COLUNA
GUIA FLORIPA
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de responsabilidade dos
autores e não refletem, necessariamente, a
opinião do Guia Floripa.
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| Dasantigas:
Ecletismo sem Limites |
13/03/06
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Noite
de sábado, 11 de março, no El Divino
Lounge. Fui convidado para o lançamento
do livro O manezinho que nasceu ao
contrário, do Luiz Aurélio Baptista,
tecladista do Dasantigas. De lambuja,
obviamente, ia ter mais um baile-show
da banda, com promessa de casa cheia.
Cheguei um pouco antes das 23h, cumprimentei
o autor, garanti meu exemplar (por apenas
10 reais) e saí catando um lugarzinho
legal, que desse pra ver o palco de
cima. No mezanino, encontrei um casal
de namorados que ocupava o cantinho
de um sofá pra dez pessoas. Fui sentando
e me ajeitando. Aí o carinha largou
a mina e chegou mais perto pra gritar
no meu ouvido que o espaço estava todo
reservado pra ele, que já iam chegar
uns amigos e coisa e tal. Beleza, fiquei
de pé mesmo.
Imagens de propagandas
do passado e fotos dos bons tempos da
nossa Ilha de casos e ocasos raros se
alternavam no telão. Para os convidados,
tinha balas 7 Belo e Dadinhos Dizioli
à vontade. No palco, pequeno pra tanta
gente, com naipe de metais, contrabaixo,
guitarra, violão, teclado, percussão
e quatro vocais, o Grego (sim, aquele
do Immigrant) anunciava o início da
festa. Estranho, muito estranho, ver
uma banda sem baterista. Ainda mais
pra quem tem aspirações de se parecer
com Pholhas, Incríveis ou Fevers. De
cara, Save a prayer, do Duran
Duran, foi brutalmente assassinada.
Mais tarde eu sacaria que as duas músicas
dos anos oitenta (a outra era Footloose,
do Kenny Loggins) estavam ali por que
alguém viajou na hora de listar as canções
da noite. O barato do Dasantigas é mesmo,
estritamente, anos sessenta e setenta,
ou seja, o público usuário de Grecin
2000 e tinturas equivalentes. Nada contra
nem a favor nem muito pelo contrário,
afinal, diversão não tem idade. E o
preparo físico dessa turma com mais
de quarenta é de dar inveja. Bem, só
sei que a coisa se consertou com boas
lembranças da Jovem Guarda (Eu sou
terrível), dos Beatles (Please,
Mr. Postman, versão dos Carpenters),
da época da discoteca (Celebration),
da era hippie (Age of Aquarious),
do rock nacional (Agora só falta
você, na versão acústica, infelizmente)
e até do cinema (To Sir with Love).
Os momentos de perfeição
musical foram apenas três: em Have
you ever seen the rain?, do Creedence;
em
Pretty Woman, do Roy Orbison
e em Loves in the Air, do excêntrico
John Paul Young. Esta última no segundo
bloco, depois de um interminável e insuportável
intervalo em que o DJ Robson, provavelmente
nascido depois que o rock já havia morrido,
ali na virada para os anos noventa,
conseguiu ir de Celly Campello a Kid
Abelha em menos de quinze minutos, sem
nenhum pudor e sem nenhuma noção. Tá
certo, matou a pau com John Mellencamp,
mas foi só. Dasantigas de volta, passando
das duas da madrugada, cochichei profeticamente
no ouvido do meu fotógrafo: “Se tocarem
Yellow River, eu vou embora”.
Pois não é que tocaram mesmo? Fui saindo
sem constrangimento, entre coroas bêbados
e mulheres que roubaram as roupas das
filhas, pois colhera elementos mais
do que suficientes pra escrever a crônica
do Guia Floripa. No sofá de dez lugares,
solitariamente, ainda estavam o bobalhão
e sua namorada, ambos com uma incrível
cara de bunda. Depois do show do Dasantigas,
foi a parte mais divertida e gratificante
da noite.
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Alessandro
Dogman
dogman@uol.com.br
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Réplica da banda Dasantigas
Entre tantas, embora inteligente,
esta foi a crítica mais sincera e
dura que recebemos. Não é fácil ler,
depois de tanto trabalho "De
cara, Save a prayer, do Duran
Duran, foi brutalmente assassinada"
ou "Os momentos de perfeição
musical foram apenas três em Have
you ever seen the rain?, do Creedence;
em Pretty Woman, do Roy Orbison
e em Loves in the Air, do excêntrico
John Paul Young". Ainda mais
divulgada no Guia Floripa para aqueles
que não conhecem o nosso trabalho,
contudo é uma opinião, não sei se
de todos do Guia Floripa, mas é uma
opinião e, como estamos no palco,
sabemos que estamos sujeitos às
mais diversas opiniões.
É difícil, realmente difícil, agradar
a todos! Nunca escondemos o fato de
que somos profissionais das mais diversas
áreas e, nas horas vagas, músicos,
e não grandes músicos profissionais.
Se você não sabia, desculpe, mas sempre
divulgamos isto na imprensa e no próprio
Guia Floripa. Porém, ensaiamos muito,
principalmente vocais e acho que,
na média, agradamos, com muito suor,
mas agradamos. O público aumenta a
cada show, e já temos dificuldade
para arrumar um lugar para tocar com
tamanho suficiente para acomodar a
todos. A agenda está lotada até o
início do próximo ano! Olha a ignorância
musical desse público e produtores!!!!
Imaginamos que, com criatividade,
fizemos algo novo, tocamos músicas
que outras bandas não tocam. O vocalista
brinca com o público, adicionamos
imagens, etc. Mantemos o pessoal dançando,
enfim, com essa tal qualidade que
você coloca, reunimos centenas de
trintões, quarentões e cinquentões,
talvez sem opção noturna, para se
divertirem e muito. Como tudo iniciou
como uma brincadeira e já estamos
meio velhos, não espere de nós muito
mais que isto! Uma brincadeira entre
amigos... feita com o maior profissionalismo
possível, mas uma brincadeira entre
amigos. Um encontro de pessoas que
gostam de relembrar a juventude e
até Yellow River que fez você
ir embora.
Humildemente, sem demagogia, sabemos
que é sucesso meio bêbado e passageiro,
porém real e que já vem durando oito
anos! Não imaginas a quantidade de
e-mail que recebemos hoje elogiando
a noite! Por isso a tua crítica, embora
convide para reflexão, não dói tanto.
Grato por comprar o livro... espero
que goste da história e da estória.
Grato também pela cobertura do Guia
Floripa (sei que não é fácil escrever
um texto assim, com tantos registros).
Fica o convite para o próximo show!
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Luiz
Aurélio Baptista - Tecladista
do Dasantigas
bandadasantigas@uol.com.br
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