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Em
se tratando de ação, John Woo é
sem dúvida um dos melhores diretores de
Hollywood da atualidade. É o que mostra
em Missão Impossível 2 e agora em
Códigos de Guerra. Mas quando a análise
passa também pelo humano, como em quase
todo filme sobre guerra, Woo é um fracasso.
Códigos
de Guerra não é um bom filme. Apesar
das seqüências de batalhas serem bem
feitas, sempre fica um vácuo. E termina
sem parecer que a história se resolveu.
Nicolas
Cage é o sargento Joe Enderes, um fuzileiro
que é ferido no início, fica cheio
de traumas, mas faz de tudo para voltar à
peleja. Ao retornar, é colocado no posto
de "protetor do código". O marketing
do filme, aliás, foi todo feito em Cage
e no tal código baseado na língua
dos índios Navajos. Através dele
se comunicavam os soldados na Segunda Guerra,
na campanha do Pacífico, em 1944, sem a
possibilidade dos japoneses decifrarem.
Para
os que esperavam uma análise profunda da
utilização do código fica
a decepção. A história apresenta
sim o fato de índios recrutados nos EUA,
que cantam o hino daquele país e o defendem
como se, para eles, fosse a coisa mais importante.
Mas tudo é feito de maneira politicamente
correta e o filme perde muito por isso. É
tudo muito falso.
Há
uma ou outra piada racista feita por soldados
brancos, mas todos acabam ficando muito bonzinhos.
Um deles conta que, quando pequeno, via seu avô
caçando "índios como se fossem
esquilos". Pondera, ao pensar que hoje luta
aliado a índios: "será que
daqui a uns 50 anos não estaremos bebendo
com os japoneses...".
Cage
está bem, há quem diga que exagerou
um pouco no sofrimento. Creio que a atuação
foi na medida certa para o drama retratado. Christian
Slater, que faz outro soldado guarda código
(Ox Anderson) pouco aparece. Mas faz o suficiente
para protagonizar uma das mais belas cenas do
filme, acompanhando com sua gaita o Navajo que
tocava flauta.
Em
suma, Códigos de Guerra é mais uma
película sobre guerra, que lembra o Resgate
do Soldado Ryan, só que muito pior. Woo
talvez devesse ficar com filmes como Missão
Impossível, nos quais tudo é realmente
fantasia. Retratar somente as batalhas é
diferente de fazer um filme sobre tudo o que envolve
uma guerra.
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