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Uma serpente no palco
08/04/2008
 

Ney Matogrosso ARRASA com o show Inclassificáveis, no CIC.

Desculpem-me os puristas, mas é impossível escrever 'imparcialmente' sobre um show assim. Ninguém sai ileso depois de uma apresentação do cantor Ney Matogrosso. Eu esperava, sim, um grande espetáculo, performático e atraente, mas Inclassificáveis superou todas as expectivas que eu criara. Fiquei, o show inteiro, num verdadeiro estado de transe - e sem exageros. Flagrava-me, muitas vezes, hipnotizada, de olhos vidrados no palco, e sorrindo, extasiada, por estar ali.

Ney não estava ali para seduzir ninguém, e no entanto seduziu todo mundo. E olha que sensualidade é uma palavra fraca perto do que ele transmite quando dança. Olhar para aquele corpo e pensar que Ney Matogrosso tem 66 anos é quase um disparate. Como dizem aqui na Ilha, "dás um banho, ô!"

A concepção de iluminação do show é de Juarez Farinon e do próprio Ney Matogrosso. O figurino, exuberante, é assinado por Ocimar Versolato - o macacão com o qual Ney inicia o show é composto por 40 mil micropaetês costurados à mão. Ele vai compondo e descompondo o figurino durante o espetáculo.

Pode-se dizer que o show possui dois momentos. No início, a apresentação é mais sensual, íntima. Depois, Ney Matogrosso explode em canções mais dançantes e o fundo do cenário vai mudando conforme as músicas se sucedem. E quem conseguiu comprar os ingressos para as primeiras filas ainda ganhou bônus: o cantor desceu do palco e caminhou entre a platéia enquanto cantava a música Por que a gente é assim (Vale lembrar: mais uma dose? / é claro que eu tô a fim / a noite nunca tem fim / por que a gente é assim?).

Desde 1974 Ney Matogrosso não fazia uma turnê acompanhado de uma banda. Na última vez em que fez isso ele ainda cantava com o Secos e Molhados. A banda do show Inclassificáveis é composta por Carlinhos Noronha (baixo), Junior Meirelles (guitarra/violão), Segio Machado (bateria), Emilio Carrera (piano, teclado e direção musical), DJ Tubarão (percussão e pick up) e Felipe Roseno (percussão).

Inclassificável, sim. Inominável, indescritível, imperdível. Peço perdão mais uma vez àqueles que certamente criticarão o excesso de elogios deste texto, os adjetivos em demasia, mas são poucos, ainda, para descrever show tão bom e completo, produzido com primor em todos os detalhes. Duvido que alguém tenha saído do CIC ontem pensando algo diferente disso.

Só um P.S.: Não foi lançado ainda o DVD deste show. Mas no youtube já rolam alguns vídeos 'extra-oficiais', feitos de câmeras fotográficas caseiras ou mesmo de celular, com resolução bem baixa, mas que dão uma (apenas vaga) idéia do que o show reserva. Eu sugeriria o clipe da música Novamente ou este outro clipe, que mostra o final da música Sea e uma troca de figurino.


Daise Ribeiro
daise@guiafloripa.com.br 
Fotos: Marcia Hack - Site oficial de Ney Matogrosso 

 
 

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