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O Folianópolis 2009 chega
ao fim, assim como o preconceito,
deixando ainda mais espaço
para a diversão.
Aos 15 anos,
quando era fã de Led Zeppelin
e Ozzy Osbourne, não me imaginava
aqui. Em 2007, venci o preconceito
e comprei o meu primeiro abadá.
Tinha dificuldades em diferenciar
abadá de micareta - achava que
uma coisa era outra -, mas agora
já me acostumei com as expressões.
Sei, por exemplo, que Chiclete
com Banana e Asa de Águia são
os reis da micareta. Neste ano,
o Folianópolis conseguiu juntar
a fina flor do axé, trazendo
os dois grupos para o trio elétrico
de Floripa.
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Escolhi o sábado
e me mandei para o carnaval
fora de época. Batom na Cueca
agitou a galera, embaixo de
chuva leve e insistente, com
simpatia e animação contagiantes.
Mas o Asa de Águia mostrou o
porquê da majestade. Logo que
entrou, a multidão, de abadá,
seguiu o trio alucinadamente.
As pessoas do camarote ficaram
em polvorosa e toda a Nego Quirido
vibrou com o grupo. A arquibancada
também se movimentava pra lá
e pra cá, sem perder a compostura.
Percebi que conhecia várias
músicas, e até senti vergonha
por isso - fruto do remorso
pelo abandono dos deuses da
guitarra. Mas Durvalino, do
Asa, também arriscou alguns
solos (que Jimi Hendrix não
lhe ouça!).
A chuva fez os corpos parecerem
ainda mais animados com a entoada
baiana. Cabelos encharcados
e abadás colados aos corpos
completaram o cenário de país
tropical abençoado por Deus.
Que beleza!
Precisei sair antes do previsto
porque a chuva não estava prosa.
Cambaleei, de fadiga e emoção,
tropeçando nas poças d'água,
até o estacionamento. Dei partida
no carro e, encharcada, fui
embora, com a alma lavada. Que
Mick Jagger me perdoe...
Oliveira.
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