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A
predominância do açoriano sobre os demais elementos
componentes da formação cultural de Florianópolis, como
de resto em todo o litoral de Santa Catarina, determinou
a acentuada influência açoriana nas manifestações folclóricas
da Ilha de Santa Catarina.
Excluídas as danças,
cantigas e brincadeiras trazidas pelos imigrantes vindos
de Açores, verificam-se tênues traços de influência
espanhola, muito raros, em virtude do restrito período
de tempo sob a ocupação castelhana.
Dentre as manifestações
folclóricas mais praticadas pelo florianopolitano, destacam-se
as chamadas "Brincadeiras de Boi", que demonstram
o caráter eminentemente rural do açoriano aqui aportado,
que, ao contrário do que se poderia imaginar, liga-se
sob este aspecto mais à terra do que ao mar.
Quatro são as principais
"Brincadeiras de Boi":
Outras manifestações folclóricas
na Ilha de Santa Catarina são: a Dança do Pau de Fitas,
de tradição ibérica, com suas danças de roda em torno
de um mastro colorido, a Cantoria do Divino, a Dança
do Cacumbi e, no artesanato, a renda de bilro. A
renda de bilro surgiu na Itália e difundiu-se
em seguida pela Europa, até chegar a Portugal.
O que diferencia a renda de bilro das demais modalidades
de bordados é que os pontos são feitos
"no ar", sem um tecido como base. A Lagoa
da Conceição é o lugar que concentra
o maior número de rendeiras e de estabelecimentos
que comercializam rendas de bilro em Florianópolis.
Na dança do pau de fitas um mastro, no centro
de uma roda, é enfeitado com flores e várias
fitas presas no topo, no mesmo número de pessoas
que participarão da dança. Cada participante
segura uma fita e todos dançam ao redor do mastro,
no ritmo da música, trançando e destrançando
as fitas, formando desenhos coloridos e diferentes a
cada volta.

A
Dança do Boi de Mamão
A dança
do Boi de Mamão é a brincadeira mais cultivada e, por
isso mesmo, a mais apreciada dança folclórica
da região.
Diferentemente das outras brincadeiras que foram trazidas
à Ilha de Santa Catarina pelos açorianos,
o Boi de Mamão é uma tradição
comum a outros estados brasileiros e tem origem africana.
Esta manifestação apresenta diversas variações
nas outras regiões brasileiras, com tipos diferentes
de apresentação, mas semelhantes na oralidade de sua
história. Há algumas divergências no que diz respeito
à origem da denominação Boi de Mamão, porém,
a mais aceita é a de que o Boi, a principal figura da
dança, teria a cabeça feita de um mamão.
Outras
figuras são: a cabra, a bernúncia, a maricota, o cachorro,
o cavalinho, o urso branco, o urso preto, o marimbondo,
o macaco e o jaraguá.
O grupo composto de elementos que
formam a cantoria, é liderado pelo chamador e acompanhado
geralmente por uma sanfona e percussão.
Embora isso
seja raro, o acompanhamento musical é também realizado
por um instrumento característico denominado "orocongo"
- feito de um coco da Bahia, seccionado e revestido
com couro crú, e uma corda de viola, da qual o som é
extraído com um arco de madeira, no qual são fixados
fios de crina de cavalo - uma espécie de rabeca ou violino.
Os demais componentes
do grupo são: o vaqueiro mateus, o anão e o doutor.
Cada bicho tem melodia
e ritmo diferentes dos demais, e, consequentemente,
dança e coreografia diversas.
A dança é muito semelhante ao "Bumba
meu Boi", do nordeste brasileiro. A diferença está
na alegria, improvisação e descontração, que são as
características principais desta dança.
É também conhecida como Boi de Pano
ou Boi de Mamão.

O Boi de Campo
O Boi de
Campo é uma brincadeira ainda hoje muito popular em
Portugal e na Espanha, e consiste em soltar um boi bravo
nas ruas de pequenas vilas do interior.
A população se transforma
em massa de toureiros, que demonstram suas habilidades
à frente do animal, substituído por outro, quando o
esforço físico dispendido lhe tira a agressividade.
No fim do dia, o boi é morto e sua
carne é distribuída entre os que se cotizaram para comprá-lo
no início da brincadeira.
Esta manifestação
é proibida pelas autoridades policiais e, por esta razão,
está em vias de extinção.

O Boi de Vara
O Boi de
Vara é semelhante ao Boi de Campo. A diferença é que,
nesta "brincadeira", o pescoço do animal é
preso por uma corda, que possui a outra extremidade
amarrada na ponta superior de uma vara de bambu.
O boi movimenta-se
de acordo com a flexibilidade do bambu, e os vaqueiros
exibem sua perícia aproximando-se o máximo que a prudência
recomenda.
Também é prática proibida pelas autoridades
policiais, devido à sua crueldade.

Farra do
Boi
A Farra
do Boi é uma das manifestações mais polêmicas
não só em Florianópolis, mas em
todo o litoral de Santa Catarina.
A prática acontece com mais
intensidade durante a Quaresma. O boi, pôsto em "liberdade",
é perseguido nas ruas e no mato, ou em mangueirões,
até esgotarem suas forças. A prática da Farra
do Boi é considerada crime em todo o país
desde fevereiro de 1998, como está transcrito
abaixo:
Lei
Federal nº 9.605, de Fevereiro de 1998 : Dispõe
sobre as sanções penais e administrativas derivadas
de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e
dá outras providências.
Capítulo V - Dos Crimes Contra o Meio Ambiente
Seção I - Dos Crimes Contra a Fauna
Art. 32: Praticar
ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais
silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exótico.
Pena: Detenção, de três meses a um ano, e multa.
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