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O CIC quase
naufragou de tanta gente querendo
ver a deusa grega no palco.

A belíssima Adriana
Calcanhotto provocou uma maré
de fascinação na última segunda-feira.
O show absolutamente fabuloso:
produção bem elaborada, sons
unívocos em qualidade e aquela
voz inconfundível completando
a atmosfera do álbum Maré.
O trabalho é o segundo de uma
trilogia que começou há mais
de dez anos com Maritmo.
O teor de poesia
nas músicas e nos gestos de
Adriana é singular. Com um figurino
maravilhoso, representava a
deusa da mitologia grega e mãe
das águas, Tétis, uma rainha
das águas em terra. O
cenário é bem característico:
uma concha gigante no canto
esquerdo do palco, atrás uma
tela azul mistificando o mar
com figuras de cavalos marinhos,
golfinhos, polvos, imagens de
fractais e ondas. As luzes brincavam
com as músicas. Ao final de
cada canção, toda a luz que
iluminava os músicos
cessa, apenas Adriana continua
no foco. Em outras, as luzes
apagavam inteiramente e deixavam
tudo na escuridão (do
mar). A produção está de parabéns,
criaram uma atmosfera mágica
no palco.
Até
para apresentar os músicos ela
é meiga e suave: aponta o dedo
para frente e calmamente direciona-o
para um músico e diz: "Alberto
Continentino" - baixo, guitarra,
escaleta, vocais, berimbau de
boca - e ele faz o seu solo.
E assim por diante, "Bruno Medina"
- teclados, "Domenico Lancellotti"
- mpcs, bateria, percussão,
baixo, guitarra - e "Marcelo
Costa" - bateria e percussão.
E depois disso, cada um sai
do palco e ela fica sozinha
com seus instrumentos. Tocou
algumas músicas sozinha, outras
entrava apenas um músico e depois
saía; e assim foi até
voltar todos de uma vez para
o palco. Um jogo interessante
e dinâmico. Adriana Calcanhotto
tocou vários instrumentos, mas
o mais belo foi o cello. Todos
aplaudiram de pé. No repertório,
músicas do novo trabalho, sucessos
de Maritmo e composições
de artistas que esqueceram de
mandar a música para
ela (rs). A cada música uma
palavrinha com o público, e
sempre com muito humor e tiradinhas
que faziam a platéia
rir.
Graciosa! O encanto
era tamanho que em algumas músicas,
a maioria ficou de pé cantando
e aplaudindo; em outros momentos
os aplausos surgiam no meio
da música. Conseguem imaginar
a intensidade do show? É, foi
glorioso.
Por exemplo, no
meio da música Um dia desses
eu me caso com você de Paulo
Diniz e Torquato Neto, todo
mundo levantou do nada e começou
a bater palma juntos. Várias
surpresas no decorrer. Até então,
ela fez todo o show sentada.
De repente, na música do álbum
Maritmo, ela pega o violão
- esplêndida com aquele
vestidão - e sai pelo
palco tocando e cantando. Inesperado
e deslumbrante!

♪
Entre por essa porta agora e
diga que me adora. Você tem
meia hora prá mudar a minha
vida. Vem, vambora! Que o que
você demora é o que o
tempo leva... Ainda tem o seu
perfume pela casa. Ainda tem
você na sala. Porque meu coração
dispara? Quando tem o seu cheiro.
Dentro de um livro. Dentro da
noite veloz... Ainda tem o seu
perfume pela casa. Ainda tem
você na sala. Porque meu coração
dispara? Quando tem o seu cheiro.
Dentro de um livro. Na cinza
das horas... ♪
Em outra parte
do show, ela toca a primeira
parceria musical com Arnaldo
Antunes, Para Lá. No
meio da música, ela dedilha
e brinca com a guitarra arracando
dela um som arrepiante e agudo.
A guitarra gritou e chorou nas
mãos de Adriana. Na canção
Lenda das Sereias,
mais um espetáculo musical
e desta vez com um instrumento
inusitado. Lembram da concha
gigante no canto esquerdo? Ela
foi usada para gerar o som do
mar.
Em uma das composições,
ela diz: "Vou tocar uma música
que Rodrigo Amarante escreveu
e não mandou para mim", Deixa
O Verão. No repertório,
ainda Esquadros, Maresia,
Fico assim sem você,
Quem vem pra beira do mar
e Um dia desses (poema
que ela musicou de Torquato
Neto).
Depois que acabou,
como uma tradição, o pessoal
pediu "Mais! Mais! Mais!".
E ela voltou com um vestido
cinza por cima do vermelho e
nos presenteou com mais três
músicas. Entre elas,
Devolva-me e Rio de
Longe de Moreno Veloso.

♪ Rasgue as minhas
cartas e não me procure mais.
Assim será melhor, Meu bem!
O retrato que eu te dei, se
ainda tens, não sei! Mas se
tiver... Devolva-me! Deixe-me
sozinho. Porque assim eu viverei
em paz. Quero que sejas bem
feliz junto do seu novo rapaz!
Rasgue as minhas cartas e não
me procure mais... Assim vai
ser melhor, Meu bem! O retrato
que eu te dei, se ainda tens,
não sei! Mas se tiver... Devolva-me!
♪
E como ela mesmo disse na despedida:
"Até a Próxima. Até um
Dia. E Valeu!!!"
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