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Show Maré da Adriana Calcanhotto encantou até as sereias da Ilha
15/08/2008
 

O CIC quase naufragou de tanta gente querendo ver a deusa grega no palco.

A belíssima Adriana Calcanhotto provocou uma maré de fascinação na última segunda-feira. O show absolutamente fabuloso: produção bem elaborada, sons unívocos em qualidade e aquela voz inconfundível completando a atmosfera do álbum Maré. O trabalho é o segundo de uma trilogia que começou há mais de dez anos com Maritmo.

O teor de poesia nas músicas e nos gestos de Adriana é singular. Com um figurino maravilhoso, representava a deusa da mitologia grega e mãe das águas, Tétis, uma rainha das águas em terra. O cenário é bem característico: uma concha gigante no canto esquerdo do palco, atrás uma tela azul mistificando o mar com figuras de cavalos marinhos, golfinhos, polvos, imagens de fractais e ondas. As luzes brincavam com as músicas. Ao final de cada canção, toda a luz que iluminava os músicos cessa, apenas Adriana continua no foco. Em outras, as luzes apagavam inteiramente e deixavam tudo na escuridão (do mar). A produção está de parabéns, criaram uma atmosfera mágica no palco.

Até para apresentar os músicos ela é meiga e suave: aponta o dedo para frente e calmamente direciona-o para um músico e diz: "Alberto Continentino" - baixo, guitarra, escaleta, vocais, berimbau de boca - e ele faz o seu solo. E assim por diante, "Bruno Medina" - teclados, "Domenico Lancellotti" - mpcs, bateria, percussão, baixo, guitarra - e "Marcelo Costa" - bateria e percussão. E depois disso, cada um sai do palco e ela fica sozinha com seus instrumentos. Tocou algumas músicas sozinha, outras entrava apenas um músico e depois saía; e assim foi até voltar todos de uma vez para o palco. Um jogo interessante e dinâmico. Adriana Calcanhotto tocou vários instrumentos, mas o mais belo foi o cello. Todos aplaudiram de pé. No repertório, músicas do novo trabalho, sucessos de Maritmo e composições de artistas que esqueceram de mandar a música para ela (rs). A cada música uma palavrinha com o público, e sempre com muito humor e tiradinhas que faziam a platéia rir.

Graciosa! O encanto era tamanho que em algumas músicas, a maioria ficou de pé cantando e aplaudindo; em outros momentos os aplausos surgiam no meio da música. Conseguem imaginar a intensidade do show? É, foi glorioso.

Por exemplo, no meio da música Um dia desses eu me caso com você de Paulo Diniz e Torquato Neto, todo mundo levantou do nada e começou a bater palma juntos. Várias surpresas no decorrer. Até então, ela fez todo o show sentada. De repente, na música do álbum Maritmo, ela pega o violão - esplêndida com aquele vestidão - e sai pelo palco tocando e cantando. Inesperado e deslumbrante!

Entre por essa porta agora e diga que me adora. Você tem meia hora prá mudar a minha vida. Vem, vambora! Que o que você demora é o que o tempo leva... Ainda tem o seu perfume pela casa. Ainda tem você na sala. Porque meu coração dispara? Quando tem o seu cheiro. Dentro de um livro. Dentro da noite veloz... Ainda tem o seu perfume pela casa. Ainda tem você na sala. Porque meu coração dispara? Quando tem o seu cheiro. Dentro de um livro. Na cinza das horas...

Em outra parte do show, ela toca a primeira parceria musical com Arnaldo Antunes, Para Lá. No meio da música, ela dedilha e brinca com a guitarra arracando dela um som arrepiante e agudo. A guitarra gritou e chorou nas mãos de Adriana. Na canção Lenda das Sereias, mais um espetáculo musical e desta vez com um instrumento inusitado. Lembram da concha gigante no canto esquerdo? Ela foi usada para gerar o som do mar.

Em uma das composições, ela diz: "Vou tocar uma música que Rodrigo Amarante escreveu e não mandou para mim", Deixa O Verão. No repertório, ainda Esquadros, Maresia, Fico assim sem você, Quem vem pra beira do mar e Um dia desses (poema que ela musicou de Torquato Neto).

Depois que acabou, como uma tradição, o pessoal pediu "Mais! Mais! Mais!". E ela voltou com um vestido cinza por cima do vermelho e nos presenteou com mais três músicas. Entre elas, Devolva-me e Rio de Longe de Moreno Veloso.


Rasgue as minhas cartas e não me procure mais. Assim será melhor, Meu bem! O retrato que eu te dei, se ainda tens, não sei! Mas se tiver... Devolva-me! Deixe-me sozinho. Porque assim eu viverei em paz. Quero que sejas bem feliz junto do seu novo rapaz!
Rasgue as minhas cartas e não me procure mais... Assim vai ser melhor, Meu bem! O retrato que eu te dei, se ainda tens, não sei! Mas se tiver... Devolva-me!


E como ela mesmo disse na despedida:
"Até a Próxima. Até um Dia. E Valeu!!!"


Dani Medeiros
redacao@guiafloripa.com.br 
Fotos: Carlos Kilian

 
 

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