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Toninho Horta volta a Florianópolis e se apresenta
na Lagoa da Conceição
Nem
só de roquenrôu vive o Son, e quase que essa coluna não sai pois não sei como
classificar esta inusitada noite de sexta-feira. Fazia tempo que eu não via tantas
inconveniências na mesma noite, quer dizer, acho mesmo que eu nunca vi. Pra
começar, atrasaram o início do show "em consideração" aos que tinham comprado
ingresso e ainda não tinham chegado. E a consideração aos que chegaram na
hora? A sonorização também não ajudou e deu um pouco de trabalho. O
show começa com músicas do início da carreira e vem vindo na linha do tempo, até
que chegam ao palco o gaiteiro Alesandro Krammer e o guitarra Beto Fonseca para
tocar vários temas próprios e alguns standards. Palco? Mas que palco? Uma
dica ao Jinga: se as estrelas não estivessem no céu ninguém conseguiria vê-las.
O bar é bem bacana e traz todo aquele clima de boemia, com um bom atendimento
e uma cerveja bem gelada, mas um palco de uns 30cm do chão cairia muito bem.
O
show estava cheio de músicos e de pessoas que estavam a fim de assistir ao show.
Há muito tempo eu não via uma platéia pedir silêncio a alguns desavisados que
conversavam aos berros e pareciam não saber quem estava no palco. Mas
o clima da casa e o talento de quem estava se apresentando superavam, em parte,
todos esses inconvenientes. A gota d'água foi quando num intervalo entre uma música
e outra um figura que comemorava seu aniversário distribuindo espumante às mesas
ao redor, tomou o microfone do Toninho Horta e começou a falar qualquer coisa.
Os
presentes não gostaram muito, mas nem se manifestaram também. Quando o camarada
disse que tinha CINCO MIL REAIS no bolso, a vaia se fez muito necessária... UUUHHHH!!!!
Logo após, muito educadamente, ele mandou todo mundo se f@$#@ porque ele é milionário.
Após uma frustrada tentativa de parabéns a você o ricaço fez
um cheque de R$ 5.000,00 e deu de presente ao Toninho Horta. Sem
levantar suspeita, estava na platéia, junto a vários músicos locais, um dos maiores
violeiros do Brasil. Ele só estava correndo o sul do Brasil num projeto do SESC
e veio a Floripa assistir a esse show. Numa rápida conversa no aeroporto ele disse
que ficou ultrajado com toda a situação e que deveríamos escrever sobre a noite
anterior. Toninho Horta andou o mundo inteiro levando a nossa
música e no meio do show ainda defendeu que os bons espetáculos deveriam fugir
um pouco do eixo Rio-São Paulo. Será que a opinião dele vai mudar?
E
a pergunta que não quer calar: será que o cheque tinha fundo? É
isso aê rapaziada, o importante é curtir a essência do momento sem crise. Aquele
abraço. Stay rock'n'roll. |