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Nossa Senhora
da Paz beijou a pele de Floripa
ontem com o Cordel do Fogo Encantado
no John Bull Pub.

Na fila de entrada
para o John Bull, quase chegando
na esquina, o contraste era
total. Uma das casas de rock
mais consolidadas da Ilha recebeu
nada mais, nada menos que Cordel
do Fogo Encantado.
Se fizéssemos
uma enquete, provavelmente,
bem mais da metade das pessoas
que estavam ali não freqüenta
o local ou nem mesmo conhece
a casa. Dreads e roupas
despojadas substituíram os usuais
modelitos de última moda. Mas
uma coisa não foi diferente:
a casa estava lotada. Já a energia,
com certeza, era outra - e o
cheiro também. É comum o questionamento
sobre qual categoria de música
eles se encaixam. E a verdade
é que Cordel do Fogo Encantado
é semelhante a nada mais que
Cordel do Fogo Encantado.
Uma mistura fantástica
de ritmos, que não se enquadram
em nenhum estilo específico.
Pular e "ser pulada"
ao som de A quebradeira
foi indescritível. Confesso
que senti saudades das minhas
botas! E mesmo munida de calçado
mais adequado para se misturar
à terceira fila, o pé
não ficou ileso. Nas
músicas mais agitadas,
surgem "movimentos de ondas
humanas". Bem diferente
de outros shows, em que pular
e se misturar nas energias é
sinônimo de incômodo.
Ali todos estavam em sintonia.
É impossível não
dizer o óbvio sobre os caras.
Eles são a denominação completa
do que se pode chamar de Artista.
O carisma e representação do
vocalista, José Paes de Lira,
a junção da música com o teatro,
a empolgação e a alegria das
pessoas fizeram do show um espetáculo
completo. Ou quase completo.
A verdade é que eles mereciam
um local bem mais apropriado.
Seus shows são sempre regados
de performances que precisam
de bastante espaço, o que não
havia ali. A acústica também
deixou a desejar. A voz de nosso
querido Lira ficou abafada.
Mesmo assim, a banda não decepcionou
os fãs e acendeu o fogo encantado
do Cordel.
Independente dos
pequenos problemas estruturais,
não há dúvidas de que o som
da banda balançou até mesmo
os Beatles, Jimmy
Hendrix e Rolling Stones
pendurados nas paredes.
E viva Canudos!!!
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