h40. Na área vip, para onde ganhamos as cobiçadas pulseirinhas, a festa já rolava com o som da banda Iluminatti, que variava os ritmos tocando desde axé, a grande vedete da noite, até rock nacional e internacional, com direito a Beatles.

Enquanto Ivete não subia ao palco, nos contentamos com as atrações do open bar. Fiquei na cerveja, como de hábito. Mas se a intenção de alguma das mulheres do camarote era encher o caneco com a loirinha gelada, os planos tiveram que ser mudados: além da fila para pegar bebida em um dos dois únicos bares, a espera para ir ao banheiro (ritual absolutamente necessário para os adeptos do derivado do lúpulo) era grande e... agoniante, pelo menos no lado feminino.

Entre espera para pegar bebida, para ir ao banheiro e até para conseguir caminhar, nada foi mais esperado do que o início do show principal, a princípio marcado para meia-noite e meia. Finalmente, por volta de 1h40 a baiana entrou no palco com o vozeirão - e as pernas - característicos.

Junto com o show, começou também o empurra-empurra para chegar perto do palco. Conseguimos ficar no caminho que levava à área vip, uma espécie de corredor entre o palco e a grade que separava a pista. Fui sendo levada pela massa que ia e vinha, algumas vezes pensei que seria prensada entre dois corpos e chegou a me faltar o ar, mas quando consegui um espaço onde era possível ficar em pé sem ser escorada por outros, estava bem no meio do palco. Entre seguranças, fotógrafos e "tietes da Ivete" (aqueles que vão para a pista, mas ficam coladinhos à grade da frente e já deviam estar lá desde que os portões abriram) assisti ao verdadeiro desfile de hits que a baiana apresentava. Tive vontade de dançar. Só vontade, pois os apertos - de espaço e das botas que estava calçando - não me permitiram.

Quem vai a um show de Ivete e vê a presença de palco que essa mulher tem, compreende porque ela é tão querida e arrasta tantas pessoas a seus shows. Além de conversar o tempo todo com o público e não ficar só naquele papinho clichê do tipo "essa é a platéia mais linda do Brasil" e outros blá-blá-blás, a disposição e o sorriso não desaparecem do semblante da cantora nem por um minuto.

Mas como nem tudo depende da boa intenção de Ivete, tem sempre alguém querendo estragar a festa. Não sei quanto à pista, mas pelo menos em dois momentos vi trogloditas (aqueles homens que ficaram no meio da linha evolutiva e esqueceram de virar sapiens) da "hot area" querendo provar sua masculinidade. Em um dos momentos, a própria cantora parou o show e pediu para que os marmanjos se soltassem. - Ei, vocês aí. De camiseta verde e azul. Gente, vocês não acham que a gente já teve má notícia demais nessa semana? - disse a cantora, se referindo ao acidente com o avião da TAM e à morte do senador Antônio Carlos Magalhães que, digamos, tenha sido uma má notícia para os baianos. O público apoiou o discurso com um caloroso coro "Ivete, Ivete...".

No fim do show, com os pés em frangalhos, morta de frio e já sentada em um banquinho improvisado na estrutura que sustentava o telão na parte externa, vi o bis enquanto chegava a algumas conclusões: a área vip não compensa (a não ser pelo open bar); da próxima vez vou de tênis; mães nunca erram na previsão do tempo e, a top top da noite, Ivete é mais que uma cantora, é uma verdadeira massa de ar quente, pois até aquele momento eu não tinha percebido o frio de cortar que fazia na madrugada.

P.S: Faltou bom senso para a casa ao não liberar a saída dos carros pelos portões dos fundos do estacionamento. A fila, apenas para conseguir tirar os automóveis de dentro do local, causou um baita congestionamento e fez com que as pessoas demorassem até mais de uma hora para conseguir alcançar a rua.


 Fernanda Peres
redacao@guiafloripa.com.br
Texto e Fotos

 

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