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Sexta-feira
tem Clube da Luta na Célula:
preparem-se que o duelo só
está começando...

O palco torna-se
o ring e o soar do gongo
fica por conta da vibração do
público. All stars acionam
pedaleiras e sincronizam bumbo
e chimbal com as baquetas. O
cheiro de cigarro toma conta
dos ares, o que indica que a
Célula está lotada.
O
lugar é pequeno, literalmente
quatro paredes. Ali, todos se
encontram e as batalhas entre
bandas acontecem. Três grupos
por vez sobem ao palco, semanalmente,
a partir das 23 horas. O público
que entra à casa tem acessórios
punks ou convencionais,
piercing na sobrancelha
ou chapinha nos cabelos, all
star, salto alto ou coturno,
chapéu ou bandana, jeans
básico ou estilo inusitado.
Ao lado do viaduto
do bairro João Paulo, as noites
de sextas-feiras fazem ecoar
os versos que embalam a luta
pela afirmação musical na Ilha.
A semelhança com o filme não
está só no nome. Além do caráter
de resistência dos músicos,
as regras remetem àquelas impostas
pelo personagem de Brad Pitt
nas telas. Todos devem estar
por dentro do código do duelo
sonoro:
Regra
n° 1 -
Você faz suas próprias músicas;
Regra n° 2 - Você
faz suas próprias músicas;
Regra n° 3 - A festa
é toda sexta na Célula ;
Regra n° 4 - Os shows
duram 40 minutos;
Regra n° 5 - São
sempre três bandas e um
DJ;
Regra n° 6 - Quem
chegar até as 23h só paga
5 pila;
Regra n° 7 - Banda
que começar de palhaçada
não toca;
Regra n° 8 - Se
quer brigar vá para outra
festa, aqui a luta é outra. |
A união da classe
musical de Floripa é a nova
forma que o Clube
da Luta experimenta para
apresentar a música a quem se
dispõe a ouvir. Diante de tudo
o que não existia para os artistas
da cidade, as bandas locais
não se deixaram conformar e
tampouco se acomodaram com a
situação. Se outrora não havia
espaço e valorização, hoje as
perspectivas do sucesso não
estão aquém como estavam. "Infelizmente
os artistas musicais daqui têm
que lutar pra mostrar o seu
trabalho", diz o baterista Maurício
Alves, da banda Gubas e Os Possíveis
Budas.
Esta
necessidade alimentou a sede
pela luta, que está aí para
quem quiser encarar. Encontros
entre duas ou três bandas que
aconteciam aqui e acolá nas
noites de Floripa passaram a
ser parte de uma mesma idéia
em setembro de 2006. "O Marcinho
(banda Tijuquera) teve a atitude
de juntar isso", explica Jean
Mafra ao se referir aos projetos
Samambaia Convida, Circuito
Aerocirco e Berbiga's
Rock Night, precursores
do Clube da Luta. A partir de
então, a ousadia não ficou em
segundo plano: no Espaço Fios
e Formas, embaixo da ponte Hercílio
Luz, oito bandas passaram a
se apresentar freqüentemente
a fim de conquistar público
e um lugar ao sol.
Para o vocalista
Gustavo Barreto, que é músico
há 15 anos, a iniciativa é inédita
em Floripa e vem como resultado
de uma perspectiva de valorização
da produção artística local,
deficitária já há algum tempo.
"O Clube surgiu para que as
pessoas comecem a fazer sua
crítica musical e criem um sentido
de identificação com a música
produzida aqui", Gustavo afirma.
Hoje, são 16 bandas
integrantes do Clube
da Luta. Samambaia Sound
Club, Gubas e os Possíveis Budas,
Jeremias sem Cão, Aerocirco,
Maltines e Andrey e a Baba do
Dragão de Komodo estão entre
elas, que se alternam em apresentações
na nova casa do projeto, a Célula
Cultural. Os duelos contam com
os solos de guitarra e com performances
animadas reveladas de acordo
com o estilo.
Para se aquecer
do frio, valem desde requebradas
de quadris nos sons mais grooves
até as chacoalhadas de cabeça
acompanhando os sons mais rock
and roll. Aqui vale a analogia:
o lugar tem se tornado a célula
embrionária da música em Floripa.
Um dos produtores dos eventos
do Clube, DJ Zé Pereira, observa:
"é preciso que as pessoas de
Santa Catarina reconheçam que
aqui tem música de qualidade".
Seja por meiose
ou mitose, a música ali se reproduz
e vence o espaço da membrana
celular: no mês de aniversário
de dois anos do projeto, a luta
recebeu uma nova aliada para
divulgação. No início de setembro,
uma parceria com a emissora
MTV foi selada oficialmente
no show de lançamento do CD
ao vivo da Aerocirco. Com a
crescente presença de apreciadores
na Célula e com a projeção que
os que os lutadores vêm atingindo,
uma coisa é certa: o primeiro
round já tem um vencedor.
Veja também:
Jean
Mafra Entre-Música
- uma entrevista com o vocalista
da banda Samambaia Sound Club.
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