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Uma
tragicomédia da família moderna.
Um
casal apaixonado, com um filho
universitário, nada parecia
abalar aquela relação construída
há tantos anos. Pais liberais,
aceitavam sem preconceitos -
ou quase - a opção sexual do
filho Bill, interpretado por
Gustavo Machado. José Wilker
é Martin, um senhor de 50 anos,
que tem uma carreira brilhante
como arquiteto.
Todo o espetáculo se realiza
na sala de estar do casal Martin
e Stella. O cenário, em princípio,
de uma casa bem arrumada, bonita,
com estilo, aos poucos vai se
estilhaçando conforme desmorona
a relação familiar. O que começa
em tom de humor passa a causar
uma sensação inquietante na
plateia.
A trama se inicia quando o amigo
da família, Rossi, interpretado
por Norival Rizzo, escreve uma
carta para Stella, personagem
de Denise Del Vecchio, contando
sobre o caso de Martin com Sylvia,
uma cabra que conheceu quando
buscava um ambiente bucólico
para passar um tempo com a família.
Martin vê na atitude de Rossi
uma traição da amizade dos dois,
mas a partir daquele momento
não tem como escapar, é preciso
explicar à sua esposa sobre
o seu caso extraconjugal.
Mais que uma ruptura
dos valores morais de uma sociedade,
A Cabra ou Quem é Sylvia?
mostra, de forma cômica, a degradação
do que seria o ideal de família
perfeita. O casamento chega
ao fim, marido e mulher estão
em crise, o filho sofre as conseqüências
deste caos. O absurdo entra
em cena.
Como reestabelecer laços interpessoais?
Como voltar a normalidade após
a revelação de um segredo avassalador?
Como aceitar o inaceitável?
São questões colocadas pelo
espetáculo, mas que deixa o
público sem resposta, talvez
pelo simples motivo de que essas
respostas não existem. O texto
ainda menciona o incesto e a
pedofilia. Se o objetivo foi
chocar, a peça alcançou o sucesso
em várias passagens.
A Cabra ou
Quem é Sylvia? Foi escrita
pelo dramaturgo americano Edward
Albee e dirigida por Jô Soares.
Florianópolis pode assistir
ao espetáculo no último fim
de semana, dias 31 de julho,
1 e 2 de agosto, no Teatro Pedro
Ivo.
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