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Um dos mais
representativos cantores do
Brasil apresentou um show de
alegria e remelexo no Clube
Doze.

♪
"...
não grude não, não grude, não
grude não não grude, não grude
não, oxente, onde já se viu!
Não grude não, não grude, não
grude não, não grude, não grude
não, o disgrama, quiuspariu!
Não grude não, não grude, não
grude não, não grude, não grude
não, afasta, vai, sai pra la!
Não grude não, não grude, não
grude não, não grude, não grude
não, basta, deixa eu respirar...
♪
Mais do que político,
ativista social, cidadão brasileiro,
pai, revolucionário, histórico,
vanguardista, agitador... Gilberto
Gil é músico nato e baiano.
Surpreendente!
Mesmo depois de 45 anos do seu
primeiro álbum Gilberto Gil
- sua música, sua interpretação,
Gil consegue nos maravilhar
com um trabalho inusitado e
primoroso. Além de figura emblemática
da música brasileira, é extremamente
simpático e envolvente.
Lá
nos idos de 62, o jovem de Ituaçu,
interior da Bahia, teve a sua
primeira canção gravada, Coça,
coça, lacerdinha. A partir
daí o baiano aos poucos construiu
uma carreira admirável no mundo
inteiro. A nova turnê apresenta
o álbum Banda Larga Cordel,
recém lançado integralmente
na internet. Uma proposta bem
interessante nos tempos de hoje
e que os fãs agradecem, com
certeza!
No decorrer das
duas horas de show, entre uma
música e outra, nas conversas
soltas com a platéia, fala sobre
o contexto da música, como ele
compôs e conta algumas histórias
das origens dos ritmos tocados
nas composições. Uma verdadeira
miscigenação de musicalidade.
Entre elas, o xote, samba
break, forró, samba de roda,
capoeira... Um solo de berimbau
impressionou e fez todo mundo
aplaudir aos gritos.
Sempre com esse
estilo despojado e moderno,
o arretado deu um show de alegria,
energia e samba no pé. O estilo
do cantor misturado com as novas
composições evidencia ainda
o espírito do tropicalismo,
fazendo com que a música popular
dê mais um salto na modernidade
com concepções artísticas mais
alternativas. Realmente os sessenta
e seis anos do baiano servem
apenas para mostrar o quão jovem
ele está e nada mais. Gil acredita
na cultura digital e é um dos
pioneiros na defesa do Software
Livre e da Liberdade Digital.
E o novo trabalho enquadra-se
nesta ideologia e aborda temas
de hoje e amanhã, não esquecendo
as coisas da vida e do amor.
Na composição
Não Tenho Medo da Morte
ele fala sobre a única certeza
que temos:
♪ "Não tenho medo da
morte, mas sim medo de morrer.
Qual seria a diferença você
há de perguntar. É
que a morte já é depois
que eu deixar de respirar.
Morrer ainda é aqui na vida,
no sol, no ar. Ainda pode
haver dor ou vontade de
mijar. A morte já é depois
já não haverá ninguém como
eu aqui agora pensando sobre
o além já não haverá o além
o além já será então não
terei pé nem cabeça nem
figado, nem pulmão como
poderei ter medo se não
terei coração?" ♪
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Já em Máquina de Ritmo ele
usa termos do mundo virtual:
♪
... Quem sabe um bom pó
de pirlim pim pim possa
deletar a dor de quem deixou
de lado o tamborim.
Apesar do seu computador
ter samba bom, samba ruim.
Se aperto o botão
meu coração
vai me dizer que é samba
sim... Colcheias, semi-colcheias.
Fusas, semi-fusas sensações.
Nos salões das noites cariocas.
Novas tecnoilusões. Máquina
de Rítmo. Que os pós eternos
vão silenciar. Novos anjos
do inferno vão por qualquer
coisa em seu lugar"
♪ |
Ali no mezanino observando
Gilberto Gil, bem de pertinho,
imaginei o quanto ele já batalhou,
o quanto de história ele pode
contar, relatos surpreendentes
e até inesperados. Quantos segredos
ele guarda? Pensei na época
da ditadura, o seu exílio, as
reuniões de boteco no tempo
do tropicalismo e até como ministro,
mais recente. São indagações
que intrigam. Mas que ao voltar
para o encanto do show, já
são esquecidas.
Na platéia, sentada
na primeira fila, estava outra
consagrada da música brasileira,
Adriana Calcanhotto com aquele
seu jeito meigo, sereno, suave...
Hora e outra mexia o corpo e
cantava junto com Gil e as mais
de 600 pessoas ali sentadas
nas mesas e em pé no mezanino.
Na música
O Oco do Mundo, Gil apresentou
uma performance admirável. Com
um jogo de luz, ele interpretou
a música inteira com um ar de
protesto e indignação.

♪
O oco do mundo pré
para trans e meta pós
o
oco do mundo a foz
de um rio sem nascente
como um broto sem semente
um raio de sol sem luz
como infecção sem pus
o oco do mundo a sós ♪
Até então,
todos estavam sentados e apenas
no mezanino o pessoal dançava
e curtia mais à vontade,
mas faltando pouco para o final
Gil convoca: "Vamos dançar!"
Foi o suficiente para a maioria
levantar, ir até a beirada
do palco e dançar até
a última música.
Só mais
uma palavra: Surpreendente!
Ah! Reforço o recado
da produção no
começo do show: "Tirem
fotos, façam vídeos
e postem no site do Gilberto
Gil!"
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