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Fpolis, 01/07/2002

Guerra nas Estrelas
Episódio II - Ataque dos Clones

Título Original: Star Wars Episode II - Attack of the Clones
País: EUA
Ano: 2002
Duração: 140 minutos
Ficção / Livre
Direção
: George Lucas
Elenco:
Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Christopher Lee, Samuel L. Jackson e Ian McDiarmid.
Site Oficial
Homem Aranha


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A história se passa dez anos após A Ameaça Fantasma e a pergunta é a mesma: onde está Darth Vader, o grande vilão de Guerra nas Estrelas?

A galáxia vai de mau a pior: depois de anos de decadência e corrupção, a República está começando a se fragmentar. O maior indicador é o crescimento do Movimento Separatista, liderado pelo Conde Dookan. Contra ele, o Conselho Jedi une todos os cavaleiros para tentar manter a paz no universo e, pela primeira vez em séculos, os senadores consideram a possibilidade de montar um Exército Republicano. Obviamente, isso acabará em guerra.

Este cenário hostil vai servir para George Lucas inovar mais uma vez. É sabido que a primeira trilogia foi um sucesso em termos de efeitos especiais, levando os espectadores à loucura. Dessa vez, os tais efeitos não devem parecer tão especiais assim para quem assiste, mas representa um avanço na maneira de fazer filmes de ficção.

O diretor, roteirista, produtor, e fazendeiro nas horas vagas, gosta de alardear que o vídeo digital é o futuro do cinema. Para Ataque dos Clones, encomendou à Sony e à Panavision uma câmera especial, de altíssima definição. As duas mega empresas uniram forças e produziram o equipamento necessário. Dessa maneira, a maioria das cenas foram gravadas com fundo azul, e os cenários, personagens estranhos e outros elementos, foram adicionados depois, na pós-produção. Com certeza deve funcionar nos cinemas que possuem sistemas digitais compatíveis com as produções de Lucas, mas não dá para prever como esse prodígio da evolução se comportará em telas e áudios antigos como os de Florianópolis e São José.

Além disso, apostar todas as fichas na digitalização total de um filme é algo para quem pode. Uma boa dica é a de que antes de entrar em cartaz, o Episódio II de Guerra nas Estrelas já tinha milhões de espectadores garantidos. Em outras palavras, a renda justificaria os gastos com pós-produção e as chances de Lucas sair no prejuízo seriam ínfimas. E outra fonte de lucro está sendo aguardada: este longa-metragem será uma espécie de portfólio da Industrial Light & Magic, empresa de Lucas especializada em efeitos digitais, e deve atrair novos trabalhos para a indústria de Hollywood.

No entanto, todo esse empenho em revolucionar a maneira de fazer cinema não tem dado os melhores resultados. Até o momento, a maioria das críticas têm sido negativas. Uns dizem que a história deixa a desejar, outros dizem que os atores são medíocres, mas todos concordam em uma coisa: não há como comparar os dois novos episódios com a trilogia antiga. O que parece para quem ainda não viu o filme é que George Lucas deixou órfãos vários fãs de seu épico mitológico.


Crítica

George Lucas passou por uma prova difícil em seu treinamento Jedi deixando-se levar pelo Lado Negro da Força ao realizar um Episódio I quase inteiramente desvinculado da primeira trilogia. Felizmente, ele ouviu o que críticos e fãs bradaram em alto e bom som, o que resultou em um Episódio II mais próximo da saga iniciada em 1977.

Talvez o exemplo mais claro disso esteja no núcleo humorístico do filme, que "aposentou" o ridículo Jar-Jar Binks e trouxe de volta a dupla C-3PO e R2-D2. Enquanto aquele ser aquático com jeito e sotaque jamaicanos agradava apenas às crianças, a antiga dupla andróide permite situações inusitadas que, mesmo com idéias infantis, ficam muito divertidas na concepção final.

Outra decisão que agradou aos puristas da saga foi a inserção de vários elementos dos primeiros três filmes. Isso era até esperado, uma vez que o Episódio II está mais próximo cronologicamente do Episódio IV. No entanto, o aparecimentos dos tios que criaram Luke Skywalker em Tatooine, as frases de efeito usadas anteriormente e até mesmo a narrativa soam como uma volta às origens e um repúdio à Ameaça Fantasma.

Uma diversão à parte é procurar referências a outros filmes. As masi evidentes são a estética de Blade Runner na perseguição terrestre em Coruscant, os casulos de Matrix na fábrica de clones em Kamino e até mesmo a famosa promessa de Scarlet O'Hara em Tatooine.

Quanto aos defeitos, o que se sobressai é o dom que Lucas tem de transformar bons atores em personagens sem expressão, bem como o de tornar atores medícres em astros. Assim como sir Alec Guinness teve uma participação meramente ilustrativa na primeira trilogia, Samuel L. Jackson e Cristopher Lee são engessados numa atitude de impassividade, característica primordial em um sábio Cavaleiro Jedi, que não deve se alterar nem nas cenas de ação. Ewan McGregor foi dispensado desta sobriedade no que pareceu ser uma tentativa de resgatar algo da personalidade de Han Solo, como as tiradas engraçadinhas em momentos de tensão. Mesmo assim, esta passa longe de ser sua melhor atuação, além de torná-lo muito pouco parecido com o Obi-Wan Kenobi exilado em Tatooine.

Quanto a Natalie Portman e Hayden Christensen, parece que seguirão à risca os passos de Carrie Fischer e Mark Hamill: entrarão para a história do cinema, serão reconhecidos por seus personagens, mas não irão muito além. Nem o espírito guerreiro de Portman, nem os olhares de mau de Chistensen salvaram os dois de uma atuação pífia.

Para piorar, Lucas reservou ao casal a pior parte do roteiro: a história de amor mais xarope já vista em um filme de ação. O romance tem pinceladas de irrealidade quando destina à mulher a parte racional e ao homem a parte emocional. Além disso, os diálogos poderiam ter sido melhor trabalhados. A grande parte das falas não querem dizer nada e não levam a lugar algum. Se Lucas queria dar um amor avassalador ao passado do sombrio Darth Vader, falhou bravamente.

O roteiro também poderia ter trabalhado melhor a idéia de Anakin Skywalker ser mais habilidoso que Obi-Wan Kenobi. Fora as perseguições em que Anakin mostra-se um melhor piloto que seu mestre, essa característica do aprendiz só é relatada em diálogos, fazendo parecer arrogância juvenil. Aliás, muitos sentimentos hostis transmitidos por ele ficariam melhor em um adolescente de 14 anos de idade do que em um futuro Jedi de 20. Mesmo assim, um dos pontos altos do filme está reservado à Skywalker, quando ele deixa-se levar por sentimentos não condizentes com um Cavaleiro Jedi e, ao fundo, ouve-se a Marcha Imperial, música-tema de Darth Vader.

No entanto, uma coisa é certa: esse filme vai dar muito o que falar em rodinhas de fãs. O que mais interessa é que agora sabe-se de onde a história vai partir e aonde ela vai chegar, deixando margem à especulação para os próximos acontecimentos. Inclusive imaginar se Lucas se renderá de vez ao Lado Negro da Força ou deixará de ser um Padawan para tornar-se um Cavaleiro Jedi.


Personagens

São poucos os personagens que acompanham os seis longas da saga, mas a maioria que está neste episódio já apareceu no anterior. Confira quem são:

Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) : Um dos mais importantes cavaleiros Jedi, tem grande participação em Ataque dos Clones. Viu seu mestre Qui-Gon Jinn ser assassinado em A Ameça Fantasma e prometeu a ele que ensinaria as artes Jedi para Anakin Skywalker. Esta será sua maior decepção, uma vez que ele ainda vai ver seu pupilo sucumbir ao Lado Negro da Força, provavelmente no Episódio III, e ser morto por ele em Uma Nova Esperança.

Anakin Skywalker (Hayden Christensen): Em A Ameaça Fantasma era um garotinho virtuoso, repleto de bons sentimentos que sabia pilotar pods como ninguém. Os três filmes dessa nova trilogia giram em torno dele e de como se tornará o monstruoso Darth Vader. Agora ele tem 20 anos, não é tão disciplinado quanto deveria, embora suas habilidades sejam excepcionais, e vai ter um romance com a senadora Padmé Amidala.

Padmé Amidala (Natalie Portman): A ex-rainha de Naboo, que foi protegida por Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi em A Ameça Fantasma, agora representa seu planeta no Senado Galáctico. Sempre teve as melhores intenções com relação à República e passou os últimos dez anos dedicando-se somente à política, sem se preocupar com sua vida pessoal. A reaproximação dela e Anakin deve mudar isso.

Yoda (voz de Frank Oz): Um dos membros do Conselho Jedi, conta com mais de 800 anos de idade e experiência de sobra. Uma de suas habilidades é sentir a presença do Lado Negro da Força. Neste episódio, ele suspeitará que um o Lado Negro está por trás de uma conspiração.

Conde Dookan (Christopher Lee): Foi o mestre de Qui-Gon Jinn, mas suas crenças pessoais bateram de frente como Conselho Jedi. Por achar que o Conselho não devia ser tão servil à Repúplica corrupta, renunciou sua condição de cavaleiro há dez anos. Agora ele é o cabeça do Movimento Separatista e vai convencer muita gente a aderir à Reforma.

Senador Palpatine (Ian McDiarmid): A essa altura do campeonato já não é mais novidade que ele se tornará o Imperador, única pessoa acima de Darth Vader na primeira trilogia. Neste episódio, deve continuar fazendo-se de lobo em peles de cordeiro para conseguir o poder supremo.


Curiosidades

Com quatro filmes da saga terminados, é inevitável que o autor faça referências aos outros episódios. Preste atenção nas curiosidades que rolam na Internet e, quando for ao cinema, veja se são verdadeiras:

  • Esta é a primeira vez que Yoda foi inteiramente gerado por computador. Frank Oz foi chamado apenas para ajudar na voz do personagem.
  • Quando Anakin e o Obi-Wan perseguem o assassino wannabe de Padmé num bar em Coruscant, note que no vídeo mais à direita está passando o jogo Star Wars Episode 1 Pod Racers.
  • As guerras do clone foram mencionadas pela princesa Leia durante seu discurso gravado a Obi-Wan Kenobi através de R2-D2 em Guerra nas Estrelas - Uma Nova Esperança, de 1977.
  • Samuel L. Jackson tem as letras "B.M.F." gravadas no punho de seu sabre de luz. B.M.F. é a abreviação para a expressão "Bad Mother Fucker" e estava escrita na carteira de Jules, o personagem de Jackson em Pulp Fiction.
  • Quando C-3PO diz "Parece que ele tem uma mensagem de um Obi-Wan Kenobi. Mestre Anakin, você sabe de que ele está falando?" faz uma homenagem a suas próprias palavras sobre a mensagem da princesa Leia para Obi-Wan Kenobi em Uma Nova Esperança.
  • A cena final onde Amidala e Anakin olham para o lago em Naboo com R2-D2 e C-3PO à direita, é um reprodução da cena final de Episódio V - O Império Contra-Ataca, na qual Luke e Leia olham de dentro da nave para o espaço com R2-D2 e C-3PO à direita.
  • Anakin Skywalker diz "Eu tenho um mau pressentimento sobre isto" quando está amarrado na arena. Estas palavras aparecem também nos Episódios I, IV, V e VI.
  • Quando a nave de Anakin e de Padmé aterrisa em Naboo, uma nave parecida com a Millennium Falcon de Han Solo pode ser vista na plataforma de aterrisagem.
  • Na conversa que Anakin tem com Amidala antes dele ir procurar sua mãe, são mostradas as sombras dos dois. A dele parece com a de Darth Vader.
  • Obi-Wan diz a Anakin: "Você será a morte para mim". Efetivamente, em Uma Nova Esperança, Obi-Wan é morto por Anakin, já transformado em Darth Vader.
  • O personagem Count Dooku teve o nome alterado nas legendas em português para Conde Dookan. Obviamente a pronúncia em inglês continuou a mesma.

 

   

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