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Esta
seguramente faz parte das trilhas mais
legais que já realizamos em Florianópolis.
Partimos às 10h da Barra da Lagoa de
barco com toda segurança necessária
(casco de aço, bote, coletes, etc.)
rumo à edênica ilha tombada pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional.
Saindo do canal natural da Barra da
Lagoa, avistamos formações rochosas
interessantes com possibilidades de
trilhas alternativas à Praia da Galheta
após costões, além do contorno exuberante
da própria Barra a Moçambique. Visualizamos
as praias da Galheta, Mole, Joaquina
- tivemos a nítida dimensão das belíssimas
e colossais dunas dali -, Campeche,
com barco já apontando para a ilha com
mais de 1.500m de comprimento e 700m
de largura, perfazendo uma área total
de aproximadamente 420.000 m².
O
barco fez a abordagem pela porção norte
e logo entrou a oeste para desembarcar
os ávidos trilheiros neste encanto natural
que sazonalmente recebe a nobre visita
de ilustres baleias, leões-marinhos,
tartarugas, pingüins e lontras.
O colorido e a transparência das águas
impressionaram. Tratamos de nos apresentar
para a trilha em direção ao sul da ilha
com o objetivo de atravessar de leste
a oeste por dentro da Caverna do Morcego.
Antes de iniciarmos a atividade, precisávamos
entender a importância desta ilha com
oficinas líticas e gravuras rupestres
datadas de até 4.000 anos atrás, além
de ruínas de armação de baleias em 1772.

A participação nesta atividade exigiu
o cuidado redobrado e especial com a
conservação do local e de pessoas que
realmente já estavam acostumadas com
caminhadas ecológicas. Contamos com
a presença de companheiros trilheiros
de Florianópolis e São Paulo, além da
aprazível companhia de novos amigos,
que só vieram abrilhantar o passeio
com a vinda de barco pela Praia da Armação.
A atividade se iniciou às 12h20.
A aventura
Antes
do início do percursos, avistei um quati
de tamanho maior em relação aos que
estava acostumado a ver, atravessando
o começo da trilha. Logo observamos
vegetação primária e secundária, como
pés de café, e a participação ativa
dos quatis na semeadura. Estes bichinhos,
diga-se de passagem, acabaram se tornando
os únicos predadores da região, deste
deslumbre que se situa na costa sudeste
da Ilha de Santa Catarina, caçando inclusive
todas as cobras de lá.
Logo no começo contamos com a visita
do belíssimo Tié-sangue, pássaro de
deslumbrantes tonalidades rubro-negras.
A nossa caminhada prosseguiu em plena
Mata Atlântica com a monitoração do
excelente guia Edson. Logo a beleza
da Mãe Natureza nos traz mais alegrias.
Raios solares se interpenetravam por
entre as copas e folhas das árvores
produzindo um espetáculo de tons verdejantes
e dourados.
Após
a subida vem uma linda descida com escadas
naturalmente construídas pelas raízes
das árvores e as laterais da trilha
adornadas por flores róseas. Aqui, usamos
a criatividade para descer às rochas
em estilo tobogã ou mesmo contamos com
o providencial Quinto Elemento.
Caminhamos ligeiramente ao norte para
vermos desenhos geométricos e antropomórficos
gravados em decorrência da passagem
de povos pré-históricos pelo local.
Ouvimos também as explicações sobre
as rochas compostas por lava vulcânica
com dez mineirais, mais porosa, facilitando
a produção dos desenhos, em contraposição
à outra com apenas dois tipos de mineirais,
bem mais resistente.
- E então, pessoal: vamos à Caverna
do Morcego?
- Vamos lá!!!
A Caverna do Morcego
Paramos
rapidamente para admirar as pequenas
piscinas naturais cristalinas ricas
em vida: encontramos uma linda e rubra-vibrante
anêmona, uma camuflada estrela-do-mar
que se abriu toda para nos cumprimentar,
camarõezinhos, o raro peixe-gato...
Uau!!! E o que dizer do visual de costão
com aquelas águas azuis cintilantes
contrastando com o show de cores e esculturais
das rochas?!
Escalaminhamos até avistar um monumental
conjunto rochoso, enfim, a magnífica
Caverna do Morcego. Escalamos as rochas
negras, passamos por entre uma passagem
pequena produzida pelas rochas com cuidado
e jeito.
Uma espessa fenda de mais de 10m de
altura nos aguardava: era o portal para
uma outra dimensão? A dimensão do deslumbre,
sem dúvida! Era a entrada da caverna.
Irado!!! Olhamos para cima e parecia
que artistas haviam esculpido aquela
entrada: divina... E iniciamos a delicada
passagem. Cada um ajudava o outro a
passar por aquela estreita fenda, deixando
o corpo escorregar para dentro da caverna.
Ficou quase tudo escuro. Notamos que
havia alvas e dinâmicas imagens surgindo
na base da caverna: havia aberturas
para a entrada de água na parte inferior
dela. Muito legal! Paramos ali para
contemplar o silêncio por alguns instantes,
respirar o frescor daquele delicioso
e magnífico ambiente. Parecia que o
filme estava para começar. O filme de
nossas vidas... E conversamos sobre
conservação ambiental, aspectos relevantes
da trilha e lanchamos.

A segunda parte da trilha e A Surpresa
Hora de atravessar para o oeste da
Ilha do Campeche. E tivemos que nos
abaixar e sentarmos para sairmos por
uma pequenina fenda com um certo jogo
de cintura e tranqüilidade.
Uau!!! Um espetacular visual para o
mar e a costa leste de Floripa ao fundo
se descortinou. É para delirar mesmo...
Descemos
as pedras com segurança e calma e admiramos
o magnífico visual para a praia da Armação,
Morro das Pedras, Campeche... Estávamos
na metade do caminho. Muito ainda por
vir...
Subimos novamente sentido leste para
um trecho de pedras e vegetação baixa,
proporcionando visual sem igual. Adentramos
na vegetação sentido oeste e descemos
naquela belíssima mata. Que trilha!!!
Acabou? Que nada... Quase no final
da trilha conhecemos "A Surpresa" que
o Edson tanto nos anunciara no decorrer
da atividade. Conto ou não conto? Meu
Deus... De tirar o fôlego. É para agradecer
a Ele;
Voltamos
à trilha e chegamos aproximadamente
às 14h50 na praia após percorrer
boa parte da costa oeste da ilha. Aproveitamos
para tomar um banho de mar super-refrescante
para coroar esta fenomenal trilha na
Ilha do Campeche.
Assim que o barco chegou, veio a chuva
para nos refrescar (e nosso agradecimento
por este acontecimento depois de muito
calor) após momentos especiais e triunfantes.
Que tal se juntar a nós? Envie um e-mail
para gente.

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Importante:
Antes de realizar qualquer trilha
na Ilha do Campeche consulte a
viabilidade com o IPHAN através
do telefone (48) 8417-7102.
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