|
Ritmos, palavras e pessoas - em
seu show, Lenine mistura todos.

O Floripa Music Hall talvez nunca tenha
estado tão heterogêneo como nessa última
quarta, 14. As estéticas variavam entre
dreads longos e cabelos alisados
com chapinha, sapatos de salto e sandálias
de couro, vestidos elegantes e saias
psicodélicas. Nas famílias sentadas
nas mesas em frente ao palco, no sincretismo
de tribos urbanas da multidão na pista,
na comodidade da área VIP e do camarote,
o sentimento de admiração era unânime.
Não é à toa. O público do show do Lenine
reflete exatamente o que esse genial
compositor pernambucano faz com a música:
mistura. Foi o seu experimentalismo
com os ritmos brasileiros, embasado
na sua raiz nordestina, que o transformou
na figura que é: um grande expoente
da música brasileira contemporânea.
O show, que vem logo após a gravação
de seu Acústico MTV, trouxe principalmente
músicas de seus dois últimos discos:
Falange Canibal (2001), e Na
Pressão (1999), incluindo os sucessos
Ecos do Ão e O Homem dos Olhos
de Raio X e JackSoul Brasileiro,
além de clássicos mais antigos como
A Ponte, Dois Olhos Negros
- do álbum O Dia Em que Faremos Contato
(1997).
Ao supostamente encerrar o show com
uma versão ao vivo fantástica de Alzira
e a Torre - com direito a versos
do clássico Ouro de Tolo, de
Raul Seixas, e até uma analogia ao vídeo
popularizado pelo YouTube do Jeremias
(aquele
que tava "bebendo no inferno") -
o público tanto pediu que Lenine voltou
e tocou mais três, encerrando com a
sublime e lírica Paciência, grande
mola propulsora de seu sucesso.
|