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Desfiles da
Petit-Pavé e Pink Lou
recebem aplausos fervorosos
do público. E fazem a
jornalista parar para pensar.
All star desamarrado,
barra da calça por fazer e uma
camiseta de rock'n roll. Desfile?
Não. Essa era eu entrando no
Donna Fashion DC com
uma câmera fotográfica na mão.
Fui para o lugar destinado à
imprensa; lá, achei outros como
eu, e fotografei os desfiles.
Em meio às roupas e modelos
que desfilavam e ao público,
que as acompanhava como a um
lento jogo de tênis, esqueci-me
completamente de prestar atenção
nas coleções. Viajei mesmo,
segundo a gíria. Mas pensei
em Foucault. Pensei nos poderes
disciplinares. E pensei mais
ainda em Valerie Steel,
que não é nenhuma estilista,
mas escreveu um livro muito
interessante que li recentemente:
Fetiche: moda, sexo e poder
(Rocco, 1997). E é por isso
que estou eu aqui, numa coluna
de moda, dando uma dica de literatura.
Até porque, baseando-me na anuidade
do meu all star azul, nada de
muito interessante sairia sobre
coleções primavera/verão.
Mas voltando a
Steel. O que é interessante
desse livro, é que ela aborda
o fetichismo com um enfoque
cultural e dá a letra do que
realmente mostra (ou esconde)
uma roupa que é cultuada. Tudo
bem, na maioria das vezes ela
está falando sobre roupas de
couro, botas de saltos inefáveis
e uma ou outra prática sexual.
Mas não foi Christian Dior,
em 1947, que criou o new look
- o modelo de elegância feminina
na década de 1950 - que erotizava
(e esmagava) a cintura da mulher?
E quanto a Vivienne Westwood
ou John Galliano? Não sei, mas
depois dessa leitura, acho que
a moda Donna Fashion DC,
um subproduto dos grandes cânones
da moda mundial, também tem
um resquício do fetichismo de
Steel.
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