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O De Raiz - Casa de Samba
e Reggae fez a noite mais roots
do ano, até agora!
Noite estrelada, friozinho
gostoso, lua crescente, mês
de maio, em frente às dunas
da Joaca (uma das praias mais
famosas de Floripa)... um lugar
que promove cultura e arte.
Assim foi a noite do dia 10
no De Raiz - Casa de Samba e
Reggae, ambiente perfeito para
um show como o do Ventania.
Já eram três e pouco da manhã,
o céu continuava lindo, duas
bandas locais já animaram a
galera: Kingston e Pensamento
Rasta. A Kingston, depois do
show, passou nas mesas oferecendo
seu CD independente por R$ 5,00.
Claro que a "raça" deu uma força.
Até que o duende de São Thomé
das Letras resolve subir e mostrar
o porquê de tanto sucesso. Aliás,
a casa estava cheia, alguns
foram embora, pois não agüentaram
até as altas horas do show,
mas a maioria ficou ali firme.
A casa permaneceu lotada. Por
ali, havia vários "chapéus"
iguais ao do Ventania, CD superindependente
e vários trabalhos de artesanato
espalhados em volta da pista
de dança.
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Preciso abrir aspas para falar
do bar De Raiz, do querido Timba,
homem de personalidade forte
e que não deixa a peteca cair,
que acertou mais uma vez. Se
faz algum tempo que você não
vai ao bar, é a hora de se atualizar...
ele está todo reformado. No
ar livre, um palco, espaço para
dançar e em volta vários "quiosquinhos".
E já sei que toda quinta-feira
rola um caldinho e comidinhas
também. Confira a agenda do
Guia
Floripa e se programe.
Voltando ao show... subiu ao
palco um ser humano barbudo
com nome de batismo Wilson,
com uma capa, chinelo de São
Francisco de Assis (como meu
amigo Façanha descreveu), um
chapéu de mago e um violão.
Na bateria, outro cara de dread
e barbão que delirava nas baquetas.
E na guitarra, outro cabeludo,
mas bem mais "senso comum".
A energia da noite estava bem
astral, Ventania deu espaço
para um carinha que queria roubar
a cena tocando gaita. O cantor
com olhar sereno e calmo nem
se incomodou. Às vezes ele tinha
até que dar uma olhadinha meio
assim para o moço... porque
afinal de contas ele precisava
continuar o show. Mas foi interessante
esta participação improvisada.
No repertório, músicas do CD
Só Para Loucos, uma produção
independente, com acordes bem
simples. Aliás, a música Só
para os Loucos é originalmente
uma composição do vocalista
da banda Black Zé, banda de
rock dos anos 70. Alguém
lembra?
A história do Ventania
é bacana. Ele começou
bem cedo, já na adolescência
resolveu ir pra estrada. E o
que mais me admira é que ele
é o cantor mais famoso entre
a galera mais roots.
Infelizmente, não vivemos no
mundo utópico de outrora, aqui
a sociedade é recriminadora,
preconceituosa e elitizada.
Mas a sociedade alternativa
existe. E há vários
adeptos dela.
Pelos nomes das músicas dá
para se ter uma idéia do que
Ventania proclama com suas letras:
Cogumelo Azul, Cama
de Micróbio, Símbolo
da Paz, Dichavando,
Maconha, Marasmo,
Sonho de um maluco, Só
para Loucos, Maluco de
BR. As músicas falam do
cotidiano de um micróbio de
BR. Ok, Ok... pausa para explicar
o "que vem a ser isso":
Começamos pelo princípio. Na
década de 60 estourou o movimento
hippie, várias pessoas proclamando
a paz e o amor, a igualdade
racial e sexual, a liberdade
de expressão e toda utopia de
um mundo mais justo. Com o passar
do tempo, como todo movimento
cultural, ele se transformou.
Hoje ainda existem alguns remanescentes
do mundo hippie por aí, mas
a maioria do pessoal que você
encontra pelas feiras e ruas
já se intitula como Micróbio
de BR, Maluco de estrada ou
artesão.
Agora que já sabem
o que é Micróbio,
voltemos ao show. As músicas
relatam realmente sem pudor
a vida na BR. Falam das drogas,
principalmente da maconha e
do cogumelo, da coragem que
um maluco tem que ter para sobreviver
pelos matos, dos sonhos de liberdade,
do desejo de colocar o pé na
estrada e sair sem rumo.
Agora, pessoalmente, ir ao
show do Ventania é um desejo
de longa data... Em 2006, fiz
um documentário na disciplina
de Realidade sócio-econômica
e com ele resolvi mostrar como
era a vida de hippie. E neste
universo descobri o Ventania.
Assim ele se tornou a trilha
sonora do meu vídeo. Foi exatamente
nesta época que comecei
a perceber que realmente a sociedade
está carregada de preconceitos
e resolvi me abster de tudo
isso. E pensar mais nas pessoas
como seres humanos do que como
bichos ou gente estranha.
Admiro todas as formas de expressão
e cultura. Se eu pudesse pegava
uma câmera e saía por aí registrando
todos os pensamentos dos punks,
hippies, patricinhas, pagodeiros,
bichos grilos... e tentaria
mostrar o outro lado, uma nova
realidade para aquelas pessoas
que não entendem e só
discriminam o diferente.
Gandhi disse: "Não quero
que minha casa seja cercada
por muros de todos os lados
e que as minhas janelas estejam
tapadas. Quero que as culturas
de todos os povos andem pela
minha casa com o máximo de liberdade
possível". E é nisso que
acredito. Afinal, é mais fácil
quebrar um átomo do que um preconceito.
Mas o show do Ventania continua
a percorrer todo o Brasil, e
seja sempre bem-vindo à
Ilha, "seu duende".
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