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Floripa Fashion: Minha Primeira Vez
15/03/06
 

Terça-feira, 14 de março, quase 22h, na sobreloja do CentroSul. Primeira noite de desfiles do Floripa Fashion Donna DC e, por acaso, também a minha primeira vez num evento desse tipo. Deduzi, logicamente, pelo histórico das promoções locais, que deveria estar preparado para algo mais parecido com o Bom Retiro Fashion Business do que com a São Paulo Fashion Week. Meu convite era para ver a coleção outono-inverno da Brix Jeans, de Rio do Sul, uma marca relativamente desconhecida. No entanto, a fila de entrada não estava nada pequena: mães e filhas menores em dupla, filhas maiores sozinhas, marmanjos quase iguais entre si (com mais ou com menos gel no cabelo), poucos casais de namorados, seguranças, turma das credenciais pra lá e pra cá, aspirantes a modelo acima de um metro e oitenta e menos de cinqüenta quilos, aspirantes a garota-propaganda Dove abaixo de um metro e cinqüenta e mais oitenta quilos, imprensa, alguns fotógrafos profissionais, curiosos, estudantes de moda; enfim, na média geral, gente bonita pra todos os gostos aguardando o fim do desfile anterior, que só acabou depois de cansativos quarenta e cinco minutos.

A julgar pela cafoníssima sacolinha com estampa de oncinha que algumas senhoras ganharam de brinde e carregavam pelos corredores acarpetados, agradeci por não ter assistido ao desfile do Gesoni Pawlick. Mais tarde, pela televisão, percebi que o cara é bom mesmo, que faz roupas um tanto carnavalescas, porém extremamente luxuosas, e que pecou apenas na sacolinha.

Só sei que a fila andou e, em menos de dez minutos, o salão principal estava lotado. Decoração gregoriana, boa estrutura, telões, luzes, som de ótima qualidade, cadeiras confortáveis para os convidados e algumas numeradas, no gargarejo. Ao meu lado assentou-se uma morena com cara de poucos amigos, estudante de moda do Senac. Com uma pranchetinha na mão, ela fazia anotações (aparentemente sem nenhum sentido) e falava sozinha. Resmungou que estava ali porque era obrigada e que se recusara a ficar guardando lugar para os vips na beirada da passarela. Vips? Ah, claro, pessoas importantes ou famosas. Procurei bem e não encontrei nenhum escritor, poeta, músico, compositor, ator, inventor, pesquisador, pintor, crítico de arte, dançarino, atleta olímpico, etc. Não é por nada não, mas acho que os “vips” faltaram.

A primeira modelo, ruivinha, magrinha, com um enorme arranjo de cabeça todo em tule, vestia calça jeans e blusinha. Depois veio o Cauã Reymond (piá simpático, encantador de coroas da novela das oito), de calça jeans e camiseta. Estava explicado, então, o porquê da platéia cheia de tietes, cada uma com sua câmera digital. Antes que ele saísse, uma outra menina, em altíssima velocidade, já vinha entrando também de calça jeans e blusinha. A seguinte, surpreendentemente, trajava calça jeans e blusinha. Tudo bem, era um casaquinho, vá lá. Na seqüência, sem perder o pique da falta de criatividade, outras meninas e meninos desfilaram seus jeans e blusinhas, camisetas ou casaquinhos. Eventualmente, um vestidinho. E teve mais Cauã Reymond, agora mandando beijos pra torcida, mais correria e, em menos de vinte minutos, tudo acabado. O jovem galã global surgiu pela última vez trazendo o estilista para receber os aplausos de um público pouco entusiasmado. Dizem que o ator (sic) ganhou onze mil reais de cachê; já o(a)s modelinhos coadjuvantes levaram duzentão, mais o lanche e o passe.

A bem da verdade, com olhos de um ás no mundo da moda, não notei a mínima diferença entre as roupas da Brix Jeans e as de outras grifes concorrentes, como a Bad Cat ou a Boby Blues, por exemplo, responsáveis por deixar quase todas as adolescentes locais, da classe média pra cima, com a mesma aparência entre si: insossas e espremidas num manequim no qual não cabem. Como numa sessão de cinema (de curta-metragem), as luzes se acenderam sem que os letreiros finais aparecessem na tela. Uma voz do além, pelo poderoso sistema de som, pedia gentilmente: “Caros amigos, queiram debandar, senão o próximo desfile atrasa”. E o que vinha depois era Ronaldo Fraga. Não que eu estivesse interessadíssimo nas novas tendências outono-inverno das outras coleções, é que corriam boatos de que, em algum momento, mais cedo ou mais tarde, desfilariam no Floripa Fashion a bela Giani Albertoni, a encantadora Isabela Fiorentino e até a feiosa da Mariana Weickert. Eu só vi o Cauã Reymond... sacanagem, pô!


Alessandro Dogman
dogman@uol.com.br

 


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