|
|
|
ASSASSINATO
EM GOSFORD PARK
|
Título Original:
Gosford Park
País: Estados Unidos / Inglaterra
/ Alemanha
Ano: 2002
Duração: 127 minutos
Comédia / 14 anos
Direção: Robert Altman
Elenco:
Kristin Scott Thomas, Maggie Smith, Emily Watson,
Stephen Fry.
Página
Oficial |
 |
|
O
filme que estréia nesta sexta-feira é
daqueles que já estava em nossa lista de
espera há algum tempo.
Assassinato
em Gosford Park teve sete indicações
ao Oscar, incluindo o de melhor filme e direção,
e levou o melhor roteiro original. Recebeu também
o Globo de Ouro para a direção de
Robert Altman, premiação do American
Film Institute, melhor filme britânico do
British Film Institute e menção
especial em Berlim.
Com tanta premiação não há
como ter poucas expectativas. O crítico
Rubens Ewald Filho, em contraponto, disse que
esse número foi mais pela obra do diretor
do que pelo filme em si. Pode até ser:
com 77 anos de vida, Altman coleciona em seu currículo
mais de trinta filmes. Algumas jóias, como
M.A.S.H., com o qual venceu Cannes em 1970
e também fracassos, como o recente Doutor
T. e As Mulheres.
Suas películas são caracterizadas
por fazer com que o expectador se sinta um intruso,
parecendo estar vigiando os personagens sem eles
saberem.
É o que acontece em Gosford Park, onde
uma família da aristocracia britânica
nos anos 30 recebe convidados para o jantar e
é surpreendida por um crime. Mas este nem
é fio condutor principal da história,
já que outro costume do diretor é
misturar vários personagens, entrelaçando
diversas situações. Neste filme,
por exemplo, há uma clara distinção
entre o mundo dos andares superiores da mansão,
onde ficam os convidados que jantam e fazem saraus
e o subsolo, repleto de empregados, inclusive
alguns que vieram para acompanhar seus patrões
na festa.
O filme tem tudo para ser excelente. Mas por enquanto
a gente indica, conclusões só na
segunda-feira.
|
|
Numa
tarde chuvosa, na Inglaterra dos anos 30, um grupo
de aristocratas se prepara para passar uns dias
e fazer uma caçada, na casa de campo de
amigos. O local é Gosford Park, refúgio
do casal Willian (Michael Gambon) e Sylvia McCordle
(Kristin Scott Thomas - O Paciente Inglês).
O filme já começa demonstrando sua
abordagem principal: a diferença entre
as castas inglesas, divididas no filme, entre
os anfitriões, convidados e os criados.
Em uma das cenas do exórdio, os empregados
param o carro em meio à chuva, simplesmente
porque a Condessa de Trenthan (Maggie Smith),
não conseguia abrir uma garrafa de chá.
Chegando
na mansão, percebe-se que são inúmeros
personagens. Aí começa a confusão.
Como não há protagonistas definidos,
fica difícil se acostumar com a maior parte
dos atores e se você não ficar atento,
vai sair do cinema sem saber quem é quem.
Dentre os personagens que se destacam, além
dos anfitriões, estão também
Mary Maceachran (Kelly MacDonald -Trainspoting),
uma criada que usufrui de posição
privilegiada na mesa do jantar dos empregados,
já que sua patroa é a condessa;
Elsie (Emily Watson), empregada que é amante
do patriarca e o garoto Henry Denton (Ryan Phillippe
- Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão
Passado), que parece não se encaixar
no quadro de empregados e realiza os favores sexuais
de Sylvia.
O
momento mais intenso do filme é logo após
o acontecimento do crime. Não que ele seja
marcante, pelo contrário, a maior parte
das pessoas não dá a mínima.
Mas é interessante a impressão de
estar no jogo "Detetive". Especialmente
levando em conta os cenários e as pessoas
- que são todas suspeitas -, com direito
a relacionar os personagens com os lendários
Prof. Black, Cel. Mostarda, Dona Rosa, Dona Violeta,
Sr. Marinho e Dona Branca.
O
diretor Robert Altman também é daqueles
que gosta de falar de cinema dentro do próprio
filme. Dois de seus personagens são do
meio. Morris Weissman (Bob Balaban) é um
produtor vindo dos Estados Unidos, que estuda
as atitudes dos ingleses que serão retratadas
num filme. Ivor Novello (Jeremy Northan) é
um astro de Hollywood cujas fotos estampam as
paredes dos quartos de algumas criadas.
Todos
os atores do filme são de primeiríssima.
Não são astros conhecidos do mundo
de Hollywood, mas atores majoritariamente britânicos
- há um mito de que sejam os melhores -,
vindos das mais tradicionais escolas da dramaturgia
inglesa.
A
qualidade das interpretações, aliada
aos impecáveis figurinos e cenários,
fazem de Assassinato em Gosford Park um
bom filme.
O problema é que a trama varia de fria
a morna, decepcionando um pouco quem vai assistir
esperando um "filmão".
Os
que querem ir ao cinema por pura diversão
não devem ver este filme. Muito antes de
ser uma comédia, ele é um típico
filme de época, sem outras rotulações,
bom para expectadores que gostam de observar detalhes.
|
|