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Fpolis, 11/10/2002

Estrada para Perdição

Título Original: Road to Perdition
País: EUA
Ano: 2002
Duração: 117 minutos
Drama / Livre
Diretor
: Sam Mendes
Elenco:
Tom Hanks, Paul Newman, Jude Law, Jennifer Jason Leigh, Stanley Tucci, Daniel Craig, Tyler Hoechlin, Liam Aiken, entre outros.
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O filme teve sua pré-estréia na semana passada e entra em definitivo nesta sexta-feira nos cinemas de Florianópolis. Tem tudo para ficar um longo período e, dependendo da crítica que se fez até agora, volta depois de ganhar o Oscar.

É claro que é muito cedo para fazer qualquer comentário do tipo, principalmente por quem ainda não viu o filme. Mas quem já assistiu garante que o filme de Sam Mendes levará alguma estatueta novamente. O primeiro trabalho dele foi o ótimo Beleza Americana, ganhador de cinco premiações no Oscar. Tudo bem que certamente não seria o mesmo filme não fosse a atuação de Kevin Spacey.

Mas o diretor novamente está muito bem servido no que tange aos atores. Tom Hanks é o protagonista, o matador Michael Sullivan; Jude Law (o andróide gigolô em A.I. Inteligência Artificial) faz outro gângster, mas a surpresa é o retorno de Paul Newman, semi-aposentado desde o pouco conhecido Cadê a Grana?. O ator veterano faz o mafioso chefe, o irlandês John Rooney.

Mas quem acha que o filme se restringe ao crime está enganado. O argumento principal é a relação entre pai e filho. Rooney é uma espécie de "pai de criação" de Sullivan. Tem mais afeto por ele do que pelo filho de verdade, Connor (Daniel Graig - esteve em Tom Raider). A partir desse triângulo se desenvolve uma história de assassinatos e vinganças.

Perdição é o nome de uma cidade, para onde vão Sullivan e seu filho depois de um crime contra o resto de sua família. Estrada para Perdição é o nome da novela em quadrinhos, escrita por Max Allan Collins, na qual o filme se baseia.

Sem desconfiar dos elogios, Estrada para Perdição parece ser um ótimo filme. Não só pelos atores, mas principalmente pela direção detalhista de Mendes, unida a outros ingredientes como figurinos alinhados, fotografia artisticamente forte e outros detalhes que a gente só pode comentar (ou repelir) depois de ver o filme.
 


Crítica

O diretor Sam Mendes acertou mais uma vez. Toda expectativa criada em torno de seu segundo filme (depois do sucesso de Beleza Americana) tem respostas positivas em Estrada para Perdição.

O filme é exato. Tem uma história forte, violenta e ao mesmo tempo comovente. Os atores, desde os consagrados Tom Hanks e Paul Newman ao pouco conhecido Stanley Tucci (que faz o mafioso Frank Nitti, ligado a Al Capone) têm atuações refinadas, emoções na medida certa para vilões. Mesmo o menino Tyler Hoechlin contracena competentemente fazendo o filho de Hanks, Sullivan Jr.

Outro ponto a lembrar é o ótimo tratamento dado por Albert Wolky (O Chacal, Dossiê Pelincano) aos figurinos, não só dos gângsteres - parece fácil colocar todos de sobretudo - mas também das crianças e mulheres. Ficam bem caracterizados os personagens dos anos 30, sem falar dos automóveis, cafés e cidades.

Prepondera uma fotografia escura, com abuso de sombras. O último encontro entre John Rooney (Newman) e seu filho de criação, Michael Sullivan é em meio a uma chuva torrencial, demonstrando toda a tristeza e tragédia que se passa na vida de ambos.

Outra cena marcante é a primeira morte vista por Sullivan Jr. O choque que ele leva ao ver alguém levando um tiro, sabendo que seu pai participava da ação, é mostrado em uma das melhores cenas de morte que já vi no cinema. A seqüência é rápida, mas a queda de quem levou o tiro é feita com lentidão. Ficam claras as entrelinhas do fato que mudaria a vida da família Sullivan para sempre.

Depois dos acontecimentos desencadeados por esse testemunho, pai e filho (Sullivan) partem para Perdição (nome da cidade que intitula o filme). É nas seis semanas de viagem que o filme realmente acontece. No caminho são perseguidos pelo excêntrico matador Maguire, feito também na medida por Jude Law.

Mesmo em um trabalho bem apanhado como esse, o destaque é o ator Tom Hanks. Ver quem já foi Forrest Gump fazendo um matador, que ao mesmo tempo é pai de família, com tanta destreza é fascinante. O papel de Michael Sullivan é sem dúvida mais difícil que o festejado funcionário da Fedex, em O Náufrago. Dessa vez merece premiações. É esperar para ver os concorrentes até o ano que vem.



 

   

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