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Realmente,
como diz o slogan, "Toda a Arte
da Dança" movimentou a Cidade
das Flores.

Assim como Ernst
Fischer traduz no seu livro
A necessidade da Arte,
eu digo, a arte essencialmente
é mágica. Roubando algumas palavras
do jornalista austríaco, "a
arte em sua origem foi magia,
foi um auxílio mágico à dominação
de um mundo real inexplorado".
E que bela mágica é a
dança!
O
Festival de Dança
de Joinville apresentou
na Noite de Gala uma grande
suíte do ballet Don Quixote
interpretado pela conceituada
Escola do Teatro Bolshoi no
Brasil, com participação
de bailarinos russos. O espetáculo
baseado na obra do espanhol
Miguel de Cervantes Saavedra
foi magnífico, emocionante,
beirando a perfeição. Mais de
cem alunos da escola brasileira
dividiram o palco com duas figuras
importantes do balé internacional,
os primeiros solistas do Teatro
Bolshoi da Rússia, Natalia Osipova
(Kitri) e Andrey Bolotin (Basílio).
A técnica e a postura dos dois
eram esplêndidas.
A peça
é conhecida em quase todo o
mundo e encanta todos por onde
passa. Já foi encenado
por várias escolas de
dança desde que o coreógrafo
Marius Petipa e Alexander Gorsky
transformaram a obra em balé,
no ano de 1869. Na época,
o Ballet Imperial no Teatro
Bolshoi de Moscou estreiou essa
nova forma de contar uma história.
A escolha da peça da Noite de
Gala faz sentido, já que Joinville
abriga a única escola fora da
Rússia.
O balé clássico
visto de um lugar como o Centreventos
Cau Hansen deixa qualquer um
extasiado. Ainda mais, uma peça
que envolve romance, loucura,
heroísmo, ilusão e amor. A interpretação
ora era um solo admirável, ora
um coletivo que compunha cenas
teatrais mais expressivas do
que se estivessem com falas,
ora expressões corpóreas estáticas
que davam vida à nossa
imaginação. O cenário modificava-se
a cada ato e transformava aquele
mundo imaginário em real.

Todas
as bailarinas e bailarinos foram
absurdamente performáticos e
perfeitos na simetria, nos passos
sutis e nos giros ousados. No
elenco havia algumas crianças
e era nítida a disciplina dos
pequenos, como também
seu amor pela dança.
Estar naquele
palco em um dia tão especial
do Festival não é
tarefa fácil. Isso nos
faz pensar no tamanho da dedicação
que cada um teve para chegar
onde estavam. Entre as danças,
acho a mais complexa. A solista
russa, na ponta dos pés e na
posição de bailarina de caixinha
de música, fez vinte giros sem
parar (Sim, eu contei!). É
encantador e alucinante. Meninas
e meninos de oito ou nove anos
mostrando que não há idade para
o balé, já demonstrando um grande
conhecimento e técnica.
Assistindo a um
espetáculo como o Don Quixote
percebo que Fischer tem razão,
a arte é na essência mágica
e nos faz viajar para um mundo
além do real.
A Cidade das
Flores respira dança
todos os anos
Além da
Noite de Gala, ao lado do Centreventos
ocorria também a Feira
da Sapatilha. Um espaço
que reúniu diversas lojas
especializadas, escolas e empresas
de turismo, artesanato e gastronomia.
O cronograma total do Festival
foi o seguinte: Noite de Abertura
- Noite de Gala - Noite dos
Campeões - Mostra Competitiva
- Mostra Meia Ponta - Mostra
de Dança Contemporânea - Palcos
Abertos - Cursos e Oficinas
- Seminários de Dança - Feira
da Sapatilha - Encontro das
Ruas. Quer mais? Uma difusão
de arte impressionante.
Pergunto apenas:
Por que Florianópolis
não respira algo também,
além do turismo?
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