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Ney Matogrosso ARRASA com
o show Inclassificáveis, no
CIC.
Desculpem-me os
puristas, mas é impossível escrever
'imparcialmente' sobre um show
assim. Ninguém sai ileso depois
de uma apresentação do cantor
Ney Matogrosso. Eu esperava,
sim, um grande espetáculo, performático
e atraente, mas Inclassificáveis
superou todas as expectivas
que eu criara. Fiquei, o show
inteiro, num verdadeiro estado
de transe - e sem exageros.
Flagrava-me, muitas vezes, hipnotizada,
de olhos vidrados no palco,
e sorrindo, extasiada, por estar
ali.
Ney não estava
ali para seduzir ninguém, e
no entanto seduziu todo mundo.
E olha que sensualidade é uma
palavra fraca perto do que ele
transmite quando dança. Olhar
para aquele corpo e pensar que
Ney Matogrosso tem 66 anos é
quase um disparate. Como dizem
aqui na Ilha, "dás um banho,
ô!"
A concepção de
iluminação do show é de Juarez
Farinon e do próprio Ney Matogrosso.
O figurino, exuberante, é assinado
por Ocimar Versolato - o macacão
com o qual Ney inicia o show
é composto por 40 mil micropaetês
costurados à mão. Ele vai compondo
e descompondo o figurino durante
o espetáculo.
Pode-se dizer
que o show possui dois momentos.
No início, a apresentação
é mais sensual, íntima.
Depois, Ney Matogrosso explode
em canções mais
dançantes e o fundo do
cenário vai mudando conforme
as músicas se sucedem.
E quem conseguiu comprar os
ingressos para as primeiras
filas ainda ganhou bônus:
o cantor desceu do palco e caminhou
entre a platéia enquanto
cantava a música Por
que a gente é assim (Vale
lembrar: mais uma dose? /
é claro que eu tô
a fim / a noite nunca tem fim
/ por que a gente é assim?).
Desde 1974 Ney
Matogrosso não fazia
uma turnê acompanhado
de uma banda. Na última
vez em que fez isso ele ainda
cantava com o Secos e Molhados.
A banda do show Inclassificáveis
é composta por Carlinhos
Noronha (baixo), Junior Meirelles
(guitarra/violão), Segio Machado
(bateria), Emilio Carrera (piano,
teclado e direção musical),
DJ Tubarão (percussão e pick
up) e Felipe Roseno (percussão).
Inclassificável,
sim. Inominável, indescritível,
imperdível. Peço perdão mais
uma vez àqueles que certamente
criticarão o excesso de elogios
deste texto, os adjetivos em
demasia, mas são poucos, ainda,
para descrever show tão bom
e completo, produzido com primor
em todos os detalhes. Duvido
que alguém tenha saído do CIC
ontem pensando algo diferente
disso.
Só um
P.S.: Não foi lançado
ainda o DVD deste show. Mas
no youtube já rolam alguns
vídeos 'extra-oficiais', feitos
de câmeras fotográficas caseiras
ou mesmo de celular, com resolução
bem baixa, mas que dão uma (apenas
vaga) idéia do que o show reserva.
Eu sugeriria o clipe da música
Novamente
ou este
outro clipe, que mostra
o final da música Sea
e uma troca de figurino.
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