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A mulher que assiste ao espetáculo
não sai de lá com a mesma visão de sua
"vagiiina"!
Confesso que estava um pouco ansiosa
e até curiosa... Afinal, o que pensar
de uma peça com o nome tão íntimo,
que fala diretamente de uma parte tão
"intrínseca" e ainda dirigida
e adaptada por nada mais que Miguel
Falabella?
Pois
é. O que havia pensado se concretizou,
a peça é espetacular, uma direção de
palco perfeita, as grandes atrizes (F'afy
Siqueira, Vera Setta e Elizângela) afiadíssimas,
o cenário e as falas não têm nem
comentários.
A comédia baseia-se no depoimento de
várias mulheres do mundo todo, que falam
de maneira bem divertida, sem travas
na língua e com zero de preconceito
sobre suas experiências e "causos" da
vida... envolvendo o tema, adivinhem?
Vaginaaa! E aí, conseqüentemente,
você acaba refletindo sobre a relação
da mulher com sua própria sexualidade.
Como elas mesmas disseram no começo
do espetáculo: "Eu estou preocupada
com as vaginas". E percebe o quanto
que não paramos - nós,
mulheres - para pensar abertamente nessas
questões tão pouco discutidas na sociedade:
vagina, sexo, orgasmo (A enchente)...
Na realidade, as próprias mulheres se
privam de pensar na sua vagina como
algo super-importante.
As situações interpretadas nos fazem
lembrar de coisas esquecidas, colocando
no imperativo: liberte sua "vajaina",
explore seu clitóris, fique natural
e seja mulher por inteiro.
Os
monólogos perfazem temas como os pêlos.
Um deles conta a história de uma senhora
que foi traída por não depilar a bendita.
Ela não gostava da perereca careca,
já o marido era tarado por um "capô
de fusca". Ela diz: "Me sinto muito
diminuída toda despentelhada".
Histórias inusitadas e muito cômicas.
A cada monólogo uma surpresa e aquela
vontade de saber o que virá no próximo
ato!
Elas falaram sobre a primeira menstruação,
manias de homens, apontaram a relação
da mulher com a vagina. Teve um monólogo
que se chamava ''Minha Vagina, Eu!''
e dizia: "Voltar a tomar as rédeas da
minha vagina".
Ah! Revelaram os diferentes nomes que
cada região dá à genitália feminina,
como perereca, xoxota, piriquita, trem,
pomboca, aranha, suvaco da coxa, banguela
peluda, manteigueira, perseguida...
E ainda fizeram brincadeiras com a
pergunta "E se sua vagina pudesse falar,
o que ela diria?". "E se ela pudesse
se vestir, o que vestiria?".
Mas o que mais me chamou atenção é
a forma da condução dos fatos. Elas
abordaram tudo o que se pode pensar
a respeito de vagina, com muito humor
e ao mesmo tempo com um alto teor de
crítica.
Achei bem forte o quinto Monólogo,
"Minha Vagina era Minha Vida", que homenageia
as mulheres da Bósnia, que sofreram
com o estupro e outros infortúnios.
"Minha vagina, minha vida invadida,
saqueada". Também abordaram o esquecimento
da sexualidade por causa de algum trauma
do passado.
Com a Enciclopédia de Mitos e Segredos
as três proclamaram vários absurdos
envolvendo mulheres, entre os ditos
estão "quase 100 milhões de meninas
sofreram mutilação das genitálias".
O sexto monólogo, "A Minha Vagina está
Furiosa", é um desabafo da vagina, "pára
de enfiar coisas em mim, já viram OB?
E os exames ginecológicos?". "A minha
vagina quer viajar, sexo liberado em
quantidade e qualidade".
No final, um parto no meio do palco.
E as palavras: "O coração é capaz de
perdoar, a vagina também"!
Pensando bem, é engraçado, inusitado...
Mas é alarmante; é coisa séria. Percebo
que Monólogos da Vagina é um
grito pela liberdade sexual feminina.
Recomendo que todas as mulheres assistam
à peça. E deixem o pudor e a
vergonha de lado. E comecem a explorar
mais a sua "vajaaaaaina"!
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