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COLUNA GUIA FLORIPA
Diário virtual
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"Que viagem foi essa, brow!"
21/11/2008
 

Nossa Senhora da Paz beijou a pele de Floripa ontem com o Cordel do Fogo Encantado no John Bull Pub.

Na fila de entrada para o John Bull, quase chegando na esquina, o contraste era total. Uma das casas de rock mais consolidadas da Ilha recebeu nada mais, nada menos que Cordel do Fogo Encantado.

Se fizéssemos uma enquete, provavelmente, bem mais da metade das pessoas que estavam ali não freqüenta o local ou nem mesmo conhece a casa. Dreads e roupas despojadas substituíram os usuais modelitos de última moda. Mas uma coisa não foi diferente: a casa estava lotada. Já a energia, com certeza, era outra - e o cheiro também. É comum o questionamento sobre qual categoria de música eles se encaixam. E a verdade é que Cordel do Fogo Encantado é semelhante a nada mais que Cordel do Fogo Encantado.

Uma mistura fantástica de ritmos, que não se enquadram em nenhum estilo específico. Pular e "ser pulada" ao som de A quebradeira foi indescritível. Confesso que senti saudades das minhas botas! E mesmo munida de calçado mais adequado para se misturar à terceira fila, o pé não ficou ileso. Nas músicas mais agitadas, surgem "movimentos de ondas humanas". Bem diferente de outros shows, em que pular e se misturar nas energias é sinônimo de incômodo. Ali todos estavam em sintonia.

É impossível não dizer o óbvio sobre os caras. Eles são a denominação completa do que se pode chamar de Artista. O carisma e representação do vocalista, José Paes de Lira, a junção da música com o teatro, a empolgação e a alegria das pessoas fizeram do show um espetáculo completo. Ou quase completo. A verdade é que eles mereciam um local bem mais apropriado. Seus shows são sempre regados de performances que precisam de bastante espaço, o que não havia ali. A acústica também deixou a desejar. A voz de nosso querido Lira ficou abafada. Mesmo assim, a banda não decepcionou os fãs e acendeu o fogo encantado do Cordel.

Independente dos pequenos problemas estruturais, não há dúvidas de que o som da banda balançou até mesmo oo Beatles, Jimmy Hendrix e Rolling Stones pendurados nas paredes.

E viva Canudos!!!


Aline Carrijo e Dani Medeiros
aline2586@gmail.com
danielledemedeiros@gmail.com
Fotos: Divulgação

 
 

 
Ventania mais uma vez deu um show no luar do De Raiz
17/11/2008
 

O hippie viajante deixou sua mensagem de ideais de liberdade.

O cara é diferente, "mutcho loco, locomélo" e cheio de músicas de um CD só. O dia todo foi de chuva, mas São Pedro deu uma trégua ao anoitecer. O outro show feito pelo cantor de São Tomé das Letras (Confira a coluna), em março, estava bem mais lotado, mas não tinha uma lua como a da última quinta-feira. Como era de se esperar, o maluco começou a tocar já na madrugada. O show estava bem intimista, pouca gente, mas muita energia boa. A lua cheia estava delirante, havia uma auréola colorida impressionante, dá até para fazer uma analogia leiga de um arco-íris em volta da lua. Bem viagem de maluco, mas tudo bem. A verdade é que noite já valeu a pena pelo céu.

O show percorreu todos os grandes sucessos de Ventania: Cogumelos Azuis, Só para Loucos (caretas não...), A Malucada Pirou, Cama de Micróbio, Maluco de BR, O Diabo É Careta... entre algumas outras.

Já o De Raiz me surpreende a cada ida, o palco está estruturado mais no alto, uma grande e ampla pista com algumas cabanas na periferia, iluminação bacana e cerveja bem gelada. Timba e companhia merecem o reconhecimento, a casa evoluiu bastante. Além do visual maravilhoso das dunas da Joaca, claro.

O Ventania ganhou tanto reconhecimento no Brasil todo que até já sentou na poltrona do Jô. Uma surpresa para os que vomitam a idéia de que os "micróbios" são excluídos da grande mídia. Confira no youtube a entrevista exclusiva que o Ventania cedeu ao Jô Soares em agosto de 2007.

 


Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Divulgação

 
 

 
Espetáculo Vidas Divididas: até onde você vai para conquistar o sucesso?
5/11/2008
 

Peça aborda a história de três pessoas que buscam "crescer na vida". O único problema é qual o preço disto?

Preciso concordar com Walter Benjamim quando ele afirma que o teatro é uma das únicas formas de arte que mantém sua aura intacta, já que a aura depende do hic et nunc. Sinto isto quando vou ao teatro, ele não suporta reprodução alguma, ali pode-se sentir claramente o processo de criação original e não uma reprodutibilidade técnica. Assim foi o último sábado no CIC com a peça Vidas Divididas.

Dois grandes nomes da dramaturgia nacional garantem a direção e o texto, que são assinados por Marcos Paulo e pela portuguesa Maria Adelaide Amaral, respectivamente. No elenco, Henri Castelli, Antônia Fontenelle e Fernanda Vasconcelos.

O choque inicial dá-se no primeiro ato, Marisete - interpretada por Fernanda - levanta da cama só de calcinha e, naturalmente, se veste com uma camisa de Nelson. Neste primeiro contato com o público há olhares arregalados de alguns mais conservadores.

O enredo conta a história de três pessoas - todos de origem pobre - que trabalham juntas na mesma empresa. Para ambientar o leitor, vamos aos estereótipos de cada personagem: Nelson é executivo, egoísta e só pensa em ser "alguém na vida" e para conseguir vale tudo; Marisete é subsecretária do chefe de Nelson, se veste de forma estranha, não tem o português correto e "fica" com o Nelson, pelo qual ela é apaixonadíssima; Gisele, ou melhor, Gilberto adora ópera e sonha com a cirurgia que libertará o seu "eu" daquele "negócio", e para isso ela subloca o apartamento para Nelson e faz shows em boates.

A dialética que surge no decorrer do espetáculo nos faz pensar na quantidade de pessoas que se apropriam da ideologia de Nelson para crescer e obter sucesso. Nelson usa as pessoas como se fossem objetos descartáveis, ele termina o relacionamento com Marisete e, com seu mau caráter, consegue ser promovido, ganha um estágio no exterior e ainda casa-se com uma mulher rica. Mesmo assim no final ele não está feliz. Gisele torna-se amiga de Marisete e ensina-a a ser uma mulher elegante, educada e culta. A trama se passa em um único cenário, com pouco efeito de iluminação e algumas trilhas sonoras de óperas e músicas de Roberta Miranda, por exemplo.

O espetáculo consegue arrancar algumas gargalhadas da platéia e nos faz refletir sobre as atitudes que algumas pessoas adotam para si como verdade; sendo cruéis e falsos para conseguirem o que querem. E você, o que faria para ter sucesso nesta vida? Vale a pena passar por cima de toda a ética social e bom senso? Fica a polêmica e a realidade levantada pela peça.

Asssita os bastidores do espetáculo na estréia em outubro:


Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Divulgação
Vídeo: Rede Globo

 
 

 
Fundação Hassis: um museu de fruição
4/11/2008
 

 “Um dos mais inquietos artistas plásticos que já tivemos...
senhor de uma carreira em contínua mutação de temas
e formas, um experimentador sempre quebrando o
dia de ontem, inconformando-se hora após hora”
(Editorial de ô Catarina! Jan.fev. 2001).

Hiedy de Assis Corrêa, o Hassis não foi um artista qualquer. O homem vanguardista com sede de senso incomum é uma das grandes mentes artísticas do estado.

Hassis ganhou um Museu em sua homenagem que reúne um acervo bem diversificado e abrangente, que dialoga atentamente com o público. A Fundação Hassis em Itaguaçú é uma instituição cultural que respira e inspira arte. O "conteúdo" da casa traz uma aura que nem Walter Benjamim pode duvidar.

O artista viveu e trabalhou ali de 1969 até 2001, ano de sua morte. Na sala de entrada, o público é recebido por pinturas em tela e uma porta que "fala" mensagens subliminares mudas e gritantes ao mesmo tempo. A parede parece uma obra inacabada, mas na realidade foi pedido de Hassis deixar o cimento prensado entre os tijolos à vista. O muro da frente é baixo e convidativo, a casa de dois pisos também nos trasmite a essência do artista. Todo o rés-do-chão abrigava o ateliê.

Claro que o local sofreu algumas reformas para se adaptar ao museu, mas mesmo assim a estrutura está intacta. Há sala de exposições de longa duração e temporárias, arquivo de fotografias, filmes e documentos em papel, espaço multimídia e sala de projeção, espaço para oficinas de artes plásticas, dança e teatro.

A Fundação abriga o museu, arquivos, auditório; promove oficinas, atividades de difusão cultural como seminários e exposições. Pelos cômodos estão pinturas, desenhos, gravuras, painéis murais, repoduções, filmes, fotografias, obras em papel e recorte e até esculturas. Todas formadas entre 1944 e 2001. Além das obras imortalizadas de Hassis, a Fundação abre espaço para novas mentes inquietas da arte catarinense contemporânea.

Para melhor entender a vida e obra de Hassis pode-se agendar visitas guiadas em que um profissional conduz a leitura de cada obra.

Entre na nossa seção Cultura > Museus > Fundação Hassis e saiba os horários de visitação.


Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Divulgação

 
 

 
Gravação do DVD ao vivo da Expresso Rural no CIC
31/10/2008
 

Depois de 25 anos, uma das grandes bandas dos anos 80 no estado retorna em show único.

A música catarinense ganhou mais uma produção de qualidade na última quinta-feira: Gravação do DVD ao vivo da banda Expresso Rural. A banda é considerada um dos ícones do cenário musical dos anos 80, e ainda hoje, depois de 25 anos, carrega uma legião de fãs para o seu show. No ano de 1981 começa a história deste grupo, em 1995 eles resolvem parar e a partir daí só há participações e shows especiais. Entre altos e baixos, shows internacionais, encontros e desencontros, acabam se unindo novamente para novos trabalhos. O reconhecimento do público é unâmine. No CIC lotado, entre uma poltrona e outra, "entões" e remanescentes mais novos curtindo um bom dedilhar de viola e um grupo de amigos que reafirmam a premissa do poeta: "O tempo não pára".

No palco, a formação original: Daniel Lucena (voz e violão de seis cordas), Volnei Varaschin (voz, guitarra, harmônica e violão seis cordas), Paulo Back (voz, contrabaixo e violão), Zeca Petry (voz, guitarra, violão 12, violão nylon, cajon). Para cantar Nas Manhãs do Sul do Mundo e Dança Molhada o baterista Marcos Ghiorzi entra em cena, ele que fez parte da primeira formação e agora mora em São Paulo. Para substituir Marcos, Ricardo Malagoli assume a bateria do Expresso Rural. Nos sopros temos Tayrone Mandeli tocando sax alto, sax tenor e flautas - que participou do primeiro e segundo CD. Com certeza, em memória ali no palco também estava presente Márcio Correa (teclados) - o músico que acompanhou a banda desde 84 até o fim de sua vida em 2006.

Inspirados na música country, rock rural e pop, o Expresso Rural trouxe o gostinho das bandas que não voltam mais. Suas letras, ora românticas ora mais dançantes, trazem uma mistura instrumental e de vocais que impressionam, difícil de serem copiadas. Bem pudera! No palco, somente grandes músicos. Já ouvi dizer que o som deles era uma grande novidade para o mercado catarinense dos anos 80; creio que continua sendo.

A platéia cantou junto em várias composições. Aliás, o público está de parabéns, barulho e alvoroço não faltaram para o DVD, que apresenta todos os grandes sucessos em versões acústicas dos três CDs já gravados: Nas Manhãs do Sul do Mundo (1983), Certos Amigos (1985), Ímpar (1988) e Romance em Casablanca (1993). Claro, que os extras serão dignos de boas lembranças para quem conhece o grupo desde o início.

Assim, ficamos na expectativa para ver o produto final nas lojas e prestigiar mais um trabalho desta banda que permanece nos corações de várias gerações.

Fica uma canção para recordar este dia:

Quando o coração teimar que sim
O melhor é se deixar levar
Vai dar tudo certo com você por perto
Me dando num beijo o dom de voar.
Um dia eu quero voar ir longe no céu
Buscar uma estrela pra te dar
Ah, meu amor vem me iluminar, clarear meu dia
Muito prazer, meu nome é amor
Tudo que eu quero em tudo é simples harmonia.



Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Fotos: Ana Corrêa

 
 

 
What's Up no P12 Parador Internacional
28/10/2008
 

Muito glamour, gente bonita, chuva, paisagem exuberante e black music.

O que era para ser um sunset acabou sendo uma "party with rain". Não pense que o mal tempo desanimou a maioria da raça. Bem antes das 15h a entrada já estava lotada de pessoas com guarda-chuva ou não. Um atropelo na cabana de entrega dos convites da lista VIP. Várias pessoas amontoadas na chuva, "empurra-empurra", divisão de guardas-chuva e tudo o mais. Saindo da cabana, mais fila para entrar. As meninas mais vaidosas, reclamavam aos montes:
- Ai, minhas horas no salão!;
- Minha maquiagem está borrando tudo!;
- Meu pé está todo molhado...
... Enfim, já dá para imaginar o desespero.

A festa, organizada pelo Oculto, misturou em um só dia o já conhecido hip hop dos DJs Léo e Tuca (Oculto), o som nativo do DJ Naomi com a house music do DJ Leozinho e a live percussion de Rodrigo Paciornick. O projeto Leozinho & Paciornick comemora 10 anos e sempre arrasta fãs por onde passam (depois que você ouve, percebe claramente o motivo). Para completar, convidaram dois MCs de peso: MC Lica de Porto Alegre e MC Len da África do Sul.

Uma pena que não podemos usufruir de toda a estrutura do P12, que lembra os grandes day clubs do mundo. Além da área coberta, há piscina, praia artificial com cama, bangalôs, espaço lounge, deck de frente para a praia, restaurantes, bares, espaço com spa, academia de ginástica, quadras de esportes, chuveiros, banheiros... um lugar deslumbrante. A cada atração, mais gente chegava num clima gostoso de sabadão.

A última apresentação ficou a cargo de Leozinho & Paciornick. Deveras! A dupla dá um show alucinante de musicalidade. Uma mistura que é bem a cara da arte contemporânea.

Fica a dica: a próxima What's Up ocorre dia 22/11 e apresenta show de NegraLi e DJs Hadji, Léo e Tuca. Lembrando que a festa também comemora o aniversário do Léo. Fique ligado na nossa Agenda de Festas.


Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Fotos: Marco Cezar

 
 

 
Veja tanta gente diferente esperando pra a festa começar
15/10/2008
 

Seu Jorge lota o Lagoa Iate Clube e coloca o público para dançar com com seu samba-funk-suingado.

Considerado uma das maiores revelações da música brasileira dos últimos tempos, o menino de periferia que ganhou o mundo veio a Floripa apresentar o novo álbum: América Brasil, o Disco. As expectativas eram grandes. Logo no início da semana, os ingressos de estudantes haviam acabado, anunciando que o público compareceria em peso ao show do cantor carioca Seu Jorge na última sexta-feira, dia 10, no Lagoa Iate Clube. No horário marcado para o início do show a entrada do clube já estava cheia de pessoas que, ansiosas, quiseram chegar a tempo para garantir o melhor lugar para assistir a grande atração da noite. E enquanto o portão não abria, o relógio avançava e o público ficava ainda mais cheio de expectativas. "Não entendo porque eles não abrem logo, no convite está marcado para começar às 21h30. Se soubesse teria chego mais tarde ou traria um casaco para ficar aqui nesse frio", reclama uma das fãs.

De fato o clima não estava dos melhores. Um ventinho frio, daqueles que só quem mora na Ilha conhece, soprava forte e tornava aquela espera não muito agradável. Mas tudo bem, a causa era nobre. Afinal estávamos todos esperando a hora de cantar e dançar ao som de Chega no Suingue, Burguesinha, Pretinha e tantos outros hits que já estão na boca da galera. Finalmente os portões abriram. Para começar a noite, a dupla Werner & Puel fez um showzinho intimista no palco ao lado do bar. Serviu para esquentar o público e entrar no clima enquanto o salão enchia. Já era quase meia-noite e meia quando as luzes do palco principal se acenderam e Seu Jorge surgiu, cantando seu primeiro grande sucesso: Carolina.

Jorge Mário da Silva, menino pobre nascido em Belford Roxo, na baixada fluminense, começou a carreira musical ao lado da banda Farofa Carioca. Mas só depois de seguir a carreira solo que seu nome entrou de vez para o rol de cantores brasileiros que fazem mais sucesso no exterior do que no próprio país. O cantor, compositor e instrumentista embalou a noite com músicas do disco novo, canções antigas e até ensaiou um Maluco Beleza, de Raul Seixas. E o público, é lógico, foi ao delírio! No meio das canções, um duelo de pandeiros, três instrumentistas numa disputa acirrada e com muito humor. Pouco mais de uma hora de show e Seu Jorge deixa o palco com um gostinho de quero mais. Voltou minutos depois com um bis diferente: marchinhas de carnaval com altas doses de folia lembraram os bons tempos dos bailes municipais. Houve quem saiu desapontado porque esperava mais. Houve quem vaiou, talvez não estivesse ainda em clima de carnaval. Houve quem saiu satisfeito, já que animação e balanço não faltaram.


Lis Nascimento
Dani Medeiros
redacao2@guiafloripa.com.br
redacao@guiafloripa.com.br
Fotos: Otávio Silva

 
 

 
O Primeiro Round
10/10/2008
 

Sexta-feira tem Clube da Luta na Célula: preparem-se que o duelo só está começando...

O palco torna-se o ring e o soar do gongo fica por conta da vibração do público. All stars acionam pedaleiras e sincronizam bumbo e chimbal com as baquetas. O cheiro de cigarro toma conta dos ares, o que indica que a Célula está lotada.

O lugar é pequeno, literalmente quatro paredes. Ali, todos se encontram e as batalhas entre bandas acontecem. Três grupos por vez sobem ao palco, semanalmente, a partir das 23 horas. O público que entra à casa tem acessórios punks ou convencionais, piercing na sobrancelha ou chapinha nos cabelos, all star, salto alto ou coturno, chapéu ou bandana, jeans básico ou estilo inusitado.

Ao lado do viaduto do bairro João Paulo, as noites de sextas-feiras fazem ecoar os versos que embalam a luta pela afirmação musical na Ilha. A semelhança com o filme não está só no nome. Além do caráter de resistência dos músicos, as regras remetem àquelas impostas pelo personagem de Brad Pitt nas telas. Todos devem estar por dentro do código do duelo sonoro:


Regra n° 1 - Você faz suas próprias músicas;
Regra n° 2 - Você faz suas próprias músicas;
Regra n° 3 - A festa é toda sexta na Célula ;
Regra n° 4 - Os shows duram 40 minutos;
Regra n° 5 - São sempre três bandas e um DJ;
Regra n° 6 - Quem chegar até as 23h só paga 5 pila;
Regra n° 7 - Banda que começar de palhaçada não toca;
Regra n° 8 - Se quer brigar vá para outra festa, aqui a luta é outra.

A união da classe musical de Floripa é a nova forma que o Clube da Luta experimenta para apresentar a música a quem se dispõe a ouvir. Diante de tudo o que não existia para os artistas da cidade, as bandas locais não se deixaram conformar e tampouco se acomodaram com a situação. Se outrora não havia espaço e valorização, hoje as perspectivas do sucesso não estão aquém como estavam. "Infelizmente os artistas musicais daqui têm que lutar pra mostrar o seu trabalho", diz o baterista Maurício Alves, da banda Gubas e Os Possíveis Budas.

Esta necessidade alimentou a sede pela luta, que está aí para quem quiser encarar. Encontros entre duas ou três bandas que aconteciam aqui e acolá nas noites de Floripa passaram a ser parte de uma mesma idéia em setembro de 2006. "O Marcinho (banda Tijuquera) teve a atitude de juntar isso", explica Jean Mafra ao se referir aos projetos Samambaia Convida, Circuito Aerocirco e Berbiga's Rock Night, precursores do Clube da Luta. A partir de então, a ousadia não ficou em segundo plano: no Espaço Fios e Formas, embaixo da ponte Hercílio Luz, oito bandas passaram a se apresentar freqüentemente a fim de conquistar público e um lugar ao sol.

Para o vocalista Gustavo Barreto, que é músico há 15 anos, a iniciativa é inédita em Floripa e vem como resultado de uma perspectiva de valorização da produção artística local, deficitária já há algum tempo. "O Clube surgiu para que as pessoas comecem a fazer sua crítica musical e criem um sentido de identificação com a música produzida aqui", Gustavo afirma.

Hoje, são 16 bandas integrantes do Clube da Luta. Samambaia Sound Club, Gubas e os Possíveis Budas, Jeremias sem Cão, Aerocirco, Maltines e Andrey e a Baba do Dragão de Komodo estão entre elas, que se alternam em apresentações na nova casa do projeto, a Célula Cultural. Os duelos contam com os solos de guitarra e com performances animadas reveladas de acordo com o estilo.

Para se aquecer do frio, valem desde requebradas de quadris nos sons mais grooves até as chacoalhadas de cabeça acompanhando os sons mais rock and roll. Aqui vale a analogia: o lugar tem se tornado a célula embrionária da música em Floripa. Um dos produtores dos eventos do Clube, DJ Zé Pereira, observa: "é preciso que as pessoas de Santa Catarina reconheçam que aqui tem música de qualidade".

Seja por meiose ou mitose, a música ali se reproduz e vence o espaço da membrana celular: no mês de aniversário de dois anos do projeto, a luta recebeu uma nova aliada para divulgação. No início de setembro, uma parceria com a emissora MTV foi selada oficialmente no show de lançamento do CD ao vivo da Aerocirco. Com a crescente presença de apreciadores na Célula e com a projeção que os que os lutadores vêm atingindo, uma coisa é certa: o primeiro round já tem um vencedor.

Veja também:

Jean Mafra Entre-Música - uma entrevista com o vocalista da banda Samambaia Sound Club.


Arielli Secco
arielli.secco@gmail.com
Texto e Fotos

 
 

 
Dazaranha estréia nos palcos do Nação Balanço
6/10/2008
 

Excelente música, noite fresca, Nação Balanço, amigas, dança, alegria e alto astral... esta foi a noite de sexta-feira.

O projeto que ocorre toda sexta-feira no Drakkar, ali no Centrinho da Lagoa, recebeu a banda Dazaranha. O clima deixou a noite ainda mais perfeita para uma boa balada: ar fresquinho e Lua Crescente surgindo por entre as nuvens. Daza com Nação Balanço? O que poderia resultar desta mistura? A pergunta é complexa, mas a resposta é natural. Simplesmente uma noite de muita energia positiva.

O Drakkar foi reorganizado e ficou bem melhor, com mais espaço. Muita gente bonita, animada e aberta para as experiências de uma noite de primavera não tão quente. A casa lotada reuniu pessoas de todas as idades, todos com muito gás. Um povo que curte dançar, cantar, sambar, rebolar e o mais importante, se divertir. No palco, Daza arrasa sempre. O público unânime nas cantorias, todas as letras na ponta da língua, afinal a Tribo Daza não perde um show da banda. Um episódio que marca esta paixão do público: em uma das músicas o microfone pifou. Acha que o show parou? Nada. A galera continuou o show com o gogó em alta. Mais uma vez, fico impressionada com a magnitude do som e da energia. Nação Balanço com Daza resultou em uma festa mais do que animada, absolutamente divertida.

O espetacular DJ Marcelo Pimenta acreditou na idéia de uma confraternização entre pessoas que curtem cultura e arte de forma mais ampla e com fé em todos os santos; Pimenta já caminha para o terceiro ano do projeto Nação Balanço. Então, O NB torna-se um encontro de raças, gente astral, do bem e como pano de fundo bastante musicalidade misturadas; bem como uma colcha de retalhos colorida. Toda a "urucubaca" do stress do cotidiano vai embora ao som de um sambinha e suas vertentes. Tudo muito bem mixado pelo DJ Pimenta, que aliás acabou de chegar