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Fpolis, 13/09/2002

Cidade de Deus

Título Original: Cidade de Deus
País: Brasil
Ano: 2002
Duração: 130 minutos
Drama-Ação / 16 anos
Diretor
: Fernando Meirelles
Elenco:
Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora, Phelipe Haagensen, Jonathan Haagensen, Douglas Silva e Roberta Rodriguez.
Site Oficial


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Era o filme nacional mais esperado pela crítica. Com toda a propaganda, inclusive nas revistas nacionais de grande circulação, Cidade de Deus se tornou um filme sobre o qual não faltam expectativas. Um exemplo é a exibição em duas salas de Florianópolis, duas semanas depois da estréia nacional, o que raramente acontece.

Fernando Meirelles, ao contrário do que dizem, não estréia no cinema. Sua atividade principal era a publicidade, mas o diretor já havia trabalhado em Menino Maluquinho 2 e Domésticas, o Filme. A diferença é que a película atual é um trabalho mais denso, o que exigiu dedicação exclusiva do diretor.

O roteiro de Bráulio Mantovani é baseado no livro homônimo do antropólogo Paulo Lins. Cidade de Deus era um conjunto habitacional iniciado nos anos 60, que se transformou em uma enorme favela, incubadora dos negócios do tráfico de drogas em todo o país.

O filme é atualíssimo justamente pelo interesse em saber como foi a transformação dos meninos do morro em mega-traficantes da favela. Estreou justamente durante a caçada aos traficantes acusados de assassinar o jornalista Tim Lopes. Se você abrir o jornal hoje mesmo, verá que há disputas entre traficantes de facções rivais no Rio de Janeiro.

Apesar de todos qualificarem como um filme "polêmico", a crítica é só elogios. Cidade de Deus tem grandes chances de ser um dos filmes nacionais mais assistidos fora do Brasil. A pré-estréia em Cannes rendeu inúmeros negócios aos produtores.

Não deixe de ver. Cidade de Deus é tido como um marco no cinema nacional, daqueles filmes que educa e também alerta. Mas deixemos maiores comentários para a crítica na segunda-feira.


Crítica

Um "tapa na cara" é o que você leva ao assistir Cidade de Deus. O filme é divertido, instrutivo, mas sobretudo atual e, por isso, um alerta para qual seria a evolução - para pior, daquilo que se tornou o tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro.

Não adianta criticar dizendo que o filme transforma o traficante em herói, banaliza a violência e que Meirelles utiliza recursos hollywoodianos. Cidade de Deus é o melhor filme brasileiro do ano. Meirelles, juntamente com de Beto Brant, de O Invasor, parece ter descoberto o espaço do cinema de ação e o interesse do público sobre o retrato do cotidiano violento nas grandes favelas brasileiras.

Na semana em que Fernandinho Beira-Mar é capa da Veja, a história do menino Dadinho, que no filme se transforma no traficante Zé Pequeno, é atualíssima. Há, inclusive, uma seqüência em que o bandido ordena que seus poucos comparsas alfabetizados leiam todo o jornal, até encontrarem seu nome. Depois aparece orgulhoso quando uma foto sua é publicada.

O romance de Paulo Lins polariza a rivalidade entre Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora) e Mané Galinha (o músico Seu Jorge), que entra para a facção do traficante Cenoura (Matheus Nachtergaele), rival do primeiro, a fim de concretizar uma vingança pessoal. A história no livro é narrada pelo autor, mas no filme é contada por Buscapé (Alexandre Rodrigues), menino que também cresce na favela, mas não vira bandido.

A trama é rica em detalhes e as imagens são despejadas freneticamente para relatar a vida de cada um dos vários personagens. Mesmo com tantos pormenores, a edição foi feita de maneira talentosa. Não há desperdício de seqüências.

E se o diretor utiliza recursos do cinema estrangeiro, é ponto positivo. Não se vê qualquer sinal de som ruim e imagens desajeitas: normalmente associados ao cinema nacional. Caso houvesse que apontar um defeito, diria que há um clichê que poderia ser cortado. Logo no começo do filme, quando uma gota de suor quase denuncia um bandido escondido em uma árvore. O restante é ação da melhor qualidade e muita violência.

O elenco, com exceção de Nachtergaele, é todo formado por atores descobertos em oficinas, realizadas nas comunidades carentes utilizadas como locações. Talvez tenha sido mais um ingrediente para firmar o realismo do filme.

Cidade de Deus já é um filme-marco no cinema nacional. É cinema de qualidade, tem uma história surpreendente e realista, além de todo o contexto atual que gira em torno do tema abordado. O investimento já foi pago com as negociações feitas em Cannes e a lotação das salas indica uma ótima bilheteria. Ofereça a outra face para Cidade de Deus.



 

   

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