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Festa
de 21 anos.
Se você não é Dasantigas
nem comece a ler.
Tudo bem, vamos dar uma chance, porque
nem eu sou tão dasantigas
assim.
Se você tomou sorvete na Baraúna
enquanto aguardava a seção
do Cine Hits ou do Cecontur depois de
ter saído do Cine São
José; passou a pé na Ponte
Hercílio Luz; foi ao Berro Dágua;
viu show do Da Rua e foi ao Conexão
I; então você é
quase Dasantigas.
Você que não tem a mínima
idéia do que eu estou falando
também pode ler, mas sente aí
no ladinho, fique à vontade e
preste atenção.
Ir
ao Armazém Vieira é sempre
um convite a relembrar o que é
bom.
Ainda me lembro da primeira vez em que
fui à casa. Foi em 1990, quando
eles cederam espaço para alguns
artistas plásticos de uma escola
de pintura exporem suas obras, dentre
eles minha mãe. Na época
eu tinha 12 anos de idade. Lembro-me
bem que fiquei espantado ao ver aqueles
barris gigantes de cachaça lá
atrás do bar. Muitos anos depois
tive a felicidade de estar naquele palco
à frente da Banda Jackie Brown
e sentir toda a energia do público
cativo do bar.
 
Nada melhor para relembrar o que é
bom do que a banda Dasantigas.
Para quem cresceu vendo o Grego e o
Faraco tocar, tinha certeza de que boa
coisa estava por vir. Eu nem sabia o
que era um acorde e eles já debulhavam
todas aquelas sonzeira que
estavam nos meus discos de vinil. Sinto
vergonha desse ter sido o primeiro show
a que assisti, mas fazia tempo que eu
tinha vontade.
Sempre que começo a analisar
uma banda, começo pela cozinha.
Mas cadê o batera? Fica aí
a dica para ganhar mais mobilidade,
pois bandas que usam seqüência
ficam presas
a ela. Tava tudo redondinho, o trio
de metais que estava lá no segundo
andar dava cor ao trabalho feito por
toda a banda, mas as crooners
roubaram a cena e deram um show à
parte pois, além de talento,
esbanjavam simpatia.
Essa eclética Big Band
apresentou grandes clássicos
da Discotheque. De Kool and
the Gang, Kc and Sunshine Band e Bee
Gees a Erasmo Carlos, Frenéticas
e Rita Lee. O show é muito descontraído
e para minha surpresa rolou até
a música do 007. Fizeram,
com muita competência, todo mundo
cantar e dançar vários
Hits dos anos 60/70/80. Parecia até
uma festinha americana.
No telão, fotos de uma Floripa
que deixa saudades, de um tempo em que
o próprio tempo parecia andar
mais devagar.
 
O bar completa 21 anos com a casa
cheia de amigos, um público alegre,
gentil e descontraído que faz
cada noite parecer única. E as
gerações se renovam numa
casa que respeita tanto o seu público
quanto os músicos que tocam lá,
pois sabem que deles também depende
o sucesso da noite.
Feliz aniversário Armazém
Vieira!
Espero estar na festa de 40 anos.
*
do livro Você é Dasantigas
de Luiz Aurélio Baptista. |