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Título Original:
Abril Despedaçado
País: Brasil, França e Suíça
Ano: 2001
Duração: 105 minutos
Drama / 12 anos
Direção: Walter Salles
Elenco:
José Dumont, Rodrigo Santoro, Rita Assemany, Luiz
Carlos Vasconcelos, Ravi Ramos Lacerda, Flavia Marco
Antonio, Everaldo Pontes e Othon Bastos.
Site
Oficial |
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| Walter
Carvalho |
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Praticamente
com três meses de atraso, finalmente Abril
Despedaçado chegou a Florianópolis.
O filme passou meteoricamente pelo Shopping Itaguaçu
e agora entra em cartaz por um tempo maior no
Cic.
A
película foi muito divulgada no começo
do ano, principalmente em razão de uma
possível indicação para o
Oscar, que não aconteceu. De qualquer maneira,
essa adaptação do romance do albanês
Ismail Kadaré, rendeu ótimos resultados
e foi sim aclamado pela crítica, não
só no Brasil como em todos os lugares por
onde o filme foi visto. Walter Salles, aliás,
é dos cineastas brasileiros mais respeitados
no meio cinematográfico fora daqui. Alguns
críticos ingleses classificaram a fábula
de Salles como o melhor filme do ano.
Um
pouco de exagero talvez, mas que nos dá
idéia que o filme foi considerado sim,
muito bom. O problema é que as pessoas
logo relacionam com Central do Brasil,
que levou duas indicações para o
prêmio da Academia de Hollywood em 1999.
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| Christian
Cravo |
Segundo
o próprio diretor, os filmes são
muitos diferentes e ele já esperava que
o sucesso internacional agora não fosse
tão bom. Mas isso foi conversa pós
não indicação para o Oscar,
pois é sabido que o filme foi criado e
divulgado para repetir o sucesso do primeiro.
Embora
o livro conte uma história ocorrida nos
Bálcãs, no período entre
guerras, Abril Despedaçado foi ambientado
no interior do nordeste brasileiro de 1910. O
ponto forte da película é a fotografia
de Walter Carvalho. Os atores são Rodrigo
Santoro, e outros não conhecidos como o
menino Ravi Ramos Lacerda, José Dumont
e Rita Assemany.
Para
Salles o próprio Santoro era pouco conhecido.
O diretor que não assiste muita televisão
ficou surpreso com o potencial do ator, que junto
de Selton Mello desponta no meio cinematográfico
nacional.
O
próximo projeto de Salles é um "road-movie",
em espanhol, sobre a vida de Ernesto Guevara,
o Che. Vamos ver se chega por aqui...
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Abril
Despedaçado realmente tem muito do
outro filme famoso de Walter Salles. É
outro dramalhão com criancinha, envolvendo
gente humilde, com cenas no interior do país...
A
maior parte das pessoas não sabe, mas o
livro de Ismail Kadaré com o mesmo nome,
já havia servido de inspiração
para outros cineastas, mas segundo o próprio
escritor esta foi a melhor adaptação.
O filme é sim muito bom. E as semelhanças
com Central do Brasil se devem, é
claro, por motivos comerciais, mas isso não
impede que prevaleça a marca do diretor.
Quem
viu O primeiro dia, em que Salles divide
a direção com Daniela Thomas, sabe
que o diretor segue uma linha em que sempre há
críticas implícitas. No atual filme
há um questionamento às tradições
que são seguidas sem ser antes questionadas.
É o que ocorre na família de Tonho
Breves (Rodrigo Santoro), que há gerações
obedece um ciclo de matanças entre famílias
rivais. A idéia de algo que está
sempre dando voltas é passada através
dos lentos movimentos do carro de boi, do engenho
e de um balanço. Os objetos, que já
eram mostrados nos trailers do filme, ganham destaque
numa metáfora à agonia vivida por
quem espera sua vez de ser vingado.
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| Christian
Cravo |
O
papel mais interessante do filme é o do
menino Pacu (Ravi Ramos Lacerda), irmão
de Tonho, que representa seus anseios de libertação.
A inocência da criança ainda não
foi tomada pelo ódio entre as famílias,
e se permite questionar o motivo da matança.
O garoto-ator demonstra toda a desenvoltura de
quem cresceu fazendo teatro de rua com a família.
Aliás,
aí está mais um ponto em que se
faz analogia à Central do Brasil.
Em relação aos atores Abril Despedaçado
é melhor. De maneira geral, é claro,
não há como desmerecer a atuação
premiada de Fernanda Montenegro no primeiro filme.
É que na película atual, à
exceção de Santoro, todos os outros
atores refletem exatamente o que imaginamos de
pessoas que nunca saíram de seus retiros
longínquos no interior nordestino.
A
belíssima fotografia é mais um ingrediente
para que o filme seja visto no cinema. Além
de estar prestigiando produto que parte é
nacional (co-produção com França
e Suíça), é claro.
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