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O palco do
Floripa Music Hall recebeu uma
das grandes figuras da nossa
música e cultura popular.

Pela casa cheia
nem preciso dizer que o estacionamento
do Floripa Music Hall às 21h30
já estava lotado de carros.
O Terminal Rodoviário entupido.
Pessoas bem arrumadas vinham
caminhando de longas quadras.
Os arredores da casa todos sem
espaço. Quem chegou atrasado
teve dificuldades para encontrar
um lugar para estacionar. Porém
lá dentro do Floripa estava
tudo em cima, pessoal acomodado
nas cadeiras, no vão e nos camarotes.
Muitos casais de meia-idade
e jovens, alguns solteiros e
quase nenhum jovem com menos
de 20 anos. Poderia classificar
o público numa faixa etária
de 22 a 70 anos. E todos pra
lá de animados. No vão,
quem não tinha um parceiro tratou
de arrumar um rapidinho. Ninguém
merece estar sozinho nas músicas
mais dançantes, não é
mesmo?. O repertório contemplou
músicas de toda a sua carreira.
Entre elas, Avôhai, Admirável
Gado Novo, Taxi Lunar
e Chão de Giz.
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A singularidade
da voz do Zé Ramalho ecoou em
todos os cantos do Floripa Music
Hall encantando, com seu carisma,
a platéia ávida por um espetáculo
genuinamente brasileiro. O jeito
humilde e simples é evidente
no semblante do menino de Brejo
do Cruz, nos confins do agreste
paraibano.
Mesmo
depois de trinta anos do seu
primeiro disco, o paraibano
ainda impressiona com shows
inesquecíveis e cheios de emoção.
Este figurão da cultura musical
compõe músicas recheadas de
ideologias, bem diferente das
composições que surgem atualmente
no mercado fonográfico brasileiro.
Não são refrões fáceis e idiotas
feitos realmente para fixar
nas cabeças. Muito pelo contrário,
são músicas que
contam uma história,
relatam um fato inusitado, exploram
a realidade nordestina, a pobreza,
a prostituição,
o amor. Quem gosta de Zé Ramalho,
no mínimo, tem um ouvido crítico.
Ele canta e toca
com o coração; parada ali olhando
este homem bem de perto é
perceptível o tamanho
do prazer que ele sente em estar
no palco. A sensação
que nos transmite é de
pura paixão pelo o que
está fazendo. E a cada
canção mais famosa,
os gritos da platéia.
Um coro arrepiante, realmente.
Posso até
abusar e dizer que você
até pode já ter
visto o Zé Ramalho em
outrora, mas este show em especial
foi inesquecível. Quem
não foi perdeu uma noite
maravilhosa.
Depois de todo
o êxtase das quase duas
horas de show, em gesto de benção,
ele termina dizendo com aquela
voz tonitruante: "Vocês que
fazem parte desta massa, Obrigado!".
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