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Surpreendentemente,
encontram-se muitos shows pelos bares
da Lagoa que se assemelham ao de Vitor
Ramil e Marcos Suzano, que aconteceu
na última quarta-feira, 17, no Centro
Integrado de Cultura (CIC)
Eu mal conhecia o trabalho de Vitor
Ramil. O que tinha ouvido, a música
Joquim, não me agradou - uma trova arrítmica
e pouco original. Fiquei surpreso ao
saber que o cantor e compositor gaúcho
havia gravado um disco com o carioca
Marcos Suzano, um dos meus percussionistas
preferidos, e que juntos fariam um show
aqui em Floripa. "Isso há de ser bom",
pensei.
A turnê do disco Satolep & Sambatown
conflui projetos dos dois artistas sob
a perspectiva de suas origens, que são
reinventadas (Satolep é o contrario
de Pelotas, cidade natal de Vitor Ramil,
e Sambatown é a releitura que Marcos
Suzano dá ao Rio de Janeiro, sob o ponto
de vista de seu pandeiro). A milonga
uruguaia do gaúcho, misturada ao samba
carioca, criaria um hibridismo musical
inédito, idéia que me empolgou muito,
Porém, com uma ou outra ressalva, não
percebi essa mistura concisamente. O
que vi mais me parecia um show de Vitor
Ramil acompanhado de "um percussionista".
Marcos Suzano, que já tocou com Marisa
Monte, Lenine e até com o Sting, além
de ter inventado novas técnicas de pandeiro,
foi colocado em segundo plano. Na maioria
das músicas ele só fazia a base da percussão,
quase sem improvisação. Quem foi - como
eu - ao show para ver um Marcos Suzano
propriamente dito, quebrando paradigmas
dentro de seu universo rítmico libertário,
se decepcionou.
Minha primeira impressão foi de um
show bem lírico e mais rítmico, o que
a princípio me agradou bastante. Porém,
quanto à performance e às músicas de
Vitor Ramil, comecei a encontrá-las
repetitivas depois de um certo tempo.
A falta de originalidade premeditada
que havia suspeitado no artista veio
à tona nova e infelizmente à minha cabeça.
A sonoridade era agradável aos ouvidos
e vez ou outra as composições se faziam
poeticamente belas como se propunham.
Porém, nada extraordinário - não fosse
o espaço, o grande público, a qualidade
do som e a iluminação, se encontraria
isso aos montes nos bares da Lagoa da
Conceição, diariamente. Das músicas
de que gostei, dou destaque para Café
da Manhã, talvez a única que, em
minha opinião, seja condizente com o
grande reconhecimento de Vitor Ramil.
O público definitivamente não reagiu
como eu, ainda bem. Visivelmente desfrutava
do show com um gosto cheio de deslumbramento,
que eu queria encontrar a qualquer custo,
mas não conseguia. Vitor Ramil anunciou
o fim, a platéia pediu mais e eles tocaram
em torno de quatro músicas extras. A
última - Joquim. Bem, lá se foram as
minhas esperanças de um encerramento
surpreendente.
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