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Conta
a estória que certa ocasião Nossa Senhora
precisou atravessar o mar, mas não tinha certeza
se a maré iria encher ou vasar.
Estava
parada na praia; praia esta que deveria ser no continente,
mas ela queria passar para a mais bela ilha da terra, a
Ilha de Santa Catarina, quando surgiu um bonito linguado
nadando alí perto dela.
Com
toda sua beleza e ternura celestial, dirigiu-se ao peixe
linguado, indagando-lhe se sabia ou não se a maré
ia encher ou vasar.
O
linguado respondeu a pergunta da Senhora, remedando-a. Ficou
com a boca torta.
Um
siri que havia escutado a indagação da Senhora
e a deseducada resposta do linguado, dirigiu-se a ela com
toda educação sirinesca, e lhe ofereceu uma
carona até a praia onde ela queria alcançar.
Afirma
a estória que o resultado deste acontecimento lendário
é o seguinte: o linguado ficou com a boca deformada.
No casco do siri se observa, em baixo relevo, a figura de
uma senhora segurando os lados da saia, para não
molhá-la. Deve ser o retrato de Nossa Senhora, num
ato celestial sublime de sincero agradecimento, pela atitude
hospitaleira do frágil crustáceo.
Franklin Joaquim Cascaes
/1968
Esta página é
baseada no universo mágico de Franklin Joaquim Cascaes
Coleção Professora Elizabeth Pavan Cascaes
Museu Universitário
Professor Osvaldo Rodrigues Cabral
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