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O
clima frio pedia uma noite agradável
com boa bebida, um bom papo em muito
boa companhia e boa música num lugar
aconchegante. Já sabíamos o que esperar
do local e de músicos com vários quilômetros
de rodagem em outras bandas da Ilha.
Os Heartfakers são: Rodrigo Daca (Voz),
Maurício Peixoto (Guitarra) André Balbino
(Baixo) e Marcelo Peixoto (Bateria).
Na noite de estréia trouxeram o guitarrista
Ulysses Dutra para uma participação
especial que se repetirá com outros
músicos nas noites decorrentes.
Em plena terça-feira, no Chicago Pub,
um bar que tem ambiente inspirado nos
pubs norte-americanos, a noite segue
o seu script à risca.
Um
clima de nostalgia embalado por grandes
clássicos da música negra americana
permeava o ar fazendo com que se criasse
uma esfera envolvente e perfeita. Se
não fossem os agradecimentos em português,
a imagem que se formaria em minha mente
era a de que estávamos em algum lugar
no sul dos EUA.
É muito difícil definir amigos, então
peço licença para usar as próprias palavras
da banda para descrevê-la.
"Enganadores de coração. O nome diz
tudo. Longe do purismo barato - afinal,
eles são branquinhos, de classe média
e nunca colheram algodão no sul dos
EUA, os Heartfakers se apropriam das
raízes da música negra, subvertem seus
valores e nos mostram suas versões de
músicas de M uddy
Waters, Robert Johnson, B.B. King, Marvin
Gaye, Ray Charles, Jimmy Reed e outros.
Versões despretensiosas, tocadas menos
com técnica e mais com o sentimento
que o gênero pede e propõe, mostrando
todos os anos de estrada acumulados
pelos integrantes da banda. Até porque
eles não são mais guris. Todos, sem
exceção fizeram ou fazem parte de importantes
bandas do cenário catarinense, trazendo
na bagagem toda a experiência necessária
para o trabalho.
Além de tudo, eles são abusados. Incluíram
no repertório clássicos do soulman brasileiro
Tim Maia e canções bluseiras de Roberto
Carlos, só pra dar uma provocada nos
tradicionalistas. Por esse mesmo motivo,
para eles, fazer igual não vale. Tem
que ter tesão e inventividade, para
reinventar o que já não pode ser mais
reinventado. Pra fazer de novo, ainda
que um pouquinho diferente, o que todos
já fizeram. Pra no final do show, todos
saírem de alma lavada, mesmo que eles
insistam em dizer que só estão enganando
o coração das pessoas."
A noite foi tão prazerosa e envolvente
que até esquecemos nossa câmera fotográfica
lá. Gostaria de agradecer publicamente
ao gentil pessoal do Chicago Pub que
guardou a nossa câmera cheia de registros
da noite.
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