|
Terça-feira, 14 de
março, quase 22h, na sobreloja do CentroSul.
Primeira noite de desfiles do Floripa
Fashion Donna DC e, por acaso, também
a minha primeira vez num evento desse
tipo. Deduzi, logicamente, pelo histórico
das promoções locais, que deveria estar
preparado para algo mais parecido com
o Bom Retiro Fashion Business do que
com a São Paulo Fashion Week. Meu convite
era para ver a coleção outono-inverno
da Brix Jeans, de Rio do Sul, uma marca
relativamente desconhecida. No entanto,
a fila de entrada não estava nada pequena:
mães e filhas menores em dupla, filhas
maiores sozinhas, marmanjos quase iguais
entre si (com mais ou com menos gel
no cabelo), poucos casais de namorados,
seguranças, turma das credenciais pra
lá e pra cá, aspirantes a modelo acima
de um metro e oitenta e menos de cinqüenta
quilos, aspirantes a garota-propaganda
Dove abaixo de um metro e cinqüenta
e mais oitenta quilos, imprensa, alguns
fotógrafos profissionais, curiosos,
estudantes de moda; enfim, na média
geral, gente bonita pra todos os gostos
aguardando o fim do desfile anterior,
que só acabou depois de cansativos quarenta
e cinco minutos.
A julgar pela cafoníssima
sacolinha com estampa de oncinha que
algumas senhoras ganharam de brinde
e carregavam pelos corredores acarpetados,
agradeci por não ter assistido ao desfile
do Gesoni Pawlick. Mais tarde, pela
televisão, percebi que o cara é bom
mesmo, que faz roupas um tanto carnavalescas,
porém extremamente luxuosas, e que pecou
apenas na sacolinha.
Só sei que a fila andou
e, em menos de dez minutos, o salão
principal estava lotado. Decoração gregoriana,
boa estrutura, telões, luzes, som de
ótima qualidade, cadeiras confortáveis
para os convidados e algumas numeradas,
no gargarejo. Ao meu lado assentou-se
uma morena com cara de poucos amigos,
estudante de moda do Senac. Com uma
pranchetinha na mão, ela fazia anotações
(aparentemente sem nenhum sentido) e
falava sozinha. Resmungou que estava
ali porque era obrigada e que se recusara
a ficar guardando lugar para os vips
na beirada da passarela. Vips? Ah, claro,
pessoas importantes ou famosas. Procurei
bem e não encontrei nenhum escritor,
poeta, músico, compositor, ator, inventor,
pesquisador, pintor, crítico de arte,
dançarino, atleta olímpico, etc. Não
é por nada não, mas acho que os “vips”
faltaram.
A primeira modelo,
ruivinha, magrinha, com um enorme arranjo
de cabeça todo em tule, vestia calça
jeans e blusinha. Depois veio o Cauã
Reymond (piá simpático, encantador de
coroas da novela das oito), de calça
jeans e camiseta. Estava explicado,
então, o porquê da platéia cheia de
tietes, cada uma com sua câmera digital.
Antes que ele saísse, uma outra menina,
em altíssima velocidade, já vinha entrando
também de calça jeans e blusinha. A
seguinte, surpreendentemente, trajava
calça jeans e blusinha. Tudo bem, era
um casaquinho, vá lá. Na seqüência,
sem perder o pique da falta de criatividade,
outras meninas e meninos desfilaram
seus jeans e blusinhas, camisetas ou
casaquinhos. Eventualmente, um vestidinho.
E teve mais Cauã Reymond, agora mandando
beijos pra torcida, mais correria e,
em menos de vinte minutos, tudo acabado.
O jovem galã global surgiu pela última
vez trazendo o estilista para receber
os aplausos de um público pouco entusiasmado.
Dizem que o ator (sic) ganhou
onze mil reais de cachê; já o(a)s modelinhos
coadjuvantes levaram duzentão, mais
o lanche e o passe.
A bem da verdade, com
olhos de um ás no mundo da moda, não
notei a mínima diferença entre as roupas
da Brix Jeans e as de outras grifes
concorrentes, como a Bad Cat ou a Boby
Blues, por exemplo, responsáveis por
deixar quase todas as adolescentes locais,
da classe média pra cima, com a mesma
aparência entre si: insossas e espremidas
num manequim no qual não cabem. Como
numa sessão de cinema (de curta-metragem),
as luzes se acenderam sem que os letreiros
finais aparecessem na tela. Uma voz
do além, pelo poderoso sistema de som,
pedia gentilmente: “Caros amigos, queiram
debandar, senão o próximo desfile atrasa”.
E o que vinha depois era Ronaldo Fraga.
Não que eu estivesse interessadíssimo
nas novas tendências outono-inverno
das outras coleções, é que corriam boatos
de que, em algum momento, mais cedo
ou mais tarde, desfilariam no Floripa
Fashion a bela Giani Albertoni, a encantadora
Isabela Fiorentino e até a feiosa da
Mariana Weickert. Eu só vi o Cauã Reymond...
sacanagem, pô!
|