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Brasilianos
podia ser só um disco, mas
também é um manifesto
musical. Do Brasil para o Brasil e para
o mundo. São músicas,
em sua maioria, que podem ser executadas
por um simples assobio, ou por uma orquestra.
(Hamilton de Holanda)
Fazia algum tempo que não assistia
um show de Hamilton de Holanda. Talvez
desde 1999, quando ainda morava em Brasília
e freqüentava vez ou outra o Clube
do Choro. Foi lá que conheci
esse grande bandolinista. Na época,
acompanhado pelo seu irmão e
parceiro musical, o violonista Fernando
César, no duo Dois de Ouro.
E eis a surpresa: Hamilton de Holanda
chega a Floripa pela primeira vez, nesta
quarta-feira, no Teatro Álvaro
de Carvalho. O público estava
ansioso pelos acordes do músico
que é considerado como o 'maior
bandolinista do mundo', por nada mais
nada menos que o multi-instrumentista
Hermeto Pascoal.
Dessa
vez, o bandolinista faz uma turnê
com O Hamilton de Holanda Quinteto
que reúne os talentosos músicos
Márcio Bahia, na bateria, o genial
baixista André Vasconcelos, Daniel
Santigo, no violão, e Gabriel
Grossi, na harmônica diatônica.
Este último roubou a cena no
show do TAC com seu virtuosismo e talento
na gaita. Nessa única apresentação
na cidade, o Quinteto divulgou
seu novo álbum: Brasilianos.
Carioca, Hamilton de Holanda
mudou-se para Brasília com um
ano de idade. Filho do violonista José
Américo de Oliveira, começou
a tocar bandolim aos seis anos. Ainda
na infância entrou na Escola de
Música de Brasília fazendo
curso de violino, uma vez que não
havia professor de bandolim e a afinação
dos dois instrumentos é a mesma.
Mas o destino se encarregou de deixar
cair nas mãos de Hamilton o instrumento
de seu trabalho: o doce bandolim.
Entre
a adolescência e os dias de hoje,
Hamilton tocou com Altamiro Carrilho,
Djavan, Hermeto Pascoal, Raphael Rabello,
Zélia Duncan, Beth Carvalho,
Seu Jorge, Cesaria Évora, Buena
Vista Social Club e John Paul Jones,
do Led Zeppellin. É pouco ou
quer mais? Desde gêneros que variam
do rock a mestres da música popular
brasileira, Hamilton soube aproveitar
essa mescla de sons no seu trabalho.
No entanto, o choro sempre teve um lugar
especial na preferência desse
artista. O bandolinista afirma, com
todo orgulho, que se fartou de beber
do universo do chorinho: (...) foi
o choro que me deu asas para fazer tudo
o que quero. Tanto no gênero
como no instrumento típico ele
já imprimiu sua marca autoral,
com seu bandolim de 10 cordas.
O bandolinista, de alma
carioca e coração brasiliense,
é considerado pelos críticos
da Biscoito Fino Gravadora (especializada
no gênero musical instrumental),
um músico contemporâneo
que tem a fluência de um improvisador
do jazz, a energia de um roqueiro, o
swing de um sambista, a precisão
de um músico erudito, o vocabulário
da música brasileira e o inesperado
toque do gênio.
Brasilianos
é um levante artístico.
Brasilianos é um grito
de esperança para que o Brasil
conheça o Brasil.
Brasilianos é uma leitura de
um Brasil erudito e contemporâneo
(...)
Viva o Brasil e seus Brasilianos.
Brasilianos
- Hamilton de Holanda Quinteto
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