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Não vou ver Tropa de Elite nem
que o Capitão Nascimento me torture
com um Zip-Zipa-Tudo. Filme que trata
da "realidade" brasileira (ainda mais
quando vira unanimidade) eu tô fora.
Pra mim, cinema é poesia, então, em
vez de assistir a Cidade de Deus,
Carandiru e Ônibus 174,
prefiro reprisar quantas vezes for preciso
os geniais Amarelo-Manga, Narradores
de Javé e O Cheiro do Ralo,
porque pertenço a uma categoria de brasileiros
que é maioria, mas que não faz alarde
disso: os alienados. Me preocupo com
o que acontece no caminho entre a porta
do meu apartamento e a lixeira do prédio
ou entre a saída garagem e a entrada
do meu restaurante preferido. E só.
Não tenho necessidade de saber o que
se passa nos bastidores da polícia,
da favela, do narcotráfico, da vida
de mauricinhos e patricinhas viciados,
etc. Além do mais, não posso dar crédito
a um filme feito por um cara como o
José Padilha, que defende
a legalização das drogas. Pra quê?
Pra aumentar o número de crimes por
motivos fúteis? Pra fazer proliferar
as bandas de reggae no país? Pra poder
tributar e aumentar a arrecadação oficial?
A verdade é que Tropa de Elite
passaria batido em qualquer locadora
se não fosse o inexplicável alarde em
torno de seu lançamento, e ainda geraria
comentários (comuns diante das prateleiras
de DVDs nacionais) do tipo: "Ui, filme
brasileiro...".
Mas mesmo que eu não veja, nem agora
nem nunca, em cópia pirata ou oficial,
tenho curiosidade de saber: por que
você assistiu ou vai assistir ao
longa Tropa de Elite?
A - Porque acha, sinceramente, que
o Wagner Moura é bom ator.
B - Porque tem que fazer de conta, perante
a sociedade, que se preocupa com o Brasil.
C - Porque já que todo mundo está vendo
você tem que ver também.
D - Porque a violência nos cinemas é
mais poética do que nos telejornais.
E - Porque precisa saber como funciona
o Bope, caso seja pego(a) numa boca-de-fumo.

Em tempo: Segunda-feira passada, na
promoção do Cinemark de ingressos a
2 reais para os filmes brasileiros,
as sessões de Tropa de Elite
foram as primeiras a se esgotar. Tudo
bem, pelo menos o povo foi ver no cinema
e não num pen-drive. Eu gastei minhas
quatro moedas de cinqüenta centavos
no excelente Saneamento Básico,
do Jorge Furtado. Se estivesse lotado,
pela ordem, eu ia tentar Uma Aventura
no Tempo, com a Turma da Mônica.
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